segunda-feira, 1 de junho de 2026

Milei leva Argentina ao top10 de piores países do mundo em direitos trabalhistas, diz estudo


        Javier Mileir, presidente da Argentina. Foto: Luis Robayo/AFP

Argentina e Panamá se juntaram ao Equador na lista dos “10 piores países do mundo” para os direitos dos trabalhadores, segundo estudo divulgado nesta segunda-feira (1°) pela Confederação Sindical Internacional (CSI). Os três países latino-americanos aparecem no grupo ao lado de Belarus, Egito, Essuatíni, Mianmar, Nigéria, Tunísia e Turquia, conforme o relatório Índice Global dos Direitos.

“A Argentina entra este ano na lista dos 10 piores países para os trabalhadores após cair para a categoria 5, registrando o segundo ano consecutivo de deterioração de sua classificação”, apontou a CSI divulgado no Globo. O estudo afirma que “as condições para os trabalhadores e os sindicatos tornaram-se cada vez mais repressivas e hostis sob o governo de extrema direita do presidente Javier Milei”.

O relatório cita medidas adotadas pelo governo argentino, como o protocolo antibloqueio criado para manter “a ordem pública em caso de bloqueios de estradas”. Segundo a CSI, a norma autoriza o uso indiscriminado da força policial em protestos.

“A classificação da Argentina piorou pelo segundo ano consecutivo, situando-se na categoria 5, o pior nível já alcançado por esse país sul-americano no Índice. Isso representa uma queda brusca e sem precedentes da categoria 3 para a 5 em apenas dois anos”, afirma o estudo. A categoria 5 reúne países com “direitos não garantidos”.

A entidade afirma que o retrocesso argentino decorre da passagem de um quadro de “violações regulares dos direitos para uma situação em que os trabalhadores não têm seus direitos garantidos”.

Manifestação contra a reforma trabalhista de Milei na Argentina. Foto: Luis Robayo/AFP
No caso do Panamá, a CSI aponta que “trabalhadores e sindicatos desse país centro-americano carecem de garantias quanto a seus direitos básicos e enfrentam uma opressão constante por parte dos empregadores e do Estado”.

Sobre o Equador, o relatório afirma que “os legisladores equatorianos promulgaram em 2025 uma lei que permite realizar vigilância sem ordem judicial, bem como interceptar comunicações e coletar dados privados”. A CSI diz que os países da categoria 5 “são os piores países do mundo para trabalhar. Embora a legislação possa enumerar certos direitos, os trabalhadores efetivamente não têm acesso a eles”.

O Brasil aparece no grupo 4, formado por países com “violações sistemáticas de direitos”, ao lado de Costa Rica, El Salvador, Peru e Trinidad e Tobago. Bahamas, Bolívia, Chile, Jamaica, México e Paraguai estão no grupo 3, de “violações regulares”. Espanha, Portugal e República Dominicana aparecem no grupo 2, de “violações repetidas”.

O Uruguai é o único país latino-americano no grupo 1, de “violações esporádicas”, ao lado de Alemanha, Áustria, Dinamarca, Islândia, Irlanda, Noruega e Suécia. O estudo afirma que o país constitui “uma exceção em uma região amplamente caracterizada pela repressão sindical e pela exploração”.

De forma geral, a América Latina “continua sendo a região mais letal para os trabalhadores e seus representantes, com execuções extrajudiciais registradas na Colômbia e no México”. A CSI também afirma que “em cerca de 9 em cada 10 países foi violado o direito de greve e impedido o registro de sindicatos. Em aproximadamente metade dos 25 países da região, trabalhadores foram detidos ou encarcerados”.

Luc Triangle, secretário-geral da CSI, disse que “o Índice 2026 revela que a crise dos direitos dos trabalhadores já não se limita a alguns poucos países: ela agora está no centro das democracias”. Ele acrescentou: “Os governos já não protegem os trabalhadores e, em alguns casos, contribuem para enfraquecer seus direitos”.

Fonte: DCM com informações do jornal O Globo

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