domingo, 18 de outubro de 2026

Alcolumbre articula reeleição ao comando do Senado e tenta dividir bancada do PL

 Presidente da Casa busca apoio de partidos aliados, negocia cargos e aposta em dissidências no partido de Flávio Bolsonaro para derrotar Rogério Marinho

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre – 7/8/25 - Crédito: Edilson Rodrigues/Senado

 O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), intensificou as articulações para permanecer no comando da Casa, independentemente de quem vença a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Diante da decisão do PL de lançar o senador Rogério Marinho (RN) como adversário, Alcolumbre trabalha para dividir a bancada da legenda, consolidar o apoio de outras siglas e ampliar sua influência sobre os parlamentares que assumirão seus mandatos em 2027.

Segundo o G1, a movimentação ganhou força depois que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, anunciou que o partido não apoiará a recondução de Alcolumbre. A legenda elegeu 19 senadores nas eleições de 2026 e contará com uma bancada de 29 integrantes na próxima legislatura, tornando-se uma força decisiva na disputa pela presidência do Senado.

A estratégia de Alcolumbre consiste em impedir que o crescimento do PL se traduza automaticamente em votos para Marinho. O presidente da Casa avalia que mantém relações políticas com integrantes da bancada adversária e pretende explorar essas alianças para enfraquecer a candidatura anunciada pela direção partidária.

⦾ Alcolumbre tenta dividir o PL e ampliar apoio no Senado

Um dos principais nomes dessa articulação é o senador Eduardo Gomes (PL-TO), atual vice-presidente do Senado e integrante do grupo político de Alcolumbre. De acordo com aliados ouvidos pela reportagem, Gomes deverá ser escolhido relator do Orçamento de 2027, embora um entendimento anterior previsse que a função seria destinada a um parlamentar do MDB.

A possível indicação é interpretada como um gesto em direção aos senadores do PL que mantêm proximidade com o atual presidente da Casa. O objetivo é demonstrar que a permanência de Alcolumbre no comando do Senado poderá assegurar espaços de influência à legenda, mesmo sem o apoio formal de sua direção.

Nos bastidores, Alcolumbre reconhece a legitimidade do PL para apresentar uma candidatura própria, mas recorda que o partido já enfrentou dificuldades em disputas anteriores pela Mesa Diretora. Em 2025, a sigla optou por apoiar sua eleição, evitando um confronto direto.

As projeções de aliados indicam que Alcolumbre poderia reunir pelo menos 49 votos, número alcançado por Rodrigo Pacheco na eleição de 2023. Outros interlocutores apresentam uma estimativa mais conservadora, de 44 votos. Em ambos os cenários, os cálculos apontam uma vantagem inicial para o atual presidente, embora a composição definitiva dos apoios ainda dependa das negociações.

O movimento também envolve a tentativa de reunir outras legendas em torno de uma candidatura capaz de enfrentar o peso da bancada bolsonarista.

Na terça-feira (13), os senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Otto Alencar (PSD-BA), líderes de suas respectivas bancadas, anunciaram apoio à reeleição de Alcolumbre.

“Eu tive a oportunidade de exercer o meu voto favorável à sua Presidência e posso exercê-lo de novo pelo trabalho, pela sua perseverança, pela sua presença no Senado Federal discutindo as matérias”, declarou Otto Alencar.


Entre dirigentes de outras siglas, existe a preocupação de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na Presidência da República, combinada com o controle do Senado pelo PL, reduza a autonomia política do Congresso.

Nesse cenário, parlamentares temem perder influência sobre a distribuição das emendas parlamentares, instrumento considerado central nas relações entre o Legislativo e o Executivo. Alcolumbre, por sua vez, construiu parte de sua força política justamente na defesa das prerrogativas do Congresso e na negociação de recursos orçamentários com o governo federal.

⦾ Confronto com Rogério Marinho expõe disputa pelo comando da Casa

A rivalidade entre Alcolumbre e Rogério Marinho tornou-se pública na quinta-feira (15), durante uma discussão no plenário do Senado.

O confronto ocorreu depois que o presidente da Casa decidiu retirar a PEC da Segurança da pauta de deliberações. Marinho questionou se a medida havia sido tomada a pedido do governo Lula.

“A retirada de pauta se deveu ao pedido do governo?”, perguntou o senador do PL.

“Não, a retirada de pauta se deveu à minha decisão da Presidência do Senado Federal”, respondeu Alcolumbre.

Marinho insistiu na cobrança de uma justificativa para a decisão.

“Mas eu pergunto à vossa excelência: baseada em quê? Porque há uma expectativa da população”, afirmou.

“Baseado na decisão da presidência do Senado Federal”, rebateu Alcolumbre.

O senador potiguar voltou a questionar a condução dos trabalhos.

“O arbítrio é de vossa excelência, pura e simplesmente?”, perguntou.

“Exatamente”, respondeu o presidente do Senado.

Marinho então declarou: “Bom saber que a gente precisa mudar esse regimento”.

“Exatamente. Vamos mudar”, concluiu Alcolumbre.

O episódio evidenciou a deterioração da relação entre os dois senadores em meio à disputa pela presidência da Casa.

Na última semana, Alcolumbre também adotou iniciativas favoráveis a propostas defendidas pelo governo Lula, entre elas o avanço da PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.

⦾ Gabinetes, apartamentos e cargos entram nas articulações

Além das negociações partidárias, Alcolumbre tem dedicado parte de sua agenda ao atendimento dos senadores eleitos em outubro.

Segundo o G1, o presidente da Casa conversou com quase todos os novos parlamentares e participa diretamente das tratativas para a distribuição de gabinetes e apartamentos funcionais.

A escolha desses espaços tem peso nas relações internas do Senado. Alguns gabinetes são especialmente valorizados por oferecerem maior privacidade e acesso reservado às dependências do Congresso.

Os mais disputados ficam no Anexo II, onde determinadas salas permitem acesso direto ao estacionamento, facilitando a entrada e a saída dos parlamentares sem exposição pública.

De acordo com a reportagem, um desses gabinetes recebeu 18 visitas em um único dia. Outro espaço, atualmente ocupado pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO), foi procurado por quase duas dezenas de novos parlamentares.

Localizado na ala dos plenários onde ocorreram sessões da CPMI do INSS, o gabinete ocupado por Kajuru possui acesso a uma entrada lateral restrita do Senado.

Questionado pelo g1, Alcolumbre confirmou que já conversou “com quase todos” os novos senadores.

A disposição para negociar espaços inclui até adversários políticos. Um dos casos mencionados por aliados é o da senadora eleita Rayssa Furlan (PSD-AP), que derrotou candidatos apoiados por Alcolumbre na disputa pelo Senado no Amapá.

Além dos gabinetes e imóveis funcionais, dezenas de cargos vinculados à presidência do Senado também integram as negociações políticas. Essas funções podem ser ocupadas por indicados de parlamentares aliados e representam outro instrumento de articulação para a formação de uma maioria.

⦾ Indicação ao STF também pode influenciar negociações

Outra frente de atuação de Alcolumbre envolve o Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do Senado continua defendendo a indicação de Rodrigo Pacheco, atualmente ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), para uma vaga na Corte.

Pacheco é o nome historicamente apoiado por Alcolumbre para o Supremo. Segundo a reportagem, a resistência do presidente do Senado à escolha de Jorge Messias, advogado-geral da União, esteve relacionada à decisão de Lula de não indicar seu antigo aliado.

A articulação em torno de Pacheco é considerada relevante tanto para uma eventual continuidade do governo petista quanto para a hipótese de vitória de Flávio Bolsonaro.

No primeiro cenário, a indicação permitiria a Lula assegurar mais uma nomeação ao STF antes do encerramento de seu mandato. Caso não seja reeleito, o presidente poderia deixar três vagas futuras para o sucessor, em vez de quatro, conforme os cálculos apresentados na reportagem.

Na hipótese de vitória de Flávio, a presença de Pacheco no Supremo garantiria a Alcolumbre um aliado na Corte, especialmente diante da possibilidade de aumento das pressões pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

Alcolumbre mantém uma relação próxima com Moraes e se posiciona contra iniciativas destinadas a afastar ministros do STF.

A eventual transferência de Pacheco para o Supremo também abriria uma vaga no TCU, ampliando as possibilidades de negociação política no Senado.

Esse posto poderia ser utilizado para atrair apoios à reeleição de Alcolumbre. Por outro lado, parlamentares contrários à permanência do atual presidente no comando da Casa avaliam que ele próprio poderia ocupar a vaga no Tribunal de Contas caso não consiga renovar seu mandato na presidência do Senado.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

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