quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Santiago Caputo, braço direito de Milei, comandou operação de fuga de Flávio Bolsonaro

 Santiago Caputo esteve em Foz do Iguaçu e teria coordenado, nos bastidores, a operação que contou com apoio do Estado argentino

Santiago Caputo - Crédito: Reuters/Matias Baglietto

O principal estrategista político do presidente argentino Javier Milei, Santiago Caputo, teria participado pessoalmente da operação que permitiu ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família deixar o Brasil pela Argentina, em um voo com destino aos Estados Unidos e escala no Equador. Apesar de não ocupar um cargo formal na Casa Rosada, Caputo exerce grande influência sobre setores estratégicos do governo argentino e teria coordenado o deslocamento a partir da região da tríplice fronteira. As informações são do UOL.

Caputo viajou até Puerto Iguazú, na Argentina, onde se hospedou em um hotel, e depois se deslocou até Foz do Iguaçu, no Paraná. O senador e seus familiares permaneceram na cidade brasileira por mais de 24 horas antes de atravessar a fronteira para embarcar em um aeroporto argentino.

A apuração aponta que o assessor de Milei acompanhou a operação destinada a transportar a família Bolsonaro até os Estados Unidos. A movimentação teria contado com a participação de estruturas do Estado argentino, incluindo agentes de segurança aeroportuária e órgãos ligados à aviação civil.

Um dos principais indícios dessa participação foi a escolta realizada pela Polícia de Segurança Aeroportuária argentina (PSA). De acordo com o relato, uma van da empresa Dallas Tour transportou os familiares de Flávio Bolsonaro de Foz do Iguaçu até Puerto Iguazú. Depois de ingressar em território argentino, o veículo passou a ser acompanhado por integrantes da PSA.

Embora não exista confirmação de que Caputo estivesse dentro da van, as fontes consultadas pela coluna consideram essa possibilidade a mais provável. A presença de agentes de segurança argentinos no deslocamento também reforça as suspeitas de que a operação tenha recebido apoio de autoridades do governo Milei.


☉ Operação foi mantida em segredo até de aliados de Caputo

A participação do estrategista teria sido organizada de maneira reservada, sem conhecimento de parte de seus próprios aliados políticos. Segundo a apuração, pessoas próximas a Caputo desconheciam os preparativos para a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.

Enquanto a operação era executada na região de fronteira, o assessor permaneceu praticamente em silêncio nas redes sociais. Suas poucas manifestações públicas foram direcionadas a críticas à imprensa internacional e às informações divulgadas sobre a situação do senador brasileiro.

Em uma publicação enigmática, Caputo fez referência ao que chamou de “o grande truque”, expressão associada ao filme de 2006 estrelado, entre outros atores, por Michael Caine. A mensagem foi interpretada no contexto das movimentações que permitiram a saída da família Bolsonaro pelo território argentino.

A atuação direta de Caputo chama atenção porque ele é considerado um dos três personagens mais influentes da administração Milei, ao lado do próprio presidente e de Karina Milei, irmã do chefe do Executivo e responsável pela Secretaria-Geral da Presidência.

Caputo foi um dos principais responsáveis pela estratégia eleitoral que levou Javier Milei à Presidência em 2023. Desde então, ampliou sua influência sobre a administração pública argentina, mesmo sem assumir formalmente uma função no primeiro escalão.

☉ Influência sobre órgãos de inteligência e aviação

A capacidade de articulação de Santiago Caputo dentro do Estado argentino é apontada como um elemento central para compreender a operação envolvendo Flávio Bolsonaro.

Depois da vitória de Milei nas eleições presidenciais, o estrategista conseguiu ampliar a presença de seus aliados em diferentes instituições públicas. Entre os organismos mencionados pelas fontes argentinas estão a Agência Federal de Inteligência (AFI), a ARCA, equivalente à Receita Federal brasileira, e a estatal petrolífera YPF.

Com o aval do presidente, Caputo teria influenciado nomeações para postos estratégicos dessas instituições, consolidando uma rede de colaboradores com acesso a estruturas administrativas e recursos públicos.

Segundo as fontes consultadas, a Agência Nacional de Aviação Civil argentina (Anac) também estaria sob sua influência. O órgão teria desempenhado um papel importante nos procedimentos relacionados à saída de Flávio Bolsonaro pelo aeroporto de Puerto Iguazú.

A participação da Anac, somada à atuação da Polícia de Segurança Aeroportuária, é apresentada pela apuração como um indício de que o deslocamento da família Bolsonaro não teria sido apenas uma iniciativa privada, mas uma operação com envolvimento de setores do Estado argentino.

Outro ponto destacado é a influência de Caputo sobre a inteligência argentina. O estrategista teria convencido Milei a ampliar os recursos reservados da AFI, destinados a atividades sigilosas e submetidos a mecanismos específicos de controle e prestação de contas.

A ampliação desses recursos fortaleceu a capacidade de atuação da agência e aumentou o peso político de Caputo sobre uma das estruturas mais sensíveis do governo argentino.

☉ Protagonismo expõe disputa de poder na Casa Rosada

A participação de Santiago Caputo na operação também ganha relevância diante das disputas internas no governo Milei.

O estrategista mantém uma relação marcada por tensões e divergências com Karina Milei, que exerce influência direta sobre as decisões políticas e administrativas do irmão. Ambos disputam espaço na definição de estratégias e no controle de áreas importantes do governo.

Conhecido entre aliados pelo apelido associado ao grupo dos “Peaky Blinders”, em referência à série de televisão, Caputo construiu uma posição de poder baseada na proximidade com o presidente e na capacidade de influenciar decisões sem precisar ocupar um cargo formal.

De acordo com a avaliação apresentada na reportagem original, seu protagonismo na operação envolvendo Flávio Bolsonaro indica que o estrategista atravessa um momento de fortalecimento dentro da Casa Rosada.

A articulação, realizada longe de Buenos Aires e mantida em sigilo até mesmo entre integrantes de seu círculo político, demonstraria a autonomia de Caputo para mobilizar contatos e estruturas estatais em iniciativas consideradas sensíveis.

☉ Saída de Flávio Bolsonaro pela Argentina amplia dimensão política do caso

O deslocamento do senador brasileiro e de sua família pela fronteira entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú colocou a relação entre os governos argentino e brasileiro no centro de um episódio de repercussão política.

Conforme as informações relatadas, Flávio Bolsonaro permaneceu com seus familiares por mais de um dia em Foz do Iguaçu antes de seguir para o lado argentino. A viagem aos Estados Unidos foi realizada a partir do aeroporto de Puerto Iguazú, com escala no Equador.

O envolvimento atribuído a Santiago Caputo acrescenta uma dimensão política ao episódio, uma vez que o assessor é um dos principais responsáveis pela sustentação estratégica do governo Milei e possui influência sobre órgãos diretamente relacionados à operação.

Ainda não há, nas informações apresentadas, confirmação documental da presença de Caputo na van que transportou a família Bolsonaro, nem detalhamento das ordens eventualmente transmitidas aos agentes argentinos envolvidos no deslocamento.

Fonte: Brasil 247 com informações do UOL

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