quinta-feira, 16 de julho de 2026

CNI alerta que tarifa de 25% dos EUA ameaça exportações brasileiras e reduz competitividade da indústria

Confederação Nacional da Indústria afirma que sobretaxa agrava perdas nas vendas para os Estados Unidos, já percebidas desde 2025, e pede esforços para preservar a relação econômica entre os dois países

Ricardo Alban
Crédito: Iano Andrade/CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação com a decisão do governo dos Estados Unidos, presidido por Donald Trump, de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em nota divulgada na noite desta terça-feira (15), a entidade afirma que a nova sobretaxa agrava um cenário já desfavorável para a indústria nacional, reduz a competitividade das empresas brasileiras e amplia a insegurança nas relações comerciais entre os dois países.

Segundo a CNI, os efeitos das medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos desde 2025 já vinham afetando o comércio bilateral. A nova tarifa tende a aprofundar esse quadro, comprometendo ainda mais o desempenho das exportações brasileiras em um dos principais mercados consumidores do mundo.

⦾ CNI diz que cenário tende a piorar

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que os impactos das tarifas norte-americanas já podem ser observados em praticamente todo o país e advertiu que a nova medida poderá ampliar essas perdas.

“Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, declarou Alban.

A avaliação da entidade é de que o aumento das barreiras comerciais compromete não apenas os exportadores brasileiros, mas também a previsibilidade das relações econômicas entre as duas maiores economias do continente.

⦾ Exportações para os EUA já recuaram 13%

Os números apresentados pela CNI mostram que as tarifas implementadas pelos Estados Unidos desde 2025 já produziram impactos relevantes sobre o comércio bilateral.

No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano caíram 13%, o equivalente a aproximadamente US$ 2,6 bilhões.

Segundo a entidade, a retração foi impulsionada principalmente pela redução de 8,7% nas vendas de bens industriais, segmento que concentra boa parte das exportações brasileiras de maior valor agregado.

Entre os produtos mais afetados estão os semimanufaturados de ferro e aço, o ferro fundido bruto, a pasta química de madeira não conífera, os óleos de petróleo e outros produtos semimanufaturados de ligas de aço.

Apesar da queda, os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira, evidenciando a importância estratégica desse mercado para o setor produtivo nacional.

⦾ Queda atinge a maior parte dos estados brasileiros

A desaceleração das exportações não se restringe aos grandes polos industriais.

De acordo com o levantamento da CNI, 20 dos 27 estados brasileiros registraram redução nas vendas para os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Na avaliação da entidade, esse dado demonstra que os efeitos das medidas comerciais adotadas por Washington já se espalham por praticamente todas as regiões do país, atingindo cadeias produtivas diversificadas e comprometendo empresas de diferentes portes.

A nova tarifa de 25%, anunciada nesta semana, tende a ampliar esse impacto, tornando produtos brasileiros menos competitivos frente a concorrentes internacionais.

⦾ Indústria defende retomada do diálogo comercial

Ao divulgar a nota, a CNI reforçou a necessidade de preservar o relacionamento econômico entre Brasil e Estados Unidos, historicamente marcado por forte intercâmbio industrial e comercial.

Para a entidade, a escalada tarifária aumenta a insegurança para empresas dos dois países e dificulta investimentos, planejamento produtivo e expansão do comércio bilateral.

Nesse contexto, a confederação defende esforços diplomáticos e negociações que permitam restaurar um ambiente de maior previsibilidade, evitando que o aprofundamento da disputa comercial provoque novos prejuízos para a indústria brasileira, para as cadeias globais de produção e para o fluxo de comércio entre as duas economias.

Fonte: Brasil 247

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