Integrantes da campanha e advogados afirmam desconhecer o plano de saída do país; Tarcísio evita comentar episódio e aliados apontam possível asilo nos EUA
Rogério Marinho e Tarcísio de Freitas afirmam que desconheciam os planos de fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos e tentam se distanciar do episódio - Crédito: Divulgação
A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos provocou perplexidade entre integrantes de sua campanha presidencial e desencadeou uma tentativa de afastamento político por parte de aliados próximos. Após a derrota eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dirigentes que participaram da campanha afirmam desconhecer os planos do senador e negam qualquer envolvimento na decisão de deixar o Brasil.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, publicada nesta terça-feira (27), cinco pessoas próximas a Flávio disseram que nunca imaginaram que o parlamentar deixaria o país, sobretudo depois de ele divulgar um vídeo no qual afirmava que “nunca pensou em sair do país” e prometia “organizar a oposição” ao governo Lula no Congresso Nacional.
A saída ocorreu menos de 24 horas depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o cancelamento dos passaportes brasileiro e italiano do senador, que também possui cidadania italiana. Flávio é investigado em duas ações criminais relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro e outros delitos envolvendo o Banco Master e desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
⦾ Rogério Marinho tentou contato antes do desaparecimento
Entre os últimos integrantes da campanha a conversar com Flávio Bolsonaro está o senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável pela coordenação política da candidatura presidencial derrotada.
De acordo com a reportagem, Marinho relatou a um auxiliar que entrou em contato com Flávio pelo WhatsApp na manhã desta terça-feira, por volta das 8h, para verificar se estava tudo bem. O senador respondeu que estava “esfriando a cabeça”.
Na sequência, Marinho questionou o aliado sobre notícias divulgadas pela imprensa argentina a respeito de sua saída do Brasil. Flávio, entretanto, interrompeu a conversa e não respondeu às perguntas seguintes.
No mesmo período, Fernanda Bolsonaro, esposa do senador, teria informado a outro interlocutor que estava deitada ao lado do marido. Os relatos contribuíram para aumentar a confusão entre integrantes do grupo político, que afirmavam desconhecer o paradeiro do ex-candidato.
⦾ Advogados alegam desconhecimento e podem deixar a defesa
A tentativa de distanciamento também alcançou a equipe jurídica de Flávio Bolsonaro. Advogados que atuam em sua defesa afirmam que a viagem ocorreu sem conhecimento ou participação dos profissionais responsáveis pelo acompanhamento de seus processos.
O clima entre os defensores, segundo a Folha, é de perplexidade. Na tarde de segunda-feira (26), Flávio teria participado de uma reunião na qual garantiu que compareceria a um encontro com a bancada do PL na semana seguinte.
Pessoas que acompanharam a pré-campanha e a disputa presidencial não descartam que os advogados eleitorais deixem a defesa do senador. Uma eventual decisão, contudo, exigiria cautela devido à utilização de recursos públicos para o pagamento dos honorários.
A situação jurídica de Flávio também deve sofrer alterações nos próximos meses. Com o encerramento de seu mandato como senador pelo Rio de Janeiro, em fevereiro, ele perderá o foro especial no Supremo Tribunal Federal.
⦾ Tarcísio evita comentar fuga e fala em novo projeto político
O afastamento não se limita à equipe de campanha. Senadores e governadores aliados, entre eles Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, também afirmaram a auxiliares que não tinham conhecimento dos planos de Flávio e que souberam da saída do país por meio da imprensa.
Poucas horas depois das primeiras notícias sobre a fuga, Tarcísio divulgou um vídeo nas redes sociais no qual tratou do futuro político da direita, mas evitou qualquer referência direta à situação do senador.
Na gravação, o governador afirmou que “a eleição acabou” e defendeu a construção de um “projeto de país”, indicando que pretende concentrar o discurso nas propostas políticas e econômicas após a derrota eleitoral.
“A eleição passou, mas não passou o desejo de ministérios com gente técnica e séria, de um governo que corte gastos e tire o peso dos impostos das costas do cidadão. De um país que não gaste mais com juros da dívida do que com saneamento básico saúde e educação”, declarou Tarcísio.
A ausência de comentários sobre a fuga ocorreu em meio aos esforços de integrantes do campo conservador para reorganizar suas estratégias após a vitória de Lula.
Outros dois aliados de Flávio informaram que consideraram encerradas suas participações na campanha ainda no domingo (25), dia do segundo turno. Segundo esses interlocutores, a derrota inesperada tornou necessário voltar as atenções para suas próprias trajetórias políticas.
⦾ Aliados afirmam que governo Trump concederá asilo a Flávio
A reportagem também aponta que o governo do presidente estadunidense Donald Trump estaria informado sobre a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e disposto a conceder asilo ao senador.
A informação foi atribuída pela Folha a aliados da família Bolsonaro que mantêm interlocução com autoridades estadunidenses. Segundo essas fontes, o parlamentar deverá chegar a Miami ou Dallas nas próximas horas.
Um integrante próximo ao clã Bolsonaro afirmou que o governo Trump teria participado diretamente da organização da saída do senador do território brasileiro. Essa suposta participação, entretanto, é apresentada como relato de um aliado, sem confirmação independente na reportagem.
Outra pessoa próxima à família contestou a versão de que Flávio teria utilizado a Argentina como rota para deixar o Brasil.
As informações contrastam com as reações registradas nas primeiras horas desta terça-feira, quando pessoas próximas ao senador ainda desconheciam seu paradeiro e chegaram a ironizar a hipótese de fuga para os Estados Unidos.
“Só se ele estiver louco” e “está vindo de foguete do Elon Musk” foram algumas das respostas dadas por interlocutores ao serem questionados sobre a possibilidade.
O episódio aprofunda o desgaste político do grupo bolsonarista depois da derrota presidencial. Além das investigações criminais, Flávio passa a enfrentar o distanciamento de integrantes de sua própria campanha, enquanto aliados procuram demonstrar que não participaram da decisão de deixar o país.
Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo por meio de reportagem
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