sábado, 31 de outubro de 2026

PF e PGR são acionadas para investigar boicote a comerciantes que apoiaram Lula

 Cinco deputados do PT denunciam listas de boicote e pedem apuração da possível participação de Nikolas Ferreira

Polícia Federal - Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

 Um grupo de cinco deputados federais do PT encaminhou à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de investigação sobre campanhas de boicote a comerciantes, empresários e profissionais identificados como eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os parlamentares também querem que sejam apuradas ameaças de demissão contra trabalhadores em razão de suas preferências políticas.

Segundo a Veja, a representação, de 22 páginas, foi apresentada pelo líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), e pelos deputados Erika Kokay (PT-DF), Maria do Rosário (PT-RS), Bohn Gass (PT-RS) e Alencar Santana (PT-SP). O documento aponta a circulação de listas com nomes de estabelecimentos comerciais, empresas, profissionais liberais e trabalhadores que teriam manifestado apoio a Lula nas eleições.


De acordo com os parlamentares, as relações de nomes começaram a circular nas redes sociais após o segundo turno, em alguns casos acompanhadas de mensagens com conteúdo violento. Os deputados identificaram episódios no Rio Grande do Sul, em São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco.

A representação destaca que diversas listas foram divulgadas em períodos próximos, com formatos e linguagem semelhantes. Para os autores do pedido, essas características justificam uma investigação sobre a possível existência de uma ação coordenada para atingir economicamente pessoas e estabelecimentos associados ao PT.

⦾ Deputados pedem investigação sobre atuação de Nikolas Ferreira

Um dos pontos da representação é o pedido para que a PF e a PGR investiguem a possível participação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) na disseminação das campanhas de boicote.

Os parlamentares petistas levantam a suspeita de que o deputado bolsonarista possa ter estimulado a divulgação das listas e solicitam que as autoridades esclareçam seu eventual papel na mobilização.

⦾ Ameaças de demissão também são alvo da representação

Além dos boicotes a estabelecimentos comerciais, os deputados solicitam a investigação de empresários que estariam ameaçando dispensar funcionários por divergências políticas.

O documento menciona o aumento das denúncias de discriminação no ambiente de trabalho após as eleições e apresenta dados sobre registros recebidos por um órgão de fiscalização trabalhista.

“Somente em 26 de outubro o órgão recebeu 140 denúncias, o maior número já registrado em um único dia, e o seu coordenador nacional de promoção da igualdade de oportunidades e eliminação da discriminação no trabalho declarou que a instituição acompanha ‘com muita preocupação o crescimento das denúncias após as eleições’”, escreveram os parlamentares.

A informação é utilizada pelos autores da representação para sustentar a necessidade de apurar possíveis práticas de intimidação e discriminação relacionadas às escolhas eleitorais dos trabalhadores.

Os deputados também solicitam que sejam examinadas as circunstâncias em que ocorreram as ameaças, especialmente nos casos em que a manutenção do emprego teria sido condicionada ao posicionamento político dos funcionários.

⦾ Representação aponta possíveis crimes

Na avaliação dos parlamentares, as condutas relatadas podem configurar diferentes infrações penais, a depender das circunstâncias e das provas reunidas.

Entre os possíveis crimes mencionados estão perseguição, ameaça, incitação, atentado contra a liberdade de trabalho, discriminação por procedência, associação criminosa e coação eleitoral.

O pedido encaminhado à PF e à PGR busca esclarecer a origem das listas, identificar os responsáveis por sua elaboração e divulgação e verificar se houve articulação entre os envolvidos.

A investigação solicitada também deverá permitir, caso seja instaurada, a análise individualizada das condutas denunciadas, distinguindo manifestações políticas de eventuais práticas criminosas.

Fonte: Brasil 247 com informações da revista Veja

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