sexta-feira, 10 de julho de 2026

Lindbergh: bloqueio de bens de Valdemar “vai cair como uma bomba” na campanha de Flávio Bolsonaro

Deputado avalia que a decisão do ministro do STF Flávio Dino, que determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens do presidente do PL, terá forte impacto sobre a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro

      Lindbergh Farias – Valdemar Costa Neto – Flávio Bolsonaro
Crédito: Kayo Magalhães/Agência Câmara / REUTERS/Adriano Machado / Andressa Anholete/Agência Senado

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) reagiu nesta sexta-feira (10) à decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de bens do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, até o limite de R$ 119,2 milhões. A medida foi tomada no âmbito da investigação da Polícia Federal sobre supostas irregularidades na indicação de emendas parlamentares. Segundo o parlamentar, a decisão de Dino deverá ampliar o desgaste da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Em vídeo publicado no X, antigo Twitter, o parlamentar afirmou que o caso representa mais um escândalo envolvendo a cúpula da legenda bolsonarista. Segundo o deputado, a investigação demonstra que o dirigente teria atuado na destinação de emendas mesmo sem exercer mandato parlamentar. “Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, indicando e desviando emendas mesmo sem ser parlamentar. Um completo absurdo”, afirmou.

Lindbergh também destacou o bloqueio patrimonial determinado por Flávio Dino. Para ele, a decisão terá repercussão política. “O ministro Flávio Dino mandou bloquear R$ 119 milhões em bens do presidente do partido dos Bolsonaros. Mais um escândalo que vai cair como uma bomba na campanha do Flávio [senador Flávio Bolsonaro]”, disse.

Em seguida, o parlamentar voltou a criticar a direção do PL e relacionou o episódio a outras investigações envolvendo integrantes da legenda. “Escândalo, outro escândalo, pessoal. Falem um dia que não tenha um escândalo de corrupção envolvendo a cúpula do PL”, declarou.

Na sequência, Lindbergh retomou o argumento de que a indicação de emendas parlamentares é atribuição exclusiva de deputados e senadores. “Agora, Valdemar da Costa Neto, o ministro Flávio Dino manda bloquear 119 milhões de emendas parlamentares do presidente do PL! Agora eu te pergunto: ele era parlamentar? Não era.”

Investigação sobre as emendas

A decisão de Flávio Dino teve como base uma investigação da Polícia Federal que aponta o direcionamento irregular de pelo menos 21 emendas parlamentares, que somam R$ 119,2 milhões. Segundo a corporação, Valdemar Costa Neto teria participado da indicação desses recursos, embora não exerça mandato parlamentar.

A Polícia Federal sustenta que a indicação de emendas é competência exclusiva de deputados federais e senadores. Por isso, investiga a atuação do presidente do PL no caso.

Na decisão, Dino também cita elementos reunidos pela investigação, segundo os quais servidores da Câmara dos Deputados teriam atuado para viabilizar o direcionamento das emendas em benefício de Valdemar. Além de suspender a execução dos repasses questionados, o ministro determinou a indisponibilidade de bens do dirigente partidário até o valor correspondente aos recursos investigados.

Lindbergh anuncia novas medidas após operação da PF contra publicitário ligado a Daniel Vorcaro

Depois de comentar a decisão do STF, Lindbergh passou a tratar da décima fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (9). A investigação apura uma suposta estratégia para atacar a credibilidade do Banco Central por meio de campanhas coordenadas nas redes sociais.

Entre os alvos da operação está o publicitário Thiago Miranda, proprietário da Agência MiThi. Segundo a Polícia Federal, ele aparece em conversas extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e teria participado da coordenação do chamado “Projeto DV”, criado para defender a instituição financeira durante o processo que levou à liquidação do banco.

Ao citar o caso, Lindbergh relacionou as investigações ao governador Cláudio Castro (PL-RJ) e ao senador Flávio Bolsonaro. “Aqui no Rio de Janeiro, pessoal, a ligação do Vorcaro com o Cláudio Castro, as operações que acontecem dia a dia, tudo com gente ligada a Flávio Bolsonaro”, afirmou.

O deputado também anunciou que pretende recorrer a diferentes órgãos de investigação. “Tem mais, eu vou anunciar medidas hoje à tarde, judiciais, que nós vamos tomar em relação ao escândalo de ontem. Porque ontem apareceu o Thiago Miranda, aquele que fez a ponte do Flávio Bolsonaro com Vorcaro. Aquele que intermediou o dinheiro que foi lá para o Texas, aquele que fazia parte de uma milícia”, declarou.

De acordo com a Polícia Federal, Thiago Miranda intermediou contatos entre Daniel Vorcaro e influenciadores contratados para publicar conteúdos críticos ao Banco Central. A investigação também afirma que o publicitário participou de conversas entre o ex-banqueiro e o senador Flávio Bolsonaro. O parlamentar declarou que a relação era exclusivamente profissional e que as mensagens tratavam da cobrança de investimentos ligados ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

Ao detalhar as providências que pretende adotar, Lindbergh afirmou que encaminhará representações à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal. “Eu vou anunciar no final da tarde medidas judiciais que vão tomar, entrando na Polícia Federal, na PGR e diretamente ao Supremo com André Mendonça”, disse.

O deputado encerrou o vídeo com novas críticas ao Partido Liberal: “nós estamos combatendo não um partido, mas uma organização criminosa!”

Fonte: Brasil 247

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