Com cerca de 90% das urnas apuradas, Abelardo de la Espriella tinha 43% dos votos contra 41% de Ivan Cepeda
Os candidatos Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda devem disputar o segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia, segundo os primeiros dados da apuração divulgados neste domingo (31).
Com 90% das urnas apuradas, Abelardo de la Espriella aparecia na liderança com 43% dos votos, seguido de Iván Cepeda, com 41%. Em terceiro lugar estava Paloma Valencia, representante da direita tradicional colombiana, com 6%. O segundo turno está marcado para o dia 21 de junho.
A disputa coloca frente a frente dois projetos políticos distintos para o futuro da Colômbia. Cepeda, de 63 anos, é o candidato apoiado pelo presidente Gustavo Petro, primeiro governante de esquerda da história do país. Sua candidatura representa a continuidade das reformas sociais promovidas pelo atual governo, incluindo iniciativas voltadas à ampliação de direitos trabalhistas, valorização do salário mínimo e expansão do acesso à saúde.
Filho do deputado Manuel Cepeda, assassinado em 1994, o senador construiu sua trajetória política em torno da defesa dos direitos humanos e da busca por soluções negociadas para os conflitos armados internos. Ele ocupa uma cadeira no Senado desde 2014.
Do outro lado está Abelardo de la Espriella, advogado e empresário de 47 anos que disputa sua primeira eleição presidencial. Apresentando-se como um candidato antissistema e nacionalista, ele ganhou destaque na reta final da campanha após criar o movimento Defensores da Pátria. Sua candidatura recebeu apoio do senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Crescimento de Espriella altera cenário da direita
Nas semanas que antecederam a votação, Espriella ampliou sua vantagem sobre Paloma Valencia, que representava a direita mais tradicional no país. Para analistas políticos, a candidata não conseguiu consolidar uma mensagem clara durante a campanha.
"Ela tentou ser direita dura e centro amável ao mesmo tempo. Ser firme sem assustar", afirmou Rubén Erazo, presidente da Associação Colombiana de Consultores Políticos (Acopol).
Segurança domina o debate eleitoral
A escalada da violência foi um dos temas centrais da disputa presidencial. Pesquisa do instituto Invamer para a Caracol Noticias apontou a segurança pública como a principal preocupação dos colombianos, mencionada por 40,8% dos entrevistados.
O país enfrenta seu pior cenário de violência em uma década. Em 2025, cerca de 14 mil pessoas foram assassinadas na Colômbia. Dados citados pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) mostram que a taxa de homicídios entre homens alcança 221 mortes por 100 mil habitantes, número significativamente superior ao registrado no Brasil e à média mundial.
O tema ganhou ainda mais relevância após o assassinato do senador Miguel Uribe, pré-candidato à Presidência, morto a tiros em Bogotá no ano passado. Desde então, os concorrentes reforçaram seus esquemas de proteção. Espriella, por exemplo, passou a realizar alguns eventos públicos dentro de estruturas blindadas e, em determinadas ocasiões, utilizou colete à prova de balas durante a campanha.
Para garantir a realização da eleição, o governo colombiano mobilizou 408 mil agentes de segurança em todo o território nacional, além de aeronaves, navios, drones, sistemas antidrones e veículos blindados.
"Fazer eleições na Colômbia não é o mesmo que fazê-las na Suíça. Existem riscos à democracia. Isso não deve ser ignorado", declarou o ministro da Defesa, Pedro Sánchez.
Fonte: Brasil 247
Nenhum comentário:
Postar um comentário