Madonna, conhecida como Rainha do Pop, publicou nesta sexta-feira (23) uma mensagem de apoio à reeleição do presidente Lula (PT) na reta final da disputa contra Flávio Bolsonaro (PL). A cantora compartilhou no Instagram uma publicação do fotógrafo brasileiro Rafael Pavarotti, referência mundial da moda, que associa o voto no petista à defesa da democracia, do meio ambiente e das liberdades individuais.
“Pela democracia, pelos povos indígenas, Amazônia, educação e ciência, cultura e liberdade para ser o que somos”, diz o texto compartilhado pela artista. A mensagem, publicada com a versão de Gal Costa de “Aquarela do Brasil”, termina com um pedido direto: “Por um Brasil sem fome, com dignidade para todos. Pela vida e nosso futuro. Vote Lula. Vote 13”.
A manifestação de Madonna amplia a presença da cultura pop na campanha de Lula. Mais de 600 grupos de fãs de artistas como Beyoncé, Taylor Swift, Lady Gaga, Billie Eilish e BTS se organizaram durante o segundo turno em iniciativas favoráveis ao presidente, segundo reportagem do Guardian. No Brasil, grupos semelhantes participaram da convocação de manifestações e de campanhas digitais para alcançar principalmente eleitores jovens.

O fenômeno não significa que todo fã de música pop seja de esquerda. Mas parte importante da cultura construída ao redor de grandes divas internacionais está historicamente ligada a bandeiras progressistas, especialmente direitos LGBTQIA+, igualdade racial, feminismo, liberdade sexual e combate à discriminação.
Madonna talvez seja o exemplo mais conhecido. Desde os anos 1980, ela atua publicamente na defesa de pessoas com HIV/Aids e dos direitos LGBTQIA+, além de ter levado referências da cultura gay e do ballroom para o centro da indústria musical. Em 2019, tornou-se a primeira mulher a receber da GLAAD o prêmio Advocate for Change por sua atuação em favor da comunidade LGBTQIA+.
Essa identificação ajuda a explicar por que tantos fandoms brasileiros encontraram maior afinidade com Lula neste segundo turno. Segundo pesquisadores ouvidos pela Folha, comunidades de fãs enxergam em pautas de diversidade e inclusão pontos de contato entre os valores defendidos por seus artistas e o discurso progressista. A mobilização levou fã-clubes de Beyoncé, BTS e Katy Perry às redes e às ruas durante a campanha.
Há duas semanas, ao agradecer a presença desses grupos em uma manifestação na Avenida Paulista, Lula chegou a brincar com sua tradicional saudação: “Devo começar dizendo ‘companheiros’ ou ‘fandoms do Brasil?”. O ato ocupou cerca de 12 quarteirões da avenida e contou com mobilização de estudantes, movimentos sociais e comunidades de fãs.
Do outro lado, o bolsonarismo construiu desde a década passada parte importante de sua identidade política em oposição a pautas culturais progressistas.
Durante o governo Jair Bolsonaro, a chamada “guerra cultural” envolveu embates sobre diversidade sexual, gênero, produção artística e políticas públicas para a cultura. Pesquisadores apontaram ainda intervenções e nomeações ideológicas em órgãos culturais, além de conflitos com artistas e movimentos ligados a direitos de minorias.
Na eleição atual, Flávio encontrou apoio de nomes como Gusttavo Lima, Amado Batista e outras figuras identificadas com a direita, mas a mobilização artística em torno de sua candidatura tem sido menos ampla e coordenada que a observada no campo de Lula. O próprio senador chegou a cobrar publicamente que artistas de direita “botassem a cara”. Alguns sertanejos que apoiaram Jair Bolsonaro em eleições anteriores preferiram evitar um posicionamento explícito neste ano.
Fonte: DCM

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