quarta-feira, 15 de julho de 2026

Prato feito sobe 7,2% e chega a R$ 31,90 no Brasil

Prato feito sobe 7,2% desde janeiro e chega a R$ 31,90. Sul tem a refeição mais cara e Norte registra o menor valor médio

Típico "prato feito" brasileiro
Crédito: Brasil 247/DALL-E

O preço médio do prato feito subiu 7,2% desde janeiro e chegou a R$ 31,90 em junho no Brasil. O levantamento também aponta o Sul como a região onde a refeição é mais cara, enquanto o Norte apresenta o menor valor médio, segundo a Folha de São Paulo.

A alta foi calculada pelo Índice Prato Feito (IPF), elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio de São Paulo (FAC-SP), instituição mantida pela Associação Comercial de São Paulo. Em janeiro, a refeição custava, em média, R$ 29,77. Em março, o preço havia avançado para R$ 30,27.

Na comparação entre março e junho, a elevação foi de 5,4%. O resultado indica que o custo de uma das refeições mais consumidas pelos trabalhadores brasileiros continuou avançando ao longo do primeiro semestre de 2026.

Com o valor médio de R$ 31,90, uma pessoa que almoça fora durante 20 dias úteis desembolsaria aproximadamente R$ 638 por mês apenas com o prato feito. O cálculo não inclui gastos com bebidas, sobremesas, transporte ou eventuais taxas cobradas por aplicativos de entrega.

A edição mais recente do IPF analisou 887 preços considerados válidos nas cinco regiões do país. A coleta foi realizada tanto presencialmente nos estabelecimentos quanto em plataformas digitais de entrega de alimentos.

Para a pesquisa, o prato feito é definido como uma refeição composta por arroz, feijão, uma proteína, salada e algum tipo de guarnição. A combinação permite acompanhar de forma direta como as variações dos alimentos e dos custos dos restaurantes chegam ao consumidor.

⊚ Alimentos, mão de obra e combustíveis pressionam preços

O economista Rodrigo Simões, da FAC-SP, atribui o encarecimento do prato feito a uma combinação de fatores. Entre eles estão a inflação de alimentos importantes, as despesas com funcionários e a elevação dos custos de transporte e combustíveis.

O primeiro semestre também foi marcado pelos efeitos econômicos da guerra no Irã, que pressionou as cotações internacionais do petróleo. O movimento abriu espaço para repasses aos preços do óleo diesel e da gasolina, com impacto sobre a logística de alimentos e o funcionamento dos estabelecimentos comerciais.

Os dados oficiais de inflação ajudam a dimensionar a pressão sobre os ingredientes usados na refeição. No Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), tubérculos, raízes e legumes acumularam aumento de 67,71% no primeiro semestre de 2026.

O feijão-carioca, variedade mais consumida no país, registrou alta de 52,82% no período. Hortaliças e verduras ficaram 13,91% mais caras, enquanto as carnes avançaram 5,6%. O arroz seguiu caminho contrário e apresentou queda de 0,51%.

⊚ Sul registra o prato feito mais caro do país

O levantamento identificou diferenças relevantes entre as regiões brasileiras. O Sul apresentou o maior preço médio em junho, com o prato feito vendido a R$ 34,90.

O valor foi 16,4% superior ao encontrado no Norte, onde a refeição custava, em média, R$ 29,99 — o menor preço entre as regiões analisadas.

O Centro-Oeste apareceu na segunda posição, com média de R$ 34,45. Em seguida vieram o Sudeste, com R$ 31,99, e o Nordeste, onde o prato feito foi encontrado por aproximadamente R$ 30.

Segundo o estudo, as diferenças regionais podem ser explicadas por fatores como o custo dos imóveis comerciais, a renda da população, a logística para distribuição dos produtos, as despesas com mão de obra, o nível de concorrência e os hábitos de consumo locais.

A FAC-SP ressalta que o IPF não substitui o IPCA, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e reconhecido como o indicador oficial da inflação brasileira.

A proposta do índice é complementar a análise do custo de vida por meio de um produto conhecido e amplamente consumido pela população. A série histórica do IPF começou a ser construída em janeiro de 2026.

⊚ El Niño amplia incertezas para o segundo semestre

A trajetória dos preços dos alimentos no segundo semestre pode ser influenciada pelo El Niño. O fenômeno climático altera a distribuição das chuvas e pode afetar a produção agropecuária em diferentes regiões do país.

Eventuais perdas nas lavouras ou dificuldades na criação de animais podem reduzir a oferta de produtos e provocar novos aumentos nos preços pagos pelos consumidores. Combustíveis e fertilizantes também permanecem entre os fatores de risco para a inflação.

O cenário internacional acrescenta incerteza às projeções. A retomada dos ataques dos Estados Unidos contra o Irã pode gerar novas pressões sobre o petróleo e elevar despesas de transporte e produção.

“Olhando para esses dados e conversando com os estabelecimentos [comerciais], a gente acredita que infelizmente o prato feito ainda pode subir um pouquinho no segundo semestre”, afirma Rodrigo Simões.

Fonte: Brasil 247

Nenhum comentário:

Postar um comentário