Estratégia falhou e governo agora prepara retaliação comercial após Washington impor taxa de 25% sobre produtos nacionais
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As complexas negociações de bastidores entre Brasília e Washington não foram suficientes para conter a ofensiva protecionista dos Estados Unidos, culminando no anúncio de uma severa taxa de 25% sobre parte das exportações industriais brasileiras. Durante o exaustivo processo de tratativas comerciais, que se arrastava há cerca de um ano sob o escrutínio de uma investigação norte-americana, o governo do presidente Lula (PT) chegou a formular propostas concretas para tentar pacificar a relação, mas impôs vetos rígidos a exigências consideradas inaceitáveis para a soberania nacional. O desfecho negativo expôs a inflexibilidade da gestão de Donald Trump e empurrou o Brasil para uma iminente reação jurídica e aduaneira, informa o jornal O Globo.
Para tentar demover a Casa Branca da aplicação da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a equipe econômica e a diplomacia brasileira tentaram manter o debate estritamente no campo técnico e comercial. Entre os acenos oferecidos, cogitou-se abrir canais de diálogo prioritários e discutir cadeias de suprimentos estratégicas. Por outro lado, o Palácio do Planalto fincou o pé e vetou concessões políticas ou ideológicas que ferissem os interesses do país. A estratégia, contudo, esbarrou em exigências externas classificadas por negociadores brasileiros como “inegociáveis”, gerando um ambiente de forte atrito que culminou na taxação massiva.
A reação oficial foi imediata e dura após a confirmação do revés. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) calculou que o “tarifaço” afetará diretamente 18% das exportações brasileiras voltadas ao mercado norte-americano, o que representa um impacto financeiro estimado em US$ 7,4 bilhões. Itens pesados da pauta exportadora, como aço, alumínio e o setor automotivo, estão entre os mais castigados, podendo enfrentar alíquotas punitivas de até 50%. Em contrapartida, produtos essenciais como café, carne bovina e suco de laranja conseguiram ser preservados na lista de exceções temporárias.
O presidente Lula criticou de forma veemente a decisão de Washington, classificando as medidas unilaterais como desprovidas de justificativa técnica razoável e motivadas por puro cálculo político. Diante do impasse, o governo federal já estuda formalizar uma denúncia junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) e planeja acionar os mecanismos da Lei da Reciprocidade Econômica, o que pode resultar na aplicação de sobretaxas equivalentes sobre os produtos norte-americanos que entram no território brasileiro.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo
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