Mesmo sob chuva, milhares acompanharam o presidente pelas ruas de Belo Horizonte; Lula fez apelo especial aos maiores de 70 anos e aos jovens e pediu mobilização até domingo
O presidente Lula transformou as ruas de Belo Horizonte em um “Mar Vermelho” nesta sexta-feira (2), durante uma caminhada que reuniu milhares de apoiadores na reta final da campanha presidencial. Vestida majoritariamente de vermelho, a multidão acompanhou o presidente entre a Praça da Liberdade e a Praça Tiradentes, mesmo depois da forte chuva que atingiu a capital mineira.
Lula percorreu o trajeto em carro aberto, acompanhado da primeira-dama Janja da Silva, do candidato ao governo de Minas Gerais Patrus Ananias e das candidatas ao Senado Marília Campos e Áurea Carolina. A mobilização aconteceu a dois dias do primeiro turno, marcado para domingo (4).
Em seu discurso, Lula concentrou boa parte da mensagem em um chamado contra a abstenção. O presidente pediu especialmente que os brasileiros com mais de 70 anos, para os quais o voto é facultativo, compareçam às urnas. “O Brasil precisa dos votos das pessoas de 70 anos, de quem ajudou a construir o Brasil”, afirmou.
O apelo também foi dirigido aos mais jovens. Lula pediu aos apoiadores que conversem com adolescentes de 16 e 17 anos e os estimulem a participar da eleição.
☉ Lula aposta em vitória no primeiro turno
Diante da multidão, Lula afirmou estar confiante em uma definição da disputa já no domingo. “Eu tenho a convicção de que nós vamos ganhar as eleições no primeiro turno”, declarou. O presidente acrescentou que continuará mobilizado caso a eleição tenha uma segunda rodada.
Lula apresentou a eleição como uma das disputas políticas mais importantes de sua trajetória e relacionou o resultado das urnas à defesa da democracia, da soberania e dos direitos sociais.
Ao mesmo tempo, pediu aos apoiadores que não respondam a provocações de adversários durante os últimos dias da campanha. A orientação, segundo ele, deve ser concentrar as energias na mobilização eleitoral e no convencimento dos que ainda podem deixar de comparecer às urnas.
O presidente também voltou a criticar a extrema direita e o bolsonarismo, defendendo que a eleição seja usada para restabelecer um ambiente de civilidade na política brasileira.
☉ Escala 6×1, bets e salário mínimo
Lula afirmou que a escolha feita nas urnas terá consequências concretas sobre temas que atingem diretamente a vida da população. Entre eles, destacou o debate sobre o fim da escala 6×1, as apostas on-line, a violência contra as mulheres e a política de valorização do salário mínimo.
O presidente também defendeu as políticas implementadas pelos governos do PT e pediu votos para candidatos comprometidos com a continuidade desses programas.
Em sua fala, Lula mencionou a expansão das universidades e dos institutos federais, o Pé-de-Meia, o Minha Casa, Minha Vida e políticas desenvolvidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) como exemplos de iniciativas que, segundo ele, mostram as diferenças entre os projetos políticos em disputa.
O presidente associou essas políticas à necessidade de eleger também uma bancada parlamentar capaz de sustentar no Congresso propostas de ampliação de direitos sociais.
☉ Lula pede votos para Patrus
Em Minas Gerais, Lula fez uma defesa enfática da candidatura de Patrus Ananias ao governo estadual. O presidente lembrou a trajetória do aliado, que já foi prefeito de Belo Horizonte e ministro em seus governos.
“Companheiro que tem história, que tem biografia”, afirmou Lula ao apresentar Patrus aos apoiadores. O presidente disse acreditar que uma eventual eleição do petista poderia recolocar Minas Gerais em posição de destaque no cenário político nacional.
Lula também criticou adversários de Patrus e afirmou que a política não pode ser conduzida por meio de falsidades ou apenas pela busca de repercussão nas redes sociais. Em referência a Cleitinho Azevedo, disse que Minas não deveria trocar a experiência administrativa de Patrus por um candidato que, segundo suas palavras, “só sabe lacrar no celular”.
Além de Patrus, Lula pediu votos para Marília Campos e Áurea Carolina, candidatas ao Senado apoiadas por sua campanha.
☉ Um Mar Vermelho sob a chuva
A chuva que atingiu Belo Horizonte atrasou o início da caminhada, mas não esvaziou a mobilização. Apoiadores permaneceram na Praça da Liberdade e novos grupos continuaram chegando enquanto aguardavam Lula. Quando o temporal perdeu força, a multidão voltou a ocupar as ruas para acompanhar o presidente.
Movimentos sociais, categorias profissionais, grupos religiosos e torcidas participaram da concentração. Entre os gritos ouvidos estavam referências a cidades da região metropolitana, manifestações religiosas e o coro “É o tetra”, em alusão à tentativa de Lula conquistar um quarto mandato presidencial.
Na reta final de seu discurso, Lula voltou ao ponto central da passagem por Minas Gerais: ninguém deve considerar seu voto dispensável.
Dos adolescentes que acabaram de conquistar o direito de participar das eleições aos brasileiros que ajudaram a construir o país e já ultrapassaram os 70 anos, o presidente pediu uma mobilização de todas as gerações nas urnas.
A mensagem que ficou do “Mar Vermelho” formado em Belo Horizonte foi a de transformar a multidão das ruas em comparecimento eleitoral no domingo.
Fonte: Brasil 247
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