segunda-feira, 1 de junho de 2026

Com Alcolumbre fragilizado, Planalto vê nova chance para aprovação de Messias para o STF

Pressionado pelo caso Master, Alcolumbre terá nova negociação com o governo pela aprovação de Jorge Messias. Em abril, nome foi rejeitado pelo Senado

Jorge Messias, Lula e Davi Alcolumbre (Foto: Ricardo Stuckert/PR | Carlos Moura/Agência Senado)

O Palácio do Planalto avalia que a nova tentativa de levar Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) poderá ocorrer em um ambiente político mais favorável no Senado, após a primeira derrota sofrida pelo governo. Auxiliares do presidente Lula (PT) apostam que o avanço do caso Master pode enfraquecer a resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), à indicação do ministro, segundo Igor Gadelha, do Metrópoles.

Ministros e assessores próximos ao presidente consideram que Alcolumbre estaria mais vulnerável politicamente diante das apurações relacionadas ao caso Master, o que poderia abrir espaço para uma negociação mais favorável ao governo. A expectativa no entorno presidencial é de que Lula reenvie a indicação de Messias ao Senado depois de uma conversa com o presidente da Casa.

Auxiliares de Lula citam investigações da Polícia Federal sobre possíveis irregularidades em aportes feitos pela Amapá Previdência no banco comandado por Daniel Vorcaro. A instituição previdenciária é administrada por aliados de Alcolumbre, fator que, na avaliação de integrantes do governo, passou a ter peso no tabuleiro político em Brasília.

A nova indicação de Jorge Messias foi anunciada por Lula na sexta-feira (29), depois de conversas com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e com o senador Weverton Rocha (PDT-MA). No Planalto e entre aliados de Messias, a leitura é de que o presidente não teria tornado pública a decisão se não pretendesse formalizar rapidamente o envio ao Senado.

Uma fonte do governo resumiu a avaliação interna sobre o movimento de Lula: “Ele (Lula) não ia anunciar isso agora se não fosse para mandar logo”.

☉ Disputa no Senado
A primeira tentativa de aprovação de Jorge Messias foi marcada por forte resistência no Senado. Alcolumbre atuou pessoalmente contra a indicação e, às vésperas da votação, procurou senadores para pedir votos contrários ao nome escolhido por Lula para o Supremo.

No governo, a avaliação é de que Alcolumbre trabalhou contra Messias como gesto à oposição e também para evitar o fortalecimento do ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF. Mendonça é aliado de Messias, o que teria ampliado a sensibilidade política em torno da indicação.

Senadores da base governista avaliam agora que Alcolumbre poderá evitar uma nova demonstração pública de resistência ao nome de Messias. A aposta é que o avanço do caso Master mudou o cenário político e tornou a disputa mais delicada para o presidente do Senado.

☉ Relações políticas sob pressão
Além do desgaste associado ao caso Master, o Planalto também acompanha a exposição da relação próxima entre Alcolumbre, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é presidenciável, e Daniel Vorcaro. Para aliados de Lula, esse conjunto de fatores pode influenciar a articulação em torno da nova indicação de Messias ao Supremo.

A estratégia do governo passa por reorganizar a base no Senado e reduzir resistências antes de formalizar o envio do nome. A avaliação no entorno presidencial é que a segunda investida dependerá de uma articulação mais cuidadosa do que a primeira, especialmente diante do papel de Alcolumbre na condução política da Casa.

Messias voltou ao centro das negociações entre Planalto e Senado em um momento de alta tensão institucional e de rearranjos internos no Congresso. Para o governo, a nova tentativa será uma oportunidade de reverter a derrota anterior e medir a capacidade de articulação de Lula em uma votação decisiva para a composição do Supremo Tribunal Federal.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

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