Pesquisa indica que narrativa contra Flávio Bolsonaro superou tentativas de culpar o governo Lula
Flávio Bolsonaro é apontado nas redes sociais como o maior responsável pelo tarifaço dos EUA (Foto: Mateus Bonomi/Reuters)
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta um aumento da pressão nas redes sociais após a decisão do governo dos Estados Unidos, presidido por Donald Trump, de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Levantamento divulgado nesta quinta-feira (4) pelo Instituto Democracia em Xeque aponta que a repercussão negativa contra o parlamentar ganhou força e superou amplamente as tentativas de atribuir a responsabilidade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a coluna Sonar, no jornal O Globo, a chamada crise do "Tariflávio" marcou uma mudança importante no ambiente digital envolvendo o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
☉ Caso Dark Horse perdeu espaço no debate
De acordo com o estudo, Flávio Bolsonaro havia conseguido, nos últimos dias, deslocar parte da atenção das redes sociais do caso Dark Horse e das especulações envolvendo possíveis conexões entre a produção audiovisual e o banco Master.
A mudança de foco ocorreu após a visita do senador aos Estados Unidos e sua aparição ao lado de Donald Trump. Também repercutiu positivamente entre apoiadores da direita o anúncio do governo estadunidense de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Contudo, o cenário se alterou rapidamente após o anúncio das novas tarifas sobre produtos brasileiros.
☉ Hashtag Tariflávio domina as redes
Os dados do Democracia em Xeque mostram que a hashtag "Tariflávio" acumulou 563,1 mil publicações e cerca de 4,7 milhões de interações. Em comparação, as postagens que buscaram responsabilizar o governo Lula registraram 58,9 mil publicações e 606,4 mil interações.
Segundo a análise, o volume de menções que atribuíram responsabilidade a Flávio Bolsonaro foi quase dez vezes maior do que o número de publicações que responsabilizaram o presidente da República.
Para o instituto, a aproximação entre o senador e Trump contribuiu para que parte dos usuários das redes associasse o episódio às relações políticas mantidas pela família Bolsonaro com o governo estadunidense.
☉ Direita teve narrativa fragmentada
O levantamento também identificou diferenças relevantes entre os campos políticos. Entre perfis alinhados à esquerda, 72% das publicações relacionadas ao tema associaram diretamente o tarifaço ao senador, demonstrando elevada uniformidade discursiva.
Já entre perfis ligados à direita, 46% das postagens trataram do tarifaço, enquanto 28% procuraram responsabilizar Lula pela medida adotada pelos Estados Unidos. Para os pesquisadores, os números indicam falta de convergência narrativa entre grupos conservadores.
☉ Acusações de entreguismo atingem campo conservador
Outro ponto destacado pelo estudo envolve a repercussão das manifestações de pré-candidatos da direita sobre a decisão estadunidense..
Segundo o Democracia em Xeque, parte dessas declarações foi interpretada nas redes como alinhamento excessivo aos interesses dos Estados Unidos, ampliando críticas que inicialmente estavam concentradas em Flávio Bolsonaro. "O efeito foi a generalização da pecha de entreguismo para o conjunto do campo, e não só para Flávio Bolsonaro", afirma o relatório do instituto.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo
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