quarta-feira, 27 de maio de 2026

Bajulação de Flávio Bolsonaro a Trump reforça posição de Lula em defesa da soberania brasileira

Encontro de Flávio Bolsonaro com Trump é visto por governistas como gesto de submissão aos EUA e fortalece discurso de Lula sobre soberania

          Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro e Donald Trump (Foto: Reprodução)

Aliados do presidente Lula (PT) pretendem transformar a reunião do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um novo elemento da disputa política sobre soberania nacional, em meio à estratégia do governo de contrastar a postura diplomática do presidente brasileiro com a movimentação do clã Bolsonaro nos Estados Unidos, relata a Folha de São Paulo.

A avaliação entre governistas é que o encontro do senador com o presidente norte-americano pode ser usado para reforçar a posição de Lula em defesa dos interesses brasileiros, enquanto adversários buscam interlocução externa em temas sensíveis para o país.

◍ Recepção a Lula e Flávio deve ser comparada
Integrantes do PT pretendem explorar a diferença entre a recepção oferecida por Trump a Lula, no início do mês, e o tratamento dispensado a Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro nesta terça-feira (26). A leitura entre aliados do presidente é que a visita oficial de Lula teve sinais políticos mais fortes, como tapete vermelho, registro de aperto de mãos e declarações positivas de Trump após a conversa.

No caso de Flávio, a imagem divulgada pelo próprio senador mostrou Trump sentado à mesa, em uma composição considerada mais fria por governistas. Para interlocutores do Palácio do Planalto, o episódio tende a mobilizar sobretudo a base mais fiel ao bolsonarismo, sem alterar de forma relevante o cenário para Lula.

◍ Crise na pré-campanha de Flávio
A viagem ocorre em um momento delicado para Flávio Bolsonaro, que enfrenta desgaste em sua pré-campanha após revelações sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O senador negociou cerca de R$ 134 milhões para o patrocínio de "Dark Horse", filme sobre Jair Bolsonaro (PL).

Petistas avaliam que a agenda nos Estados Unidos busca deslocar o foco político do caso, que teria afetado o desempenho de Flávio nas pesquisas. Levantamento do Datafolha mostrou Lula com 40% das intenções de voto em uma simulação de primeiro turno, contra 31% do senador.

◍ Negociações com os EUA entram na disputa
Auxiliares do governo também veem risco para Flávio Bolsonaro caso o encontro passe a ser associado a eventuais dificuldades nas negociações entre Brasil e Estados Unidos. O senador afirmou ter tratado com Trump de temas já discutidos oficialmente entre os dois governos, como o tarifaço e o crime organizado.

A tendência, segundo interlocutores governistas, é que qualquer recuo de Trump no diálogo com o Brasil seja politicamente vinculado à atuação de Flávio. Nesse enquadramento, Lula buscaria se apresentar como o líder que defende a soberania nacional diante de pressões externas.

Nos últimos meses, o presidente tem associado a família Bolsonaro a uma postura de subordinação aos Estados Unidos. A visita de Flávio, portanto, deve ser incorporada ao discurso político do Planalto em um contexto de disputa eleitoral e de tensão em torno da relação bilateral.

◍ Divergência sobre facções criminosas
Após a reunião, Flávio afirmou ter pedido a Donald Trump que classifique o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como grupos terroristas. O tema é visto como ponto de divergência entre os governos brasileiro e americano.

A posição defendida pelo senador contraria o conceito adotado pela ONU (Organização das Nações Unidas), que conta com apoio público da diplomacia brasileira. Lula afirmou que o assunto não foi tratado em sua reunião com Trump, realizada no último dia 7.

◍ Ironia entre governistas
Antes da confirmação pública da reunião, Flávio publicou nas redes sociais um vídeo dizendo que estava em Washington e que teria uma conversa "muito bacana". Em seguida, acrescentou: "Daqui a pouquinho vocês vão saber com quem".

O senador também afirmou que a embaixada do Brasil nos Estados Unidos não autorizou que sua fala a jornalistas depois da reunião ocorresse no local. Entre governistas, a agenda foi recebida com ironia.

Questionado sobre a visita, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que já bastava "um da família Bolsonaro" trabalhando contra o Brasil. Nas redes sociais, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que o encontro buscava esconder o escândalo e chamou o episódio de "Três patetas com Trump".

Para aliados de Lula, a agenda de Flávio na Casa Branca não necessariamente fortalece sua pré-campanha. A avaliação no entorno do presidente é que o encontro pode ampliar a exploração política do tema da soberania nacional e reforçar a estratégia governista de apresentar Lula como defensor dos interesses do Brasil nas negociações com Washington.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

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