Oposição norte-americana critica governo Trump por acolher senador brasileiro enquanto barra refugiados de conflitos e guerras
A concessão de vistos de entrada nos Estados Unidos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a seus familiares pelo Departamento de Estado provocou forte reação de parlamentares e figuras do Partido Democrata na terça-feira (27), informa o Metrópoles. Integrantes da bancada oposicionista no Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos condenaram com veemência a postura da administração Donald Trump.
O colegiado questionou o contraste entre o acolhimento oferecido aos Bolsonaros e o rigor da política migratória norte-americana contra populações vulneráveis de regiões em crise internacional. “Não há asilo para pessoas que fogem da guerra no Sudão ou do conflito no Haiti, mas Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro. Aparentemente, fugir da violência não se qualifica. Negar os resultados das eleições, sim”, destacou a representação democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara, em publicação na rede social X.
A contestação ganhou coro com outras lideranças progressistas dos EUA. O candidato democrata Isaiah Martin adotou um tom incisivo ao defender a expulsão do parlamentar brasileiro, a quem descreveu como “imigrante ilegal criminoso”, alertando que a sociedade norte-americana não deve custear viagens e esquemas de segurança para a família Bolsonaro.
“Vamos deportá-lo no primeiro dia. Aliás, deveríamos deixar o Brasil prendê-lo no meio da noite, de helicóptero!”, declarou Martin em suas plataformas digitais. Na mesma linha, o deputado Joaquin Castro usou a rede Threads para ironizar a tentativa de refúgio no território norte-americano: “perder uma eleição não é motivo para pedir asilo”.
Fuga do Brasil e descumprimento de ordem judicial
A polêmica no cenário internacional ocorre em meio ao descumprimento de medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes acolheu requerimento da Polícia Federal e ordenou a apreensão imediata dos passaportes do senador, proibindo-o de deixar o país diante do risco iminente de evasão. A decisão foi tomada no âmbito das investigações sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.
Mesmo sob restrição judicial, a movimentação do congressista envolveu uma rota clandestina pela América do Sul. Informações confirmadas pelo governo da Argentina apontam que Flávio ingressou em solo argentino na noite de terça-feira e permaneceu no local por apenas 40 minutos, de onde decolou em um voo charter da empresa Baires Fly S.A. rumo a Guayaquil, antes de seguir viagem com destino final aos Estados Unidos.
Fonte: DCM com informações do Metrópoles
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