Alexandre Ostrowiecki, presidente do conselho de administração da Multilaser, na sede da empresa. Foto: reprodução
O presidente do conselho de administração da Multilaser, Alexandre Ostrowiecki, defendeu o fim da escala 6×1 e afirmou que é “inaceitável” manter trabalhadores com apenas um dia de descanso semanal em meio aos avanços da inteligência artificial e da robótica. Para o empresário, todos os empregados deveriam ter dois dias livres por semana.
Ostrowiecki disse que a mudança tem custo econômico e pode levar parte das empresas a elevar preços, mas descartou uma onda de demissões. “Toda redução de jornada da história provocou o mesmo alarme, e a economia se adaptou. É um custo que vale a pena pagar pela enorme melhoria na qualidade de vida do trabalhador”, afirmou em entrevista à Folha.
O empresário sustentou que a escala 6×1 não representa o principal fator de perda de competitividade da indústria brasileira. Ele citou burocracia, impostos sobre o consumo e juros elevados como entraves mais relevantes para a formação dos preços no país.
“Quem se preocupa com a competitividade do país deveria começar cortando os privilégios do Estado, não o descanso do trabalhador”, disse Ostrowiecki. Há cerca de 15 anos, ele ajudou a criar o Ranking dos Políticos, site de orientação liberal que reúne perfis de congressistas.
Crítica aos gastos públicos e aos juros
Ao falar das medidas esperadas do próximo governo, Ostrowiecki cobrou uma reforma estrutural nas despesas públicas. Ele defendeu reforma administrativa, desvinculação de gastos e revisão de supersalários e penduricalhos para conter o crescimento obrigatório do orçamento.
“O Estado brasileiro é o único agente da economia que nunca faz dieta. Quando falta dinheiro, ele aumenta a conta dos outros”, afirmou. Na avaliação do executivo, sem esse ajuste os juros continuarão pressionando empresas e consumidores.

Ostrowiecki também demonstrou preocupação com o aumento das recuperações judiciais e extrajudiciais. A Multi, empresa que reúne produtos eletrônicos, acessórios de informática, eletroportáteis, itens de beleza e mobilidade elétrica, integra a lista de fornecedores das Casas Bahia, que pediu recuperação judicial.
Segundo ele, a companhia provisionou cerca de R$ 31 milhões pela exposição à varejista, valor equivalente a pouco mais de 2% de sua carteira de recebíveis. O executivo afirmou que o impacto é moderado porque a maior parte das vendas da empresa conta com seguro de crédito.
O empresário citou dados da Confederação Nacional do Comércio, que apontam 82% das famílias brasileiras com dívidas a vencer, e da Serasa, que registrou quase 84 milhões de negativados em agosto. “Não existe engenharia comercial que compense juro de agiota por muito tempo”, disse.
Ostrowiecki criticou a política tributária para encomendas internacionais de até US$ 50, conhecida como taxa das blusinhas. Ele afirmou que a diferença de tributação entre fabricantes nacionais e vendedores estrangeiros pode transferir produção e empregos para a Ásia, com expansão das vendas diretas por marketplaces internacionais.
Com fábrica em Manaus, ele defendeu a redução ampla dos tributos sobre o consumo e citou a Zona Franca como exemplo de ambiente em que a indústria consegue competir. “Não defendo privilégio para Manaus, e sim redução geral nos tributos sobre o consumo”, afirmou.
Fonte: DCM
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