sexta-feira, 17 de julho de 2026

Eliane Cantanhêde diz que tarifaço fortalece Lula e enfraquece Flávio Bolsonaro, o “Tariflávio”

Colunista afirma que ofensiva comercial dos Estados Unidos teve motivação política, produziu efeito contrário ao esperado e ampliou o desgaste eleitoral do senador do PL

Lula e Flávio Bolsonaro
Crédito: Ricardo Stuckert/PR | Agência Senado

A jornalista Eliane Cantanhêde afirmou que o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil acabou produzindo um efeito político inverso ao pretendido: fortaleceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e agravou o desgaste do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apelidado nas redes sociais de “Tariflávio”. A análise foi apresentada em sua coluna e em comentários sobre a crise diplomática desencadeada pela decisão do governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos.

Segundo Cantanhêde, a medida norte-americana foi marcada por forte conteúdo político e por justificativas contestadas, atingindo diretamente a disputa presidencial de 2026. Para a jornalista, a iniciativa acabou reforçando o discurso de defesa da soberania nacional adotado pelo governo Lula, enquanto ampliou as dificuldades eleitorais enfrentadas por Flávio Bolsonaro.

⦾ Carta de Flávio virou problema político

Um dos principais pontos destacados por Eliane Cantanhêde é a carta enviada por Flávio Bolsonaro ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Em vez de pedir o cancelamento definitivo das tarifas, o senador defendeu o adiamento da medida para depois das eleições brasileiras.

A jornalista classificou a iniciativa como “um desastre” para o próprio Flávio Bolsonaro.

“Quer dizer que um novo tarifaço agora não pode, porque é bom para o presidente Lula, mas, depois das eleições, depende de quem ganhar? O importante para o candidato não é se é bom ou mau para o Brasil e os brasileiros; o que vale é se é bom ou mau para ele e o bolsonarismo”, escreveu Cantanhêde.

Na avaliação da colunista, o episódio reforçou críticas de que interesses eleitorais foram colocados acima dos interesses nacionais.

⦾ Tarifaço fortaleceu discurso de Lula

Cantanhêde sustenta que a estratégia de pressão dos Estados Unidos acabou oferecendo ao presidente Lula uma oportunidade política importante.

Desde o anúncio das novas tarifas, o governo passou a enfatizar a defesa da soberania brasileira, denunciando o caráter político das sanções e rejeitando acusações formuladas por Washington sobre temas como Pix, comércio digital, meio ambiente e propriedade intelectual.

Segundo o chanceler Mauro Vieira, o governo brasileiro realizou cerca de 30 reuniões e contatos diplomáticos tentando evitar a escalada comercial, mas a decisão norte-americana já estaria tomada antes mesmo da conclusão das negociações, reforçando a percepção de que a medida teve motivação predominantemente política.

⦾ Até aliados reconhecem ganho para Lula

A percepção descrita por Eliane Cantanhêde encontra eco até mesmo entre integrantes da pré-campanha de Flávio Bolsonaro.

Reportagem da Folha de S.Paulo revelou que aliados do senador reconhecem que o novo tarifaço beneficia inicialmente Lula, especialmente ao permitir que o presidente associe o episódio ao discurso de defesa da soberania nacional. A estratégia da campanha bolsonarista passou a ser tentar reduzir esse impacto e mudar rapidamente o foco do debate eleitoral.

O próprio Flávio Bolsonaro já havia admitido anteriormente que uma nova rodada de tarifas poderia fortalecer politicamente Lula, motivo pelo qual pediu aos Estados Unidos que a medida fosse adiada.

⦾ “Tariflávio” domina as redes

Enquanto o debate político se intensificava, a repercussão nas redes sociais foi imediata.

O apelido “Tariflávio” passou a figurar entre os termos mais compartilhados em plataformas como X, Instagram e TikTok, sendo utilizado tanto por adversários políticos quanto por usuários comuns para associar o senador ao desgaste provocado pelas novas tarifas.

O termo também foi incorporado ao discurso de setores governistas, que passaram a explorar eleitoralmente a relação entre o senador e a ofensiva comercial norte-americana.

⦾ Disputa eleitoral ganha novo capítulo

A crise comercial transformou-se em um dos principais eixos da pré-campanha presidencial de 2026.

Enquanto Lula procura consolidar a imagem de defensor da economia nacional diante das pressões externas, Flávio Bolsonaro tenta convencer o eleitorado de que buscou evitar prejuízos às exportações brasileiras e responsabiliza o governo federal pelo fracasso das negociações.

A avaliação apresentada por Eliane Cantanhêde, contudo, é de que o movimento dos Estados Unidos acabou produzindo exatamente o efeito contrário ao esperado por setores da direita brasileira: fortaleceu politicamente Lula, ampliou o desgaste do senador do PL e consolidou o tarifaço como um dos temas centrais da sucessão presidencial.

Fonte: Brasil 247

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