Nelson José Vigolo, investigado na Operação Faroeste, é o segundo maior financiador da campanha do senador no segundo turno das eleições
O empresário Nelson José Vigolo, proprietário do Grupo Bom Jesus Agropecuária e denunciado por suspeita de envolvimento em um esquema de compra de decisões judiciais, destinou R$ 1,1 milhão à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). O valor coloca o empresário entre os principais financiadores privados do candidato no segundo turno das eleições de 2026. As informações foram divulgadas pelo jornalista Lauro Jardim, em sua coluna no jornal O Globo.
Flávio Bolsonaro arrecadou R$ 20,3 milhões em doações privadas para a disputa do segundo turno. Desse montante, aproximadamente 5,4% vieram de Vigolo, que aparece como o segundo maior doador individual da campanha.
Conhecido como “barão do agro”, o empresário atua no setor agropecuário em Rondonópolis, no Mato Grosso, e figura entre os denunciados no âmbito da Operação Faroeste, investigação que revelou suspeitas de corrupção e comercialização de decisões judiciais envolvendo disputas fundiárias na Bahia.
Em 2021, Vigolo foi denunciado pelo Ministério Público da Bahia sob a acusação de integrar um esquema de venda de sentenças relacionadas à grilagem de terras. As investigações apontaram suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro em uma estrutura que teria sido organizada para proteger interesses econômicos de grupos envolvidos em disputas pela propriedade de terras.
De acordo com a denúncia, o esquema teria incluído a negociação de um pagamento de R$ 1 milhão a um magistrado para que ele se declarasse suspeito em processos de interesse do Grupo Bom Jesus. A medida teria como objetivo afastar o juiz dos casos e impedir que fossem proferidas decisões desfavoráveis ao grupo empresarial.
A investigação também alcançou outros envolvidos, suspeitos de participar de uma organização destinada a interferir no andamento de processos judiciais relacionados a propriedades rurais.
Um dos desdobramentos do caso foi a celebração de um acordo de colaboração premiada por Vigolo. Conforme informações divulgadas na época e recuperadas pela coluna de Lauro Jardim, o empresário teria assumido o compromisso de devolver R$ 20 milhões no âmbito do acordo.
Além das suspeitas relacionadas à Operação Faroeste, o Grupo Bom Jesus Agropecuária também enfrentou acusações de fraude bilionária em seu processo de recuperação judicial, iniciado em 2016. As denúncias acrescentaram novos questionamentos à trajetória empresarial de Vigolo, que agora aparece como um dos principais financiadores da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo
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