sábado, 31 de outubro de 2026

Advogados pedem bloqueio de salário de Flávio Bolsonaro por abandono do mandato após fuga do Brasil

 Advogados pedem suspensão imediata dos pagamentos ao senador, alegando abandono do mandato e risco de prejuízo aos cofres públicos

Flávio Bolsonaro, candidato derrotado à Presidência, enfrenta ação judicial que pede a suspensão de seu salário e benefícios no Senado após deixar o Brasil - Crédito: Reprodução | ABr

Uma ação popular apresentada à Justiça do Rio de Janeiro pede a suspensão imediata do salário, dos auxílios e das verbas de gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência da República que deixou o Brasil após as eleições. A iniciativa questiona a continuidade dos pagamentos diante de indícios, apontados pelos autores, de que o parlamentar pretende abandonar suas funções no Congresso Nacional.

Segundo informações divulgadas pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a ação foi protocolada pelos advogados Leonardo Nicolau e Rodrigo Roma. Eles sustentam que a saída de Flávio do país, sua autoproclamação como “líder brasileiro” em uma carta considerada golpista pelos autores e sua ausência na primeira sessão ordinária do Senado após o pleito justificam uma intervenção judicial para proteger o patrimônio público.

Os advogados destacam que o senador não participou da sessão parlamentar mesmo tendo a possibilidade de acompanhar os trabalhos remotamente. Para os autores, esse comportamento, associado às manifestações públicas do filho mais velho de Jair Bolsonaro, reforça a suspeita de que ele não pretende continuar exercendo regularmente o mandato.

A petição solicita uma decisão liminar para interromper os pagamentos antes do julgamento definitivo da ação. O argumento central é que a manutenção dos repasses pode representar prejuízo aos cofres públicos caso se confirme o abandono das atividades parlamentares.


⦾ Advogados apontam violação à moralidade administrativa

Um dos principais fundamentos da ação é o princípio constitucional da moralidade administrativa. Os autores argumentam que a utilização de recursos públicos para remunerar um parlamentar que demonstra intenção de não exercer suas atribuições pode configurar irregularidade.

A petição apresenta críticas contundentes à conduta de Flávio Bolsonaro e de integrantes de sua família, mas ressalta que o objetivo do processo é impedir possíveis danos ao erário.

“Não se contesta o péssimo exemplo de homem público que o senador ou outros integrantes de sua família têm para com a República Federativa do Brasil, como fartamente noticiado pela imprensa nacional e o internacional nos últimos anos, mas tão somente evitar a lesão aos cofres públicos de alguém que confessa abertamente abortar de seu mandato, além por óbvio do prejuízo à moralidade administrativa”, afirma o documento.

Os advogados reconhecem que o exercício do mandato parlamentar não pode ser avaliado exclusivamente pela presença física diária no Senado. Entretanto, sustentam que a situação de Flávio envolve circunstâncias mais amplas, relacionadas à sua saída do território nacional e às manifestações sobre seu futuro político.

Na avaliação dos autores, esses elementos justificam a apuração da situação funcional do senador e a adoção de medidas preventivas para evitar pagamentos considerados indevidos.

⦾ Ação aponta contradição entre discurso eleitoral e recebimento de salário

Outro argumento apresentado na ação envolve as críticas feitas por Flávio Bolsonaro à política fiscal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha presidencial.

Os advogados observam que o senador acusava Lula de irresponsabilidade fiscal e defendem que o mesmo rigor em relação ao uso dos recursos públicos deve ser aplicado à sua própria situação funcional.

Nesse contexto, afirmam que Flávio não deveria “mesmo que potencialmente locupletar-se de seu subsídio sem que tivesse efetivamente desempenhado seu labor de representante popular”.

A petição também questiona o impacto da manutenção dos pagamentos sobre a administração pública. Segundo os autores, além de representar um exemplo negativo para a população, a destinação de recursos a um parlamentar que eventualmente deixe de exercer suas funções comprometeria valores que “podem gerar despesas que inexoravelmente seriam melhor empregadas em serviços públicos”.

A argumentação procura estabelecer uma relação entre a responsabilidade fiscal defendida pelo senador durante a disputa eleitoral e suas obrigações como ocupante de um cargo público remunerado.

⦾ Justiça é instada a cobrar explicações do Senado

Além da suspensão imediata dos pagamentos, Leonardo Nicolau e Rodrigo Roma solicitam que a Mesa do Senado Federal seja formalmente chamada a prestar informações sobre a situação funcional de Flávio Bolsonaro.

O pedido busca esclarecer as condições em que o parlamentar permanece no exercício do mandato, incluindo sua participação nas atividades legislativas e a continuidade do recebimento de recursos públicos.

Os autores também requerem que, ao final do processo, os pagamentos eventualmente realizados de maneira irregular sejam reconhecidos como indevidos, com a possibilidade de ressarcimento dos valores desembolsados a partir do período questionado.

A medida judicial ocorre após a saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, onde desembarcou no Aeroporto de Opa-Locka, na Flórida, depois da derrota na eleição presidencial.

A ação, contudo, ainda representa uma iniciativa dos advogados, e não uma decisão judicial que determine a suspensão da remuneração. Caberá à Justiça examinar os argumentos apresentados, avaliar a existência de fundamentos para a medida liminar e decidir sobre os pedidos formulados.

O caso coloca em discussão as consequências administrativas da ausência do senador e a possibilidade de responsabilização financeira caso seja constatado o recebimento irregular de recursos públicos vinculados ao exercício do mandato.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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