segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Lula aposta em aliança com Alcolumbre e Motta para segurar oposição no Congresso

 Articulação busca garantir a recondução dos líderes para manter o canal de diálogo com o Legislativo

Lula entre Davi Alcolumbre e Hugo Motta - Crédito: Ricardo Stuckert

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foca na relação de proximidade com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), como principal estratégia para refrear a oposição no Parlamento e assegurar a votação dos projetos governistas no próximo mandato, informa o jornal O Globo.

A avaliação do Planalto ocorre após o avanço do PL nas duas Casas legislativas no pleito recente. Diante do cenário de minoria da esquerda, Lula abordou a composição do Congresso em seu discurso pós-eleição: “já tem gente falando ‘o Lula vai ter muita dificuldade para governar porque o Congresso está mais conservador’. Eu não escolhi o Congresso. Foi o povo que escolheu. E é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, disse.


Tanto Motta quanto Alcolumbre acompanharam a contagem dos votos em Brasília e se pronunciaram publicamente para confirmar o resultado das urnas. Interlocutores do Executivo apontam que a nova conjuntura exige diálogo com os partidos do centrão, ainda que cobrem fidelidade nas votações daquelas siglas que ocupam ministérios na Esplanada.

A prioridade da articulação política do governo é atuar pela recondução da dupla aos comandos da Câmara e do Senado em fevereiro. Nas semanas anteriores, Motta e Alcolumbre impulsionaram pautas de apelo eleitoral desejadas pela gestão federal. O Palácio do Planalto prevê usar prerrogativas da Presidência para respaldar os aliados, enquanto as próprias cúpulas da Câmara e do Senado dispõem de barganhas como vagas na Mesa Diretora, postos em comissões, relatorias de matérias relevantes, distribuição de emendas, gabinetes e apartamentos funcionais.

A disputa no Senado, contudo, apresenta maior complexidade. A bancada do PL subiu para 28 senadores e parlamentares alinhados ao bolsonarismo priorizam pautas contra o Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo solicitações de impeachment de ministros da Corte. Nomes eleitos pela direita, como Guilherme Derrite (PP-SP), André do Prado (PL-SP), Marcel Van Hattem (Novo-RS), Deltan Dallagnol (Novo-PR) e Evair de Melo (Republicanos-ES), rejeitam alianças com o atual presidente da Casa. O PL já confirmou candidatura própria, tendo o senador Rogério Marinho (PL-RN) como nome mais cotado, além do interesse manifestado pela ex-ministra Tereza Cristina (PP-MS).

Por outro lado, apoiadores de Alcolumbre confiam em sua rede própria de contatos e no diálogo com congressistas do próprio PL para viabilizar a vitória. O senador havia se distanciado de Lula após o Planalto atribuir a ele a articulação da derrota da indicação de Jorge Messias ao STF, ficando cerca de três meses sem contato direto até a retomada em agosto.

Já Hugo Motta buscou aproximação com o Executivo no período de afastamento de Alcolumbre, tentando viabilizar a eleição ao Senado de seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB). Embora Wanderley não tenha recebido o apoio oficial de Lula e tenha sido derrotado, Motta conservou o trânsito com o Planalto e deve opinar sobre nomeações na Esplanada.

Na Câmara, onde as forças são mais pulverizadas, Motta tenta conter a investida do PL para assumir a presidência da Casa. Na última semana, ele reuniu indicativos de apoio de 13 legendas: PP, União Brasil, Republicanos, PSD, MDB, PSDB, Cidadania, Podemos, Solidariedade, PRD, Avante, PSB e PDT. O PT também prevê formalizar o respaldo à sua recondução nos próximos dias. Para evitar a divisão do centrão, Motta neutroalizou uma candidatura do PSD ao obter a adesão do líder Antonio Brito. Ainda assim, por se tratar de votação secreta, aliados mantêm a cautela sobre a confirmação de todos os votos na eleição interna.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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