O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) discutiu com o influenciador Felipe Sestaro durante participação no podcast de direita “Iron Talks”, veiculado na quarta-feira (3), ao defender a vacinação contra a Covid-19. Médico ortopedista, Caiado afirmou que o tema não pode ser tratado como simples opinião em um programa de grande alcance.
O embate ocorreu quando Sestaro defendeu que opinar sobre vacina seria “liberdade de expressão”. Caiado reagiu e afirmou que o assunto pertence ao campo da ciência. “O seu programa não pode entrar nessa área da ciência. Deixa vacinar! Você está cometendo um erro, você não pode fazer isso”, disse o presidenciável.
Durante a pandemia, o Brasil registrou mais de 700 mil mortes confirmadas por Covid-19, segundo dados oficiais consolidados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde. O número pode ser maior em razão da subnotificação.
Caiado citou também o uso de medicamentos defendidos sem comprovação no período. “Se você fosse cientista e provasse no seu laboratório que essa vacina vai levar a alguma complicação àquela pessoa… Diziam até que ivermectina ou corticoide resolvia”, afirmou. Sestaro, que tem formação em medicina, disse que corticoide melhorava sintomas. “Melhorar sintoma é uma coisa, mas não salva vida”, respondeu Caiado.
Na gravação, o apresentador criticou a “imposição” do Estado pela vacinação e questionou se a vacina seria tratamento. Caiado respondeu: “Lógico que é ciência, Felipe”. Em seguida, afirmou que médicos devem respeitar a profissão e o juramento de proteger vidas.
O ex-governador disse que a vacinação não pode ser tratada como disputa ideológica. “Se a direita não vacina e a esquerda vacina? Pelo amor de Deus, isso é ciência! Ciência está acima de problema ideológico e político! Você não pode levar pro microfone esse tipo de conversa”, declarou.
Caiado também defendeu a exigência de vacinação para crianças frequentarem creches, medida adotada pela Secretaria de Saúde de São Paulo. Segundo ele, a regra busca evitar sequelas e proteger a população infantil.
“Ela só existe hoje porque dá resultado. Se não desse resultado, a Covid estava matando até hoje. Ou você acha que o vírus da Covid desapareceu? Não! É que você faz a cobertura vacinal e não tem a transmissão do vírus”, explicou.
Em outro trecho, o pré-candidato questionou o entrevistador sobre o papel da medicina. “Qual é o princípio básico nosso, como médico? Nosso juramento de Hipócrates? Salvar vidas. Segundo lugar: qual é o princípio básico na saúde onde você tem um vírus que tem uma potencialidade enorme, de levar a óbito e que você não tem como tratá-lo?”, disse.
Fonte: Brasil 247
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