terça-feira, 20 de outubro de 2026

PM´s em SP presenciam bolsonarista socar mulher em metrô e liberam homem sem ao menos pegar identificação

 Empresário bolsonarista Diogo Freire desferiu três socos contra uma mulher que usava uma camiseta vermelha

Bolsonarista Diogo Freire deu três socos em mulher que usava camisa vermelha, policiais viram e o liberaram sem nem perguntar o nome deleCrédito: Bolsonarista Diogo Freire deu três socos em mulher que usava camisa vermelha, policiais viram e o liberaram sem nem
perguntar o nome dele

Dois policiais militares presenciaram uma agressão contra uma mulher na entrada da estação Butantã do Metrô, na zona oeste de São Paulo, mas liberaram o suspeito sem sequer identificá-lo ou encaminhá-lo à delegacia. O episódio ocorreu no domingo (18), quando o empresário bolsonarista Diogo Freire desferiu três socos contra uma mulher que usava uma camiseta vermelha. Apesar da presença dos agentes, o agressor deixou o local sem ser detido.

Segundo informações publicadas pelo jornalista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, os policiais estavam próximos ao local da violência e chegaram a intervir para separar os envolvidos. As imagens registradas por uma testemunha mostram a atuação dos agentes, que não conduziram o agressor à delegacia nem colheram seus dados pessoais. A identificação de Freire só foi possível posteriormente, depois que o vídeo circulou nas redes sociais e uma fonte da coluna reconheceu o empresário.

O caso levanta questionamentos sobre a conduta dos policiais militares diante de uma agressão física presenciada pelos próprios agentes. Mesmo após os três socos, a vítima não recebeu, naquele momento, o encaminhamento necessário para o registro da ocorrência, segundo seus representantes legais.

Os advogados Leandro Raca e Miguel Fragelli, responsáveis pela defesa da mulher, criticaram a atuação policial e afirmaram que os agentes deixaram de adotar providências fundamentais para proteger a vítima e responsabilizar o agressor.

“A atuação do policial militar na estação Butantã deveria ter sido mais efetiva na proteção e no acolhimento da vítima, agredida com três socos sem reagir. O policial não prestou o suporte necessário para o registro da ocorrência nem realizou uma intervenção que resultasse na prisão em flagrante do agressor. Confiamos no trabalho das forças de segurança para que, agora, o caso seja devidamente apurado e as medidas cabíveis sejam adotadas”, afirmaram os advogados em nota.


☉ Vítima procurou delegacia após agressão

A violência ocorreu depois que Freire e sua esposa, que retornavam de uma manifestação favorável ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), começaram a dirigir ofensas a uma mulher que aguardava um carro de aplicativo nas proximidades da estação.

Conforme o boletim de ocorrência, a mulher se aproximou do casal depois das provocações e foi atingida por três socos. Ela não reagiu fisicamente aos golpes.

Sem que o agressor tivesse sido conduzido pelos policiais, a vítima procurou posteriormente o 14º Distrito Policial, onde registrou uma ocorrência por injúria e lesão corporal. Também foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) e passou por atendimento hospitalar para a realização de exames.

O empresário apresentou à coluna do Metrópoles uma versão diferente da relatada pela vítima e pelas testemunhas. Freire alegou ter sido provocado e afirmou que não percebeu que a pessoa agredida era uma mulher. O jornalista responsável pela reportagem contestou a plausibilidade dessa explicação após examinar fotografias da vítima.

A reportagem também revelou que, na semana anterior ao episódio no Metrô, a Justiça havia determinado medidas protetivas em favor de outra mulher que teria sido ameaçada de morte pelo empresário.

☉ Secretaria de Segurança Pública admite apuração da conduta policial

Após ser questionada sobre a liberação do suspeito, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que foi instaurada uma investigação preliminar para examinar a atuação dos policiais militares envolvidos na ocorrência.

A pasta declarou que “eventuais desvios de conduta serão responsabilizados” e indicou a Corregedoria da Polícia Militar como um dos canais disponíveis para apresentação de denúncias.

A secretaria também esclareceu que “depoimentos espontâneos podem ser feitos no âmbito do Inquérito Policial”, permitindo que testemunhas contribuam para a apuração das circunstâncias da agressão e da atuação dos agentes.

A Motiva, concessionária responsável pela operação da Linha 4-Amarela do Metrô, afirmou que seus funcionários de segurança não intervieram diretamente porque a situação já estava sob responsabilidade da Polícia Militar.

“Como parte do planejamento preventivo para as manifestações deste domingo (18), a concessionária acionou proativamente a Polícia Militar para reforço da segurança nas estações. Portanto, os policiais já estavam na estação no momento da ocorrência em área livre da estação e atuaram na contenção da situação”, informou a empresa.

A concessionária acrescentou que “a contenção foi realizada prontamente pela Polícia Militar, que já estava no local e assumiu a ocorrência”.

A explicação confirma que os policiais estavam posicionados na estação em razão do esquema especial de segurança organizado para as manifestações políticas daquele domingo.

A investigação preliminar deverá examinar se houve omissão ou descumprimento dos procedimentos policiais durante a ocorrência. O caso também é objeto de investigação criminal, após o registro da denúncia da vítima por lesão corporal e injúria.

Fonte: Brasil 247

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