domingo, 25 de outubro de 2026

Falta de ônibus provoca crise eleitoral e Lula denuncia “banditismo” de prefeitos

 Problemas no transporte público em São Paulo e Salvador provocam intervenção da Justiça Eleitoral; na capital baiana, tribunal determina prisão de secretário municipal

Presidente Lula denuncia dificuldades no transporte público durante o segundo turno das eleições, enquanto Justiça Eleitoral intervém em Salvador e cobra cumprimento de medidas para garantir o deslocamento dos eleitores
Crédito: Reprodução

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) denunciou neste domingo (25), dia do segundo turno das eleições presidenciais, as dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar aos locais de votação devido à falta de ônibus em grandes cidades brasileiras. O petista classificou a situação como “banditismo” e acusou gestores municipais de prejudicar o deslocamento da população em um momento decisivo para o processo eleitoral.

Segundo reportagem do UOL, as denúncias de problemas no transporte coletivo ganharam força em São Paulo e Salvador, provocando disputas judiciais, pedidos de responsabilização de autoridades municipais e medidas da Justiça Eleitoral para assegurar o funcionamento dos serviços. Na capital baiana, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza.

A gravidade das denúncias levou Lula a se manifestar publicamente. Em conversa com jornalistas, o presidente condenou as dificuldades impostas aos eleitores e dirigiu críticas a prefeitos, governadores e empresários.

“Desta vez, está acontecendo uma coisa abominável [..] Não vamos permitir que haja roubalheira, banditismo e prefeito bandido. Não vamos aceitar banditismo, mau caratismo de prefeito, de governador e de empresário”, afirmou.

Lula também classificou a situação como “sacanagem”, em uma reação às denúncias de que a insuficiência de ônibus estaria comprometendo o acesso de eleitores às urnas.


⦾ Justiça Eleitoral determina prisão de secretário em Salvador

Na capital baiana, a crise no transporte público provocou uma reação da federação formada por PT, PCdoB e PV. Os partidos solicitaram ao TRE-BA a prisão em flagrante do prefeito Bruno Reis (União Brasil), além da aplicação de multa de R$ 1 milhão por hora ao chefe do Executivo municipal, ao secretário Pablo Souza e aos proprietários das empresas responsáveis pelo transporte coletivo.

A representação também pede a investigação de possíveis crimes eleitorais relacionados aos problemas registrados na circulação dos ônibus.

O TRE-BA determinou a prisão de Pablo Souza. A informação representa um agravamento da crise entre a administração municipal e a Justiça Eleitoral, diante das denúncias de dificuldades de deslocamento durante a votação.

A Prefeitura de Salvador, por sua vez, informou que a operação dos ônibus foi normalizada. Segundo a gestão municipal, a circulação chegou a ser suspensa no início da manhã em algumas garagens porque veículos teriam recebido adesivos de candidatos de maneira “clandestina”.

A explicação apresentada pela administração de Bruno Reis coloca a suposta colocação irregular de propaganda eleitoral nos coletivos como motivo para a interrupção parcial das operações. O relato, entretanto, não elimina a controvérsia sobre os efeitos da medida no deslocamento dos eleitores.

⦾ Prefeitura de São Paulo apresenta justificativa para operação dos ônibus

Em São Paulo, a administração municipal também foi cobrada em razão da oferta de transporte coletivo no segundo turno.

A Prefeitura informou, em nota divulgada neste domingo, que havia comunicado às empresas de ônibus da capital, ainda no sábado (24), a decisão judicial relacionada à operação do sistema durante a votação.

A SPTrans, responsável pela gestão do transporte municipal, afirmou que o planejamento da frota para o domingo seguiu “critérios técnicos e dados de demanda, considerando a organização das jornadas de trabalho e o direito à folga dos profissionais”.

A administração municipal também alegou que recebeu a demanda com “antecedência inferior a 12 horas”, argumento utilizado para justificar as dificuldades de adequação do serviço às determinações judiciais.

As explicações surgem em meio à controvérsia sobre a disponibilidade de veículos em um domingo de votação, quando o transporte público desempenha papel fundamental para eleitores que precisam percorrer longas distâncias até suas seções eleitorais.

⦾ Transporte público se torna foco de tensão no segundo turno

As ocorrências em São Paulo e Salvador colocaram o funcionamento dos sistemas municipais de ônibus no centro das discussões sobre as condições de acesso às urnas.

A situação é especialmente sensível para eleitores que dependem exclusivamente do transporte coletivo, uma vez que a redução da oferta de veículos pode dificultar ou prolongar o deslocamento até os locais de votação.

Na Bahia, a controvérsia avançou para pedidos de prisão, multas e investigação de possíveis crimes eleitorais. Em São Paulo, as justificativas apresentadas pela prefeitura e pela SPTrans passaram a integrar o debate sobre o cumprimento das determinações judiciais.

A reação de Lula acrescentou uma dimensão política nacional ao episódio. Ao utilizar expressões como “banditismo” e “mau caratismo”, o presidente demonstrou preocupação com a possibilidade de que dificuldades no transporte comprometam o exercício do direito ao voto.

As denúncias e as medidas judiciais reforçam a importância de garantir a circulação dos ônibus durante todo o período de votação, de maneira a preservar o acesso dos cidadãos às urnas. A eventual existência de responsabilidades administrativas ou eleitorais dependerá da apuração dos fatos pelas autoridades competentes.

Fonte: Brasil 247 com informações do UOL

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