Motivo é o favorecimento ao candidato do PL nas plataformas da Meta
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a anulação da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, devido ao favorecimento ao adversário por meio de manipulação algorítmica em suas plataformas.
A informação foi confirmada à agência AFP por uma fonte da equipe petista e publicada pelo jornal O Povo nesta terça-feira (20).
Segundo a reportagem, o pedido fará parte de uma medida judicial que questionará a atuação da empresa durante a disputa eleitoral. A Meta nega ter dado tratamento desigual aos candidatos, mas reconheceu problemas técnicos que provocaram, entre outros efeitos, a desativação de anúncios da campanha de Lula.
A iniciativa amplia a disputa judicial sobre o funcionamento das plataformas na reta final do segundo turno, marcado para 25 de outubro. As pesquisas mais recentes mencionadas na reportagem indicam empate técnico entre o presidente e o senador.
⦾ TSE cobra comprovação de tratamento igualitário
Na segunda-feira (19), o TSE concedeu à Meta um prazo de 24 horas para demonstrar que havia cumprido a determinação de assegurar tratamento igualitário às duas candidaturas. O tribunal considerou que a empresa ainda não havia adotado as providências exigidas na semana anterior e estabeleceu a possibilidade de multa diária de aproximadamente R$ 1 milhão.
Nesta terça-feira, a companhia afirmou ter atendido à ordem judicial. Uma fonte do tribunal também informou à AFP que representantes da Meta e advogados das duas campanhas tinham reunião prevista no TSE naquele dia.
As acusações da equipe de Lula se intensificaram depois do primeiro turno. A campanha sustenta que houve restrições ao alcance de seus conteúdos no Instagram e no WhatsApp e aponta diferenças no funcionamento da ferramenta de inteligência artificial da empresa.
Segundo a denúncia petista, o sistema se recusava a produzir conteúdo eleitoral relacionado a Lula, mas aceitava solicitações equivalentes envolvendo Flávio. A campanha apresenta esses episódios como indícios de interferência na disputa.
A Meta atribuiu os problemas reconhecidos a “incidentes” técnicos e afirmou que eles não ficaram restritos ao Brasil. A empresa contesta a acusação de favorecimento ao candidato do PL.
⦾ Órgão de supervisão aponta falhas
Entre as providências anunciadas, a Meta informou que somente candidatos e partidos registrados na Justiça Eleitoral poderiam veicular anúncios eleitorais em suas redes. A companhia também declarou ter retirado de circulação 720 publicações com conteúdo produzido por inteligência artificial sem a identificação exigida.
Separadamente, o Comitê de Supervisão, órgão que analisa de maneira independente decisões sobre conteúdos nas plataformas do grupo, afirmou nesta terça-feira ter identificado “falhas recorrentes” relacionadas às eleições presidenciais brasileiras e às eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos.
A manifestação do comitê acrescenta outro elemento ao debate sobre a atuação das plataformas. O relato fornecido, contudo, não apresenta uma conclusão do órgão sobre favorecimento a qualquer um dos candidatos brasileiros.
A campanha de Flávio também questionou a atuação da empresa. No sábado (17), acusou a equipe adversária de promover uma ofensiva de propaganda negativa com aprovação da Meta.
Fonte: Brasil 247
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