terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tebet prevê ‘Lula 4’ com frente ampla e mais espaço para aliados além do PT

 Simone Tebet afirma que o presidente entendeu o recado das ruas e defende nova articulação com o Congresso

     Simone Tebet  - Crédito: Divulgação

 Simone Tebet (PSB) afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) compreendeu o “recado das ruas” após a mobilização popular no segundo turno das eleições e deverá conduzir um governo mais aberto a aliados de outras legendas. Em entrevista à GloboNews, nesta terça-feira (27), ela avaliou que o quarto mandato de Lula exigirá uma frente ampla, com espaço para siglas além do Partido dos Trabalhadores (PT).

“Eu acredito que vai ser um governo diferente em todos os aspectos. Difícil, nós não teremos maioria, com todas as dificuldades, dificuldades econômicas, mas acho que virá um Lula 4 com uma frente ampla valorizando os companheiros, independentemente de serem do Partido dos Trabalhadores ou não”, afirmou.

Tebet relatou que acompanhou Lula na reta final da campanha e que o presidente ficou surpreso com a dimensão da mobilização popular. Segundo ela, a reação do petista ficou evidente no dia da votação.

“O presidente estava absolutamente impactado. Ele estava tão impactado que, no dia seguinte, quando nós fomos votar, eu fui votar com ele, ele chegou e disse exatamente isso: ‘As ruas falaram’”, contou.


⦾ Tebet defende nova articulação com o Congresso

Na avaliação de Tebet, o próximo mandato exigirá mudanças na relação entre o Executivo e o Congresso Nacional. Ela questionou a eficácia do modelo de articulação baseado na distribuição de ministérios a partidos aliados, argumentando que a participação de uma legenda no governo não garante o apoio de todos os seus parlamentares.

“Fechar com partido não significa levar também o apoio individual dos parlamentares desse mesmo partido”, disse.

Tebet também apontou o enfraquecimento do Centrão nas eleições como uma oportunidade para reorganizar as relações entre o governo e os partidos de centro. Embora Lula deva enfrentar um Congresso com maior presença da oposição, ela avalia que essas legendas também precisarão recuperar espaço político.

Para ela, fortalecer os partidos de centro e da direita democrática pode contribuir para a governabilidade e reduzir a influência do bolsonarismo.

“A forma de nós realmente enterrarmos o bolsonarismo e a extrema-direita no país é voltando a fortalecer e dando força aos partidos de centro, seja o MDB, o PSDB, o PSD, seja aqueles que a gente inclui como Centrão”, declarou.

⦾ Revisão de gastos e críticas às emendas parlamentares

Durante a entrevista, Tebet defendeu uma revisão das despesas públicas, mas ponderou que o ajuste fiscal não deve comprometer os direitos sociais. Para ela, o governo precisa combater desperdícios, privilégios e corrupção, além de rever prioridades para ampliar os investimentos em áreas essenciais.

“Eu sempre digo que o Brasil cabe no orçamento brasileiro”, afirmou. Tebet também criticou o volume de recursos destinados às emendas parlamentares, que, segundo ela, chega a R$ 60 bilhões.

“O problema é que a gente tem que lidar, além dos problemas reais da vida das pessoas, com desperdícios, com privilégios, com corrupção e com emendas parlamentares bilionárias”, disse.

⦾ Senado será o principal desafio para Lula

Tebet apontou a composição do Senado Federal como um dos principais obstáculos para a governabilidade no próximo mandato, diante do avanço da oposição e da ausência de uma maioria governista na Casa.

“O Senado é hoje […] o calcanhar de Aquiles do governo, porque nós não temos maioria absoluta, aliás, estamos longe de ter sequer maioria”, afirmou.

Segundo ela, a composição mais conservadora do Congresso exigirá maior capacidade de articulação política e atuação dos ministros para impedir retrocessos nos direitos sociais.

Apesar das dificuldades, ela defendeu que o Senado assuma a responsabilidade de discutir reformas estruturais, especialmente a reforma política. A discussão, segundo Tebet, deve abranger mudanças no Legislativo e no Judiciário.

Entre as propostas mencionadas está a possibilidade de estabelecer mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com regras para entrada e saída da Corte e definição de idade mínima.

⦾ Tebet atribui derrota de Flávio Bolsonaro à arrogância

Ao comentar a derrota de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais, Tebet atribuiu o resultado à postura do candidato e de sua equipe durante a campanha. Em sua avaliação, o desempenho no primeiro turno alimentou o excesso de confiança, enquanto eleitores contrários ao candidato se mobilizaram na etapa final da disputa.

“A arrogância, ela precedeu a derrota”, afirmou. Tebet também acusou o grupo político de Flávio Bolsonaro de apresentar características fascistas. “A arrogância não só levou o Flávio e a sua equipe à inércia, mas a mostrar o verdadeiro DNA fascista daquela turma”, declarou.

Ela citou declarações de Flávio Bolsonaro que considerou discriminatórias, entre elas referências à deficiência física de Lula e comentários sobre a idade do presidente. Para ela, essas falas contribuíram para afastar eleitores do candidato.

Tebet também atribuiu importância à mobilização de jovens e idosos no segundo turno. Segundo a senadora, diferentes gerações se uniram em torno de preocupações com o futuro do país e a preservação de direitos.

Fonte: Brasil 247 com informações da GloboNews por meio de entrevista

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