O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), voltou a defender seu “não posicionamento” no segundo turno da eleição presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O gaúcho afirmou que irá escolher um dos candidatos como eleitor, mas não tornará público o voto nem recomendará uma opção aos seus apoiadores.
“Eu não me omiti nunca na minha vida pública e, neste processo eleitoral, eu participei ativamente. Eu inclusive me dispus a ser candidato a presidente”, afirmou Leite. Segundo ele, nenhuma das candidaturas representa sua visão política.
“Eu vou dar meu voto como eleitor. Como liderança política, eu não ouso apontar para um ou para outro como melhor, porque considero dois caminhos ruins para o país”, declarou. A decisão ocorre após anos de aproximações e afastamentos em relação ao bolsonarismo e depois de uma intensa relação institucional com o governo Lula durante a reconstrução do estado após as enchentes de 2024.
Leite também citou o debate entre Lula e Flávio na Band para justificar sua posição. Classificou o confronto como “grotesco” e criticou os ataques pessoais, afirmando esperar discussões sobre crescimento econômico, situação fiscal e segurança pública.
A neutralidade repete uma postura adotada por Leite em 2022, quando também se recusou a escolher publicamente entre Lula e Jair Bolsonaro. A relação com o bolsonarismo, porém, teve outro capítulo quatro anos antes: em 2018, Leite declarou voto em Bolsonaro no segundo turno. O governador passou posteriormente a fazer uma distinção entre ter declarado voto e ter apoiado ou feito campanha pelo então candidato.
A relação política mudou durante o governo Bolsonaro, especialmente na pandemia, embora Leite tenha mantido canais com Brasília. Já durante o terceiro mandato de Lula, a convivência institucional ganhou peso diante da maior tragédia climática da história recente do Rio Grande do Sul.
Ajuda federal após as enchentes
Quando as enchentes de 2024 devastaram centenas de municípios gaúchos, o governo Lula adotou uma série de medidas emergenciais e de reconstrução. Em maio daquele ano, a União abriu crédito extraordinário de R$ 12,1 bilhões e informou que o conjunto de ações já disponibilizado para o estado superava R$ 60 bilhões. Entre as medidas estavam recursos para saúde, infraestrutura, assistência social, empresas e famílias atingidas.
O governo também criou o Auxílio Reconstrução, de R$ 5.100 por família desabrigada ou desalojada, e propôs a suspensão por três anos do pagamento da dívida do Rio Grande do Sul com a União. A medida, aprovada pelo Congresso e sancionada por Lula, abriu espaço fiscal estimado pelo governo gaúcho em aproximadamente R$ 11,7 bilhões até abril de 2027, além da redução dos juros durante o período.
Em setembro de 2024, Lula e Leite ainda assinaram um compromisso de cooperação para manter a reconstrução e executar obras de proteção contra novos eventos climáticos. Naquele período, o governo federal informava ter disponibilizado R$ 97,8 bilhões em diferentes medidas relacionadas à crise, dos quais R$ 40,2 bilhões já haviam sido executados.
A relação não foi livre de atritos. Leite reconheceu que o estado “teve apoio” e agradeceu a atuação federal, mas também reclamou de burocracia e de um “descompasso” entre valores anunciados e recursos que efetivamente chegavam aos beneficiários.
Agora, diante da disputa entre Lula e Flávio, o governador diz não enxergar uma candidatura que reúna os valores que considera necessários. “Parece que a escolha será entre não permitir retrocessos civilizatórios ou garantir avanços econômicos. Não, não podem ser alternativas”, afirmou, sem associar explicitamente cada uma dessas avaliações a um dos dois candidatos.
Leite sustenta que sua posição tem como objetivo preservar um projeto político fora da polarização. “Como liderança política, eu vou preservar a minha manifestação para que a gente possa, ali na frente, novamente reunir forças e tentar superar essa polarização radicalizada que o Brasil está vivendo”, concluiu.
Fonte: DCM

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