sexta-feira, 17 de julho de 2026

Presidente de entidade usou filha de deputado para chantageá-lo no caso INSS, aponta PF

Investigações revelam tentativa de chantagem contra Eros Biondini após o deputado apoiar a CPI mista e pedir auditoria em emenda de R$ 5 milhões

Eros Biondini
Crédito: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

O presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Lopes, teria tentado chantagear o deputado federal Eros Biondini (PL-MG) utilizando pagamentos feitos à filha do parlamentar, a deputada estadual Chiara Biondini (PL-MG). De acordo com investigações da Polícia Federal, a chantagem foi orquestrada no final de 2025, após Lopes se sentir contrariado pelo apoio do deputado à instauração de uma CPI mista para investigar fraudes no INSS e pelo pedido de auditoria sobre a destinação de uma emenda parlamentar de R$ 5 milhões enviada por Biondini ao Instituto Terra e Trabalho (ITT), ligado à confederação, informa a Folha de São Paulo.

O relatório policial, integrante da Operação Sem Desconto — que investiga descontos indevidos em aposentadorias —, aponta que Chiara Biondini foi contratada pela Conafer em 2021, aos 19 anos, recebendo mensalidades de R$ 10 mil como suposta assessora da presidência. Para a Polícia Federal, os repasses funcionavam internamente como um “salário fictício” e foram usados como moeda de troca política. Diálogos interceptados revelam que, ao ver o posicionamento de Eros Biondini mudar em relação à entidade, o grupo cogitou expor os recebimentos da jovem parlamentar como forma de retaliação e pressão política.

Em nota oficial conjunta enviada à imprensa, o deputado federal Eros Biondini e sua filha, Chiara Biondini, rebateram as suspeitas e esclareceram que colaboraram voluntariamente com a apuração policial:

“Nesta oportunidade, reforçam seus valores de probidade e honestidade que sempre marcaram suas trajetórias política, pessoal e profissional”.

A nota conjunta acrescenta ainda que o relatório final da investigação criminal “não identificou qualquer ato irregular e muito menos atitude ilícita dos dois congressistas”. De fato, Eros e Chiara Biondini não figuram na lista de indiciados pela corporação.

Por outro lado, o presidente da Conafer, Carlos Lopes, e o advogado Vinícius Ramos estão entre os 48 indiciados no primeiro inquérito da Operação Sem Desconto. A defesa da Conafer também se pronunciou publicamente sobre o caso, defendendo o rito legal e relativizando o peso do indiciamento nesta fase da apuração:

“O indiciamento constitui uma manifestação produzida na fase investigativa”.

A entidade ressaltou que a medida da PF não equivale a uma denúncia formal oferecida pelo Ministério Público e tampouco representa uma condenação ou julgamento definitivo por parte do Poder Judiciário.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

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