sexta-feira, 17 de julho de 2026

Visa rebate EUA, diz que lucros aumentaram no Brasil e elogia Pix


      O presidente da Visa no Brasil, Rodrigo Cury, Foto: Reprodução

O presidente da Visa no Brasil, Rodrigo Cury, saiu em defesa do Pix e afirmou que a investigação aberta pelo governo dos Estados Unidos sobre o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos não deve ser interpretada como uma crítica à ferramenta criada pelo Banco Central. Em entrevista ao Valor Econômico, o executivo classificou o Pix como “um negócio extremamente bem-sucedido” e “um fenômeno”.

A investigação foi aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), durante o governo Donald Trump, e inclui questionamentos sobre o modelo de operação do Pix. Segundo Cury, porém, o foco do relatório não é a eficiência ou a qualidade do sistema, mas uma questão regulatória envolvendo o Banco Central, que atua simultaneamente como regulador do mercado financeiro e operador do Pix.

“Ele não fala mal do Pix. Não tem o que falar mal do Pix. O Pix é um negócio extremamente bem-sucedido, bem feito, um fenômeno realmente”, afirmou.

Na avaliação do executivo, a principal preocupação levantada pelo USTR é um possível conflito de interesses decorrente do fato de o Banco Central supervisionar o sistema financeiro e, ao mesmo tempo, administrar uma plataforma de pagamentos que pode concorrer com soluções privadas.

⦿ Pix pressiona débito, mas amplia oportunidades

Embora o Pix tenha reduzido o espaço dos cartões de débito, seu impacto sobre o crédito continua limitado. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) mostram que as transações com cartões de débito cresceram apenas 0,2% em 2025 na comparação com o ano anterior, abaixo da expansão de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Já as operações com cartão de crédito avançaram 14,5% no mesmo período.

Mesmo diante da concorrência, Cury afirmou que o avanço do Pix também gerou novas oportunidades de negócios para a Visa.

“O Pix trouxe muitas coisas boas para nós. O Galípolo fala muito disso, e eu concordo: junto com outras medidas, o Pix ajudou na bancarização”, disse.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Foto: reprodução

Segundo ele, a estratégia da empresa é adaptar seus produtos ao novo cenário em vez de combater a expansão do sistema.

“Por um lado, ele concorre, porque ele tem um sistema de pagamentos, eu também tenho. Mas, por outro lado, ele traz uma série de oportunidades. A gente não vai ficar chorando em cima de um negócio que não controla. Temos que nos reinventar a cada minuto.”

⦿ Visa aposta no ecossistema do Pix

Como parte dessa estratégia, a Visa lançou em 2025 a Visa Conecta, uma iniciadora de transações de pagamento (ITP) integrada ao ecossistema de open finance e baseada na infraestrutura do Pix.

Em abril de 2026, a companhia anunciou seu primeiro projeto utilizando a plataforma, em parceria com a VaideBus, permitindo pagamentos no transporte público por meio de biometria e Pix.

Fonte: DCM

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