quarta-feira, 15 de julho de 2026

Quaest expõe “fragilidade” de Flávio Bolsonaro, avalia Felipe Nunes

Diretor da Quaest cita conflito com Michelle, queda na espontânea e vantagem de Lula como sinais da fragilidade de Flávio Bolsonaro

Felipe Nunes e Flávio Bolsonaro
Crédito: Divulgação | Andressa Anholete/Agência Senado

O diretor da Quaest, Felipe Nunes, avaliou que a nova rodada da pesquisa Genial/Quaest expõe uma “fragilidade” da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Em postagem no X nesta quarta-feira (15), o cientista político citou o conflito com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o recuo do senador na intenção espontânea de voto e a ampliação da vantagem do presidente Lula (PT) como sinais das dificuldades enfrentadas pela campanha do PL.

A análise de Nunes foi publicada após a divulgação do levantamento nacional que mostra Lula com saldo positivo de aprovação pela primeira vez desde dezembro de 2024. A aprovação do trabalho do presidente chegou a 48%, enquanto a desaprovação ficou em 47%. Outros 5% não souberam ou não responderam. Os dois índices estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro da pesquisa.



“Essa fragilidade da campanha de Flávio pode ser justificada por alguns fatores”, escreveu Felipe Nunes. Para o diretor da Quaest, um dos elementos mais importantes foi o desentendimento público entre Flávio e Michelle Bolsonaro, episódio que chegou ao conhecimento de 49% dos entrevistados.

⦿ Lula avança e Flávio recua na pesquisa espontânea

Na intenção espontânea de voto, quando os entrevistados não recebem uma lista de candidatos, Lula avançou três pontos e chegou a 26%. Flávio Bolsonaro perdeu três pontos e caiu para 14%.

A parcela de eleitores que ainda não escolheu espontaneamente um candidato continua majoritária, mas recuou para 54%. Na rodada anterior, os indecisos representavam 56%.

Jair Bolsonaro foi citado espontaneamente por 1% dos entrevistados. Os demais nomes, somados, chegaram a 5%, dois pontos acima do levantamento anterior. A série apresentada pela Quaest mostra Lula se distanciando de Flávio também nesse modelo de pergunta: a diferença entre os dois passou de seis pontos em abril para 12 pontos em julho.

⦿ Lula abre 12 pontos no primeiro turno

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, contra 28% de Flávio Bolsonaro. O presidente avançou um ponto desde junho, enquanto o senador recuou também um ponto, ampliando a distância de dez para 12 pontos.



Ronaldo Caiado marca 4%, Renan Santos tem 3% e Romeu Zema aparece com 2%. Cabo Daciolo, Augusto Cury, Joaquim Barbosa e Samara Martins registram 1% cada.

Os indecisos representam 11% do eleitorado. Outros 8% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam às urnas.

O desempenho de Flávio é sustentado principalmente pelo eleitorado ideologicamente identificado com o bolsonarismo. Nesse grupo, o senador registra 91% no primeiro turno. Entre os eleitores de direita que não se consideram bolsonaristas, ele tem 53%.

A dificuldade aparece fora desse campo. Entre os independentes, Flávio marca 15%, contra 30% de Lula. Os indecisos e os que declaram voto branco, nulo ou ausência somam 34% nesse segmento.

⦿ Vantagem de Lula sobe para oito pontos no segundo turno

Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 45%, contra 37% do senador. A vantagem de oito pontos cresceu dois pontos em relação à rodada anterior, quando o placar era de 44% a 38%.

A parcela que votaria em branco, anularia ou não compareceria chega a 14%, enquanto 4% permanecem indecisos. Flávio havia chegado a aparecer numericamente à frente de Lula em abril, com 42% contra 40%, mas perdeu terreno nas três rodadas seguintes.

“Mesmo com esse desgaste, nenhum outro nome aparece mais competitivo que Flávio contra Lula”, afirmou Felipe Nunes.

A pesquisa confirma essa avaliação. Contra Ronaldo Caiado, Lula venceria por 45% a 36%, uma vantagem de nove pontos. Diante de Romeu Zema, o placar seria de 45% a 35%. Em uma disputa contra Renan Santos, o presidente teria 45%, ante 33% do candidato do Missão.

⦿ Conflito com Michelle atingiu a base bolsonarista

Felipe Nunes apontou o conflito com Michelle Bolsonaro como um dos principais componentes do desgaste de Flávio. A pesquisa mostra que 49% dos brasileiros tomaram conhecimento dos vídeos nos quais a ex-primeira-dama criticou o senador e as alianças políticas do partido. Outros 51% não sabiam do episódio.

O vídeo gravado por Flávio pedindo desculpas a Michelle teve repercussão menor: 33% disseram conhecê-lo, enquanto 67% afirmaram não ter tomado conhecimento.

Na avaliação geral, 45% consideraram que Michelle acertou ao tornar público o desentendimento, enquanto 38% disseram que ela errou. Outros 17% não souberam responder.

O dado alcança inclusive setores que formam a base eleitoral potencial de Flávio. Entre os eleitores de direita não bolsonarista, 35% consideram que Michelle agiu corretamente. No grupo bolsonarista, o índice chega a 20%.

Além disso, 58% dos entrevistados consideram as declarações de Michelle totalmente ou parcialmente verdadeiras. Apenas 16% as classificam como totalmente falsas, enquanto 26% não souberam responder.

⦿ Participação de Michelle é valorizada pela direita

A pesquisa perguntou ainda se a participação direta de Michelle Bolsonaro aumentaria as chances de vitória de Flávio. No conjunto da população, 38% responderam que sim, enquanto 47% disseram que a presença da ex-primeira-dama não produziria esse efeito.

Entre os eleitores de direita não bolsonarista, porém, 53% consideram que Michelle ajudaria a campanha. No grupo bolsonarista, 45% afirmam que sua participação ampliaria as chances de vitória do senador.

Para Nunes, os números revelam que o conflito atingiu um ativo eleitoral considerado importante dentro da própria direita. Segundo ele, uma parcela expressiva desses eleitores atribui boa intenção a Michelle ao criticar alianças políticas do PL e reagir ao que teria considerado ataques ou desrespeitos.

Questionados sobre com quem concordavam mais no desentendimento, 42% dos brasileiros escolheram Michelle, enquanto 18% ficaram ao lado de Flávio. Outros 22% disseram não concordar com nenhum dos dois, 3% concordaram parcialmente com ambos e 15% não responderam.

Mesmo entre os bolsonaristas, Flávio não recebeu apoio unânime: 53% concordaram mais com o senador, 19% com Michelle e 9% com nenhum dos dois.

⦿ Imagem de moderação perde força

Outro indicador citado por Felipe Nunes foi a percepção de que Flávio Bolsonaro seria mais moderado do que o restante de sua família. O percentual dos que concordam com essa afirmação caiu de 39% em maio para 33% em junho e 29% em julho.

Ao mesmo tempo, a parcela que não considera Flávio mais moderado subiu de 47% para 54% no mesmo período. Outros 17% não souberam responder.

A perda dessa imagem pode dificultar a tentativa de Flávio de ampliar sua candidatura para além do eleitorado bolsonarista mais fiel, especialmente entre os independentes e os eleitores de centro.

O senador também enfrenta a maior rejeição entre os principais nomes analisados pela Quaest. Segundo a pesquisa, 57% afirmam conhecer Flávio, mas descartam votar nele. Seu potencial de voto é de 38%.

Lula apresenta rejeição de 50% e potencial de voto de 47%. Ronaldo Caiado é rejeitado por 34%, enquanto Romeu Zema tem 31%. A comparação, contudo, é afetada pelo grau de conhecimento dos candidatos.

⦿ Desconhecimento impede avanço de alternativas

Na avaliação de Felipe Nunes, a dificuldade para o surgimento de um adversário mais competitivo contra Lula está ligada principalmente ao desconhecimento dos demais candidatos.

A Quaest mostra que 44% dos entrevistados não sabem quem é Ronaldo Caiado. Romeu Zema é desconhecido por 50%, e Renan Santos, por 77%. Flávio Bolsonaro, em contraste, é desconhecido por apenas 5%.

O alto grau de conhecimento permite que Flávio concentre o eleitorado bolsonarista, mas também torna sua rejeição mais consolidada. Os demais candidatos possuem índices menores de resistência, porém ainda não alcançaram visibilidade suficiente para ameaçar sua posição como principal nome da direita na disputa.

“A campanha deve mudar esses números”, afirmou Nunes ao destacar que o cenário eleitoral ainda pode sofrer alterações com o aumento da exposição dos candidatos.

A Quaest ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 120 municípios, entre os dias 10 e 13 de julho. O nível de confiança é de 95%, e a margem de erro estimada é de dois pontos percentuais. Encomendada pela Genial Investimentos, a pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07181/2026.

Fonte: Brasil 247


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