quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Satisfação no trabalho chega a 81% e 74% dizem que renda é suficiente, aponta FGV

 Maioria dos trabalhadores brasileiros aprova ocupação atual e declara conseguir arcar com gastos essenciais

     Moedas de reais - Crédito: Reuters/Bruno Domingos

O nível de satisfação dos trabalhadores brasileiros com o seu emprego principal atingiu 81% no trimestre encerrado em setembro de 2026, somando os percentuais dos que se declaram satisfeitos (66,7%) e muito satisfeitos (14,3%), aponta a Sondagem do Mercado de Trabalho divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). Além disso, 74,1% dos entrevistados afirmaram que a renda auferida no trabalho tem sido suficiente para cobrir despesas essenciais, como moradia, educação, alimentação ou saúde.


No recorte sobre o grau de contentamento no emprego, apenas 6,3% dos respondentes manifestaram insatisfação geral, distribuídos entre insatisfeitos (5,8%) e muito insatisfeitos (0,5%). O grupo de trabalhadores que se declarou neutro representou 12,7%. Entre os que apontaram insatisfação, o principal motivo alegado continuou sendo a baixa remuneração, indicada por 54,2% das pessoas nesse grupo. Outros fatores assinalados foram a carga horária elevada (23,4%), questões de saúde mental (15,3%), escassez ou ausência de benefícios (10,2%), insegurança por trabalho temporário (5,1%), distância para o local de trabalho (3,4%) e ocupação com menos horas do que o desejado (2,7%).

No quesito financeiro, os 74,1% que indicam que o rendimento do trabalho supre os custos essenciais da família superam os 25,9% que classificaram a renda como insuficiente. A sondagem aponta ainda quais compromissos mais pesam no orçamento doméstico. A alimentação lidera como a despesa de maior impacto, citada por 84,5% dos entrevistados, seguida por contas de serviços públicos (65%) e custos com aluguel ou financiamento residencial (50,4%). Completam a lista o transporte (30,5%), cuidados médicos e de saúde (30,4%), dívidas (22,2%), lazer (18,9%) e gastos com educação (18,5%).

O estudo do FGV IBRE levantou também a percepção geral sobre o acesso a postos de trabalho e a estabilidade das ocupações. Para 58,8% das pessoas, conseguir emprego no país no momento atual está difícil ou muito difícil. Contudo, no que tange à segurança do próprio vínculo, 62,6% consideram improvável ou muito improvável perder a fonte principal de renda nos próximos seis meses. Já quanto às expectativas gerais para o mercado de trabalho no próximo semestre, 38,6% projetam estabilidade e 30,1% preveem melhora ou grande melhora do cenário econômico no país.

“O resultado desse mês mostra uma diferença entre a percepção do mercado de trabalho atual e das expectativas. Os respondentes indicam uma piora marginal na avaliação do momento presente, mas melhoraram suas expectativas em relação aos próximos meses. A desaceleração da economia e a perda de ritmo do mercado de trabalho ao longo dos últimos meses parece ter sido retratada pelos respondentes. A novidade passa a ser o aumento do otimismo com a evolução nos próximos meses, que pode estar influenciado por uma expectativa de melhora da economia e de redução da incerteza. Ainda vai ser preciso analisar os próximos resultados para avaliar se essa melhora das expectativas se confirma”, afirma Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE.

Fonte: Brasil 247

Nenhum comentário:

Postar um comentário