O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou seu maior avanço entre os eleitores de renda mais alta na pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22). No segmento que recebe mais de cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8,1 mil mensais, a diferença para Flávio Bolsonaro (PL) caiu de 25 para 14 pontos percentuais em apenas uma semana.
Nesse grupo, Lula passou de 34% para 40% das intenções de voto, um crescimento de seis pontos percentuais. Flávio, por sua vez, recuou de 59% para 54%. Embora o senador ainda lidere entre os mais ricos, a movimentação representa uma redução expressiva de sua vantagem justamente na reta final do segundo turno, marcado para domingo (25).
O avanço do presidente ocorre em meio a uma sequência de medidas econômicas anunciadas pelo governo federal. Entre elas estão o reajuste do Bolsa Família, a antecipação dos pagamentos do benefício, a aprovação do fim da escala 6×1 no Congresso e a redução de impostos sobre gasolina e etanol.
Outra iniciativa foi a ampliação do limite de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs), com a elevação do teto anual para R$ 110 mil a partir de 2027. O novo valor corresponde a aproximadamente R$ 9,1 mil mensais e pode beneficiar trabalhadores que estão próximos do limite atual da categoria.
Nos bastidores do governo, a avaliação é que as mudanças destinadas aos microempreendedores podem ter contribuído para a melhora de Lula entre os eleitores de renda mais elevada. Outra hipótese considerada por interlocutores do Planalto é que o noticiário negativo envolvendo Flávio Bolsonaro esteja influenciando parte desse eleitorado. A pesquisa, porém, não permite estabelecer as causas da mudança.
O governo também anunciou o fim das apostas esportivas online, as chamadas bets, e apresentou uma nova versão do programa Desenrola. A proposta prevê que a União compre dívidas inadimplentes, permitindo a retirada das restrições dos consumidores antes de definir as condições de eventual cobrança.
Entre os brasileiros que recebem até dois salários mínimos, Lula mantém uma vantagem de 15 pontos percentuais sobre Flávio. O presidente aparece com 54% das intenções de voto, após uma oscilação positiva de um ponto. O adversário também avançou um ponto nesse segmento, sem alterar a distância entre os dois candidatos.
Na faixa intermediária, de dois a cinco salários mínimos, Flávio permanece com 54% das intenções de voto e uma vantagem de 15 pontos percentuais. Nesse grupo, não houve alteração na diferença registrada na pesquisa anterior.
O resultado mostra que a principal mudança na distribuição das intenções de voto por renda ocorreu entre os eleitores de maior poder aquisitivo, segmento em que Flávio vinha mantendo uma vantagem mais ampla. A seis pontos percentuais de alcançar o adversário nessa faixa, Lula chega aos últimos dias da campanha com crescimento registrado em um eleitorado que tradicionalmente oferece maior resistência à sua candidatura.
Fonte: DCM

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