Ex-deputada afirma que a saída do país foi planejada antes da eleição e pode abrir caminho para a reorganização da direita brasileira
Joice Hasselmann, ex-deputada federal - Crédito: Brasil 247
A jornalista e ex-deputada federal Joice Hasselmann afirmou, em entrevista à TV 247, que a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva representa uma ruptura na relação entre a família Bolsonaro e seus próprios eleitores. Segundo ela, a decisão do ex-candidato à Presidência, que teria sido preparada antes mesmo do segundo turno, demonstra desprezo pela militância que sustentou sua campanha e pode desencadear uma reorganização das forças políticas de direita no país.
“Flávio Bolsonaro deu um tapa na cara de todos os bolsonaristas. Flávio Bolsonaro bateu na cara do bolsonarista. Ele desprezou o voto do bolsonarista. Ele deu uma banana pros bolsonaristas”, declarou Joice, que foi líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados e conviveu com integrantes da família durante sua trajetória política.
A ex-parlamentar afirmou que já possuía informações sobre os preparativos para a saída de Flávio Bolsonaro cinco dias antes da votação. De acordo com seu relato, fontes ligadas ao mercado de fretamento de aeronaves particulares teriam informado sobre a contratação de um jatinho para transportar o então candidato aos Estados Unidos caso ele não vencesse a eleição.
“Eu tinha a informação de que ele já tinha fretado um jatinho para fugir caso perdesse as eleições”, disse. Joice explicou que decidiu divulgar o alerta antes do pleito com o objetivo de chamar a atenção das autoridades e permitir que fossem adotadas medidas para impedir sua saída.
“Eu fiz questão de gravar isso e trazer essa informação cinco dias antes do pleito, justamente para fazer com que isso chegasse aos ouvidos das autoridades”, afirmou.
Na avaliação da jornalista, a decisão de conceder um prazo de 24 horas para a entrega do passaporte de Flávio Bolsonaro comprometeu a possibilidade de impedir sua viagem. Ela defendeu que a Polícia Federal deveria ter sido acionada imediatamente para recolher os documentos, especialmente depois das informações que havia divulgado.
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Joice também afirmou que a saída do país não teria sido uma decisão tomada após a divulgação do resultado eleitoral. Segundo ela, o deslocamento já estava organizado e teria contado com a participação de Eduardo Bolsonaro e de integrantes do governo dos Estados Unidos. A ex-deputada mencionou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, como um dos participantes dessa articulação, mas não apresentou, durante a entrevista, documentos que comprovassem a alegação.
“Foi premeditado, sim, premeditado, estudado, tudo para dar certo, para que ele pudesse sair do Brasil”, declarou.Joice também afirmou que a saída do país não teria sido uma decisão tomada após a divulgação do resultado eleitoral. Segundo ela, o deslocamento já estava organizado e teria contado com a participação de Eduardo Bolsonaro e de integrantes do governo dos Estados Unidos. A ex-deputada mencionou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, como um dos participantes dessa articulação, mas não apresentou, durante a entrevista, documentos que comprovassem a alegação.
“Foi premeditado, sim, premeditado, estudado, tudo para dar certo, para que ele pudesse sair do Brasil”, declarou.
Para Joice, a ausência de comunicação com aliados políticos revela um aspecto da relação da família Bolsonaro com seus apoiadores. Ela afirmou que integrantes do próprio campo bolsonarista foram surpreendidos pela decisão porque não acreditaram nas informações divulgadas antes da eleição.
“Foi surpresa pros aliados que, na verdade, se acham aliados”, afirmou.
A jornalista também questionou a justificativa de perseguição política apresentada por integrantes do bolsonarismo para explicar a saída de Flávio Bolsonaro. Ao recordar sua atuação como jornalista e suas críticas anteriores ao PT e ao presidente Lula, argumentou que divergências políticas não significam necessariamente perseguição.
“Eu critiquei muito o Lula, o PT muitas vezes, mas dentro do campo democrático, dentro do campo das ideias. Eu nunca precisei fugir do país. PT nunca me perseguiu, Lula nunca me perseguiu”, disse.
Joice comparou a decisão atribuída a Flávio Bolsonaro à postura de Lula em 2018, quando o então ex-presidente permaneceu no Brasil para cumprir a ordem de prisão determinada pela Justiça. Segundo ela, a diferença entre os dois comportamentos ajuda a explicar por que decidiu apoiar Lula no segundo turno de 2026, apesar de suas divergências com o petista.
A ex-deputada considera que o episódio pode produzir consequências que ultrapassam o futuro político de Flávio Bolsonaro. Na sua avaliação, parte dos eleitores e dirigentes de direita poderá reconsiderar a relação com o bolsonarismo depois de perceber que o candidato deixou o país enquanto seus apoiadores permaneceram no Brasil.
“Talvez agora a gente tenha uma chance da direita racional, uma direita que pensa, que é uma economia mais liberal e tal, se descolar dessa extrema direita”, afirmou.
Joice argumentou que setores da direita brasileira passaram a subordinar suas posições políticas à liderança da família Bolsonaro, comprometendo a capacidade de formular propostas e estabelecer uma oposição baseada em projetos. Para ela, a derrota eleitoral e a saída de Flávio podem criar condições para que esses grupos recuperem autonomia.
“A direita racional foi sequestrada pela direita radical, pela extrema direita, pelo bolsonarismo”, declarou.
Na avaliação da ex-parlamentar, a reconstrução desse campo político dependerá da capacidade de estabelecer diferenças com o governo Lula sem transformar a oposição em uma estratégia permanente de confronto. Ela defendeu que partidos e lideranças de direita apresentem alternativas para a economia e para a administração pública, inclusive por meio do diálogo com o Executivo.
“Você tem que dizer: ‘Olha, eu não concordo com isso, mas eu tenho aqui uma contribuição. Meu projeto é esse. Vamos conversar, vamos sentar’”, explicou.
Ao analisar o futuro das lideranças bolsonaristas, Joice afirmou que não identifica, entre os integrantes da família, um nome capaz de assumir a condução do movimento nas mesmas condições de Jair Bolsonaro. Ela também manifestou dúvidas sobre a capacidade de outros políticos associados ao grupo de unificar a oposição.
Sua aposta é que o senador Rogério Marinho possa assumir maior protagonismo no Congresso. Segundo Joice, embora o parlamentar se apresente como aliado do bolsonarismo, sua atuação política não estaria inteiramente vinculada à identidade construída pela família Bolsonaro.
“Quem vai liderar a oposição é o Rogério Marinho, senador Rogério Marinho, na minha avaliação”, afirmou.
A jornalista descartou, por outro lado, que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, assuma essa função. Ela argumentou que a necessidade de manter relações institucionais com o governo federal limita a possibilidade de o governador adotar uma postura de confronto permanente com Lula.
Para além da disputa pela liderança da oposição, Joice revelou que participa de conversas com empresários interessados na reorganização da direita brasileira. Segundo ela, as articulações poderão resultar na formação de um grupo político e até na criação de um partido, embora ainda não exista uma definição sobre esse caminho.
“A gente já está criando um grupo importante de empresários para fazer isso, talvez até com a criação de um novo partido”, afirmou.
A ex-deputada ressaltou que pretende participar dessa articulação, mas que isso não significa necessariamente um retorno à disputa por cargos eletivos ou à atividade partidária.
“Eu vou voltar para a política, mas não necessariamente partidária”, declarou.
Para Joice Hasselmann, a derrota de Flávio Bolsonaro e sua saída do Brasil podem representar um ponto de inflexão na trajetória do movimento político organizado em torno da família. A ex-parlamentar sustenta que a ruptura entre o candidato e seus apoiadores abre espaço para a construção de uma direita que não dependa da liderança dos Bolsonaro e que seja capaz de disputar projetos para o país dentro das instituições.
“Eu acho que nós temos essa grande chance de ter uma direita democrática no Brasil, que é o que a gente precisa, e um equilíbrio de forças”, concluiu.
Fonte: Brasil 247
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