Confira as cenas do caos no país, com manifestantes protestando contra o ex-presidente, confrontos com a polícia e milhões de paraguaios sem acesso ao próprio dinheiro
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi transferido, na madrugada deste sábado (7), para o Regimento Escolta Presidencial, uma unidade militar localizada em Assunção, após protestos e confrontos entre manifestantes e policiais diante de sua residência. A transferência ocorreu poucas horas depois de sua destituição pelo Senado e da determinação de prisão domiciliar, no âmbito das investigações sobre o escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank.
Segundo o jornal paraguaio La Nación, a decisão de retirar Peña de sua residência foi tomada em meio ao agravamento das manifestações populares. Centenas de pessoas se concentraram nas proximidades do imóvel para protestar contra o ex-presidente e exigir que ele fosse encaminhado a uma prisão, em vez de permanecer em casa.
Durante os confrontos, agentes da Polícia Nacional dispararam balas de borracha contra manifestantes. A retirada do ex-presidente ocorreu sob forte esquema de segurança, em um comboio de veículos que deixou o local pouco antes da meia-noite.
Imagens divulgadas pela imprensa paraguaia mostram moradores lançando ovos contra os veículos e dirigindo insultos à comitiva que transportava Peña.
Senado destituiu Peña por unanimidade
A transferência ocorreu depois de uma jornada de profunda turbulência política no Paraguai. Na sexta-feira (6), o Senado aprovou por unanimidade, com os votos dos 43 parlamentares presentes, a destituição de Santiago Peña por mau desempenho de suas funções.
O processo de impeachment foi motivado pela crise do Ueno Bank, instituição financeira cuja situação provocou uma onda de protestos depois que milhões de clientes ficaram sem acesso aos depósitos.
O escândalo ganhou dimensão política devido às antigas relações de Peña com o grupo empresarial controlador do banco e às denúncias envolvendo recursos públicos depositados na instituição.
Após a destituição, o Ministério Público determinou a detenção domiciliar do ex-presidente, que passou a ser investigado por suspeitas de lesão de confiança e outras irregularidades relacionadas ao caso.
A decisão de mantê-lo inicialmente em sua residência provocou indignação entre manifestantes, que exigiam seu encaminhamento a um estabelecimento prisional.
Protestos e repressão policial marcam a crise
A concentração diante da casa de Peña transformou-se em um dos principais focos da crise política paraguaia.
Manifestantes permaneceram nas ruas durante a noite, enquanto policiais montaram barreiras para impedir a aproximação da residência.
O clima de tensão aumentou com a chegada de novos grupos e os confrontos entre participantes dos protestos e forças de segurança.
Segundo o La Nación, policiais utilizaram balas de borracha contra os manifestantes durante os incidentes.
A transferência para o Regimento Escolta Presidencial foi apresentada como uma medida preventiva de segurança. A unidade militar é responsável pela proteção de autoridades e ex-presidentes paraguaios.
Até o momento da transferência, não havia confirmação de que Peña tivesse sido encaminhado a um estabelecimento penitenciário convencional.
Crise do Ueno Bank provocou queda do governo
A destituição de Peña ocorreu em meio às consequências do colapso do Ueno Bank, que atingiu aproximadamente 3 milhões de clientes e levantou questionamentos sobre a supervisão do sistema financeiro paraguaio.
O banco concentrava também centenas de milhões de dólares em depósitos de instituições públicas, o que ampliou as preocupações sobre os efeitos da crise nas finanças do país.
As denúncias envolvendo a instituição e suas relações com autoridades do governo contribuíram para a abertura do processo político que resultou na saída de Peña.
Com sua destituição, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai, em meio à expectativa de medidas para proteger os depositantes afetados.
Peña deverá prestar esclarecimentos ao Ministério Público sobre as suspeitas investigadas. Sua defesa questiona a necessidade de medidas restritivas de liberdade e afirma que ele colaborará com a investigação.
A crise permanece aberta, com manifestações populares, investigações judiciais e pressões por soluções para os clientes prejudicados pelo colapso bancário.
Fonte: Brasil 247
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