Aeronave permaneceu em aeroporto argentino antes da viagem; Polícia Federal acompanhou movimentação, mas não pôde impedir decolagem
A Polícia Federal (PF) acompanhou durante toda a terça-feira (27) a movimentação do jato particular utilizado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para deixar a Argentina com destino aos Estados Unidos, após uma passagem pelo Equador. A aeronave permaneceu estacionada por horas no Aeroporto Internacional Cataratas del Iguazú, em Puerto Iguazú, enquanto investigadores brasileiros monitoravam a situação sem poder intervir em território argentino. As informações foram divulgadas pela coluna da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, nesta quarta-feira (28).
A PF já tinha conhecimento de que o senador e candidato derrotado à Presidência da República pretendia deixar o Brasil pela fronteira de Foz do Iguaçu, no Paraná, e seguir viagem a partir do país vizinho.
O avião utilizado na operação é um Gulfstream G400, de prefixo LV-JQW, que permaneceu na pista do aeroporto argentino ao longo da terça-feira. Uma fotografia obtida pela coluna mostra a aeronave estacionada durante a tarde, depois do cancelamento de um plano de voo direto para os Estados Unidos.
De acordo com investigadores ouvidos pelo jornal, o voo inicialmente previsto tinha como objetivo transportar Flávio Bolsonaro. A programação, entretanto, foi alterada, e o senador seguiu uma rota que incluía uma escala no Equador antes de chegar aos Estados Unidos.
A Polícia Federal não conseguiu impedir a partida porque não possui jurisdição para realizar operações em território argentino. Embora os investigadores acompanhassem a movimentação da aeronave e tivessem informações sobre o deslocamento do parlamentar, a decolagem ocorreu fora do alcance direto das autoridades brasileiras.
☉ Flávio deixou o Brasil após descumprir ordem de Moraes
A saída do senador ocorreu depois de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse seus passaportes à Polícia Federal.
Flávio Bolsonaro havia sido intimado na segunda-feira (26) a apresentar os documentos até a manhã de terça-feira (27). A ordem judicial, porém, não foi cumprida.
Ao determinar a entrega dos passaportes, Moraes apontou a existência de “risco concreto” de fuga. A decisão teve como fundamento uma representação apresentada pela PF às 21h16 de domingo, pouco depois da confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ministro também destacou a “existência de estruturas já estabelecidas no exterior, aptas a viabilizar permanência prolongada”, indicando a possibilidade de o parlamentar contar com apoio fora do Brasil.
Outro elemento considerado na decisão foi uma declaração pública do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que vive nos Estados Unidos desde 2025.
Na semana anterior, Eduardo havia defendido que o irmão deixasse o território brasileiro caso fosse derrotado na disputa presidencial.
“Se meu irmão não ganhar [a eleição], sou a favor que ele deixe o país”, afirmou Eduardo durante participação em um podcast.
Segundo a coluna, Flávio havia informado a interlocutores que entregaria seu passaporte à equipe jurídica na manhã de terça-feira, como forma de cumprir a determinação do STF. Isso, entretanto, não aconteceu.
☉ Governo argentino não colaborou com investigação, diz reportagem
A atuação das autoridades argentinas também se tornou um dos principais pontos da apuração sobre a saída de Flávio Bolsonaro.
Conforme informações obtidas pela coluna de Malu Gaspar junto a fontes da Polícia Federal, integrantes do governo de Javier Milei não colaboraram com os investigadores brasileiros por receio de sofrer retaliações.
Milei mantém proximidade política com a família Bolsonaro, participou da campanha de Flávio à Presidência e é um crítico do governo Lula.
Até o momento relatado pela reportagem, o presidente argentino não havia reconhecido publicamente a derrota eleitoral do candidato do PL, diferentemente de outros dirigentes internacionais, inclusive representantes de governos de direita.
A ausência de colaboração das autoridades argentinas, somada à impossibilidade de atuação direta da PF fora do Brasil, dificultou uma eventual intervenção sobre a movimentação do senador no aeroporto de Puerto Iguazú.
☉ Voo para Miami foi cancelado antes de mudança de rota
As primeiras informações sobre a passagem de Flávio Bolsonaro pela Argentina começaram a circular na manhã de terça-feira, quando o portal argentino Infobae noticiou que o parlamentar teria atravessado a fronteira brasileira em direção a Puerto Iguazú.
Posteriormente, o jornal Clarín informou que o Gulfstream G400 de prefixo LV-JQW tinha uma decolagem prevista para as 2h30, com destino a Miami, nos Estados Unidos.
O voo, no entanto, foi cancelado porque a empresa responsável pela operação, a Baires Fly, não havia apresentado a lista de passageiros que estariam a bordo da aeronave.
A programação foi modificada e, segundo informações do serviço de imigração argentino citadas por O Globo, o itinerário passou a incluir Guayaquil, no Equador, antes da viagem aos Estados Unidos.
A confirmação oficial da entrada de Flávio Bolsonaro em território argentino ocorreu apenas na madrugada desta quarta-feira (28). O serviço de imigração do país informou que o senador havia atravessado a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú.
☉ Senador é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro
A viagem internacional ocorreu em meio a uma investigação da Polícia Federal sobre a possível participação de Flávio Bolsonaro e do advogado Willer Tomaz em um esquema de lavagem de dinheiro.
O procedimento integra o contexto das medidas cautelares determinadas pelo STF, entre elas a exigência de entrega dos passaportes do senador.
A decisão de Moraes buscava impedir uma eventual saída do país diante dos elementos apresentados pelos investigadores. Apesar disso, Flávio conseguiu atravessar a fronteira terrestre com a Argentina antes de seguir viagem em uma aeronave particular.
O destino final informado pela reportagem é os Estados Unidos, onde Eduardo Bolsonaro vive em autoexílio desde 2025.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo via coluna da Malu Gaspar
Nenhum comentário:
Postar um comentário