sexta-feira, 10 de julho de 2026

Enrolado no caso Dark Horse, Flávio Bolsonaro sai em defesa de Valdemar e diz que PF atua de “forma seletiva”

O senador da extrema direita também resolveu atacar o presidente Lula

Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto  -  Crédito: Agência Senado I Divulgação

Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saiu em defesa do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, nesta sexta-feira (10), após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinar o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do dirigente em consequência de uma investigação da sobre emendas parlamentares. O parlamentar da extrema direita decidiu acusar a Polícia Federal (PF) de agir “seletivamente” contra adversários do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em sua decisão, Dino também suspendeu a execução das despesas relacionadas às 21 emendas apontadas pela PF na investigação.

“Lamentável ver a PF atuando de forma seletiva para constranger um adversário político do atual governo. A Polícia Federal, que diz não ter efetivo nem recursos para investigar as denúncias contra Lulinha, filho do presidente Lula, mais uma vez mobiliza recursos para atacar adversários do presidente. Essa perseguição precisa parar”, escreveu Flávio Bolsonaro na rede social X, antigo Twitter.

De acordo com o senador, é “natural” que Valdemar Costa Neto atue politicamente junto aos deputados federais, especialmente aos parlamentares do próprio partido. “Tenho certeza que o presidente Valdemar saberá dar todas as respostas aos pontos levantados. Como presidente do maior partido do Brasil, é natural que ele atue politicamente junto a deputados federais, em especial os do próprio PL”, afirmou.

◉ Acusação da PF e a posição de Valdemar Costa Neto

Investigadores da PF apontam que o presidente do PL usou servidores da Câmara dos Deputados com o objetivo de operacionalizar a destinação dos recursos, hipótese investigada pelos crimes de peculato e associação criminosa.

Em nota, a defesa de Valdemar disse ter recebido “com surpresa” a decisão do STF e afirmou que a medida “parte de premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária”. Os advogados negaram que o presidente do PL tenha cometido crime e acrescentaram não haver “qualquer prova, ou mesmo indício” de que ele tenha aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso.

◉ Caso Dark Horse

O nome de Valdemar Costa Neto já havia aparecido em outro escândalo, que também envolve o senador Flávio Bolsonaro. Em 25 de maio, o presidente do PL confirmou que o senador teve uma reunião com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, com a finalidade de conseguir dinheiro para financiar o filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar após ser condenado pelo STF a 27 anos de prisão na investigação sobre a trama golpista. O parlamentar negociou um financiamento de R$ 134 milhões com o ex-banqueiro. Do valor total, R$ 61 milhões foram repassados para o longa.

Preso no Distrito Federal, Vorcaro foi alvo da Operação Compliance Zero, da PF. A corporação apura um esquema de fraudes financeiras com movimentação estimada em pelo menos R$ 12 bilhões.

A PF instaurou um inquérito para apurar se recursos de emendas parlamentares financiaram de forma irregular o filme. A Controladoria-Geral da União também abriu uma auditoria para examinar repasses destinados a organizações vinculadas à empresária Karina da Gama, sócia da Go Up Entertainment, responsável pela produção do longa. A CGU busca identificar se o dinheiro público seguiu a finalidade prevista ou se houve emprego indevido das verbas.

No campo progressista brasileiro, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) lançou uma campanha para pressionar o parlamentar da extrema direita a prestar esclarecimentos sobre a produção do filme.

◉ Mais escândalos

O senador do PL também passou a enfrentar questionamentos após a compra de uma mansão no Distrito Federal registrada em nome de José Vicente Santini, coordenador de sua pré-campanha. O negócio envolveu uma entrada de R$ 4 milhões e um financiamento de R$ 10,5 milhões concedido pelo Banco de Brasília. A instituição aparece no contexto da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras estimadas em R$ 12 bilhões relacionadas ao Banco Master.

Outro caso ganhou repercussão em torno de um imóvel avaliado em cerca de R$ 10 milhões, localizado em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O atacante Richarlison afirmou ter pago pela propriedade, escreveu que “simplesmente me tomaram” e marcou Flávio Bolsonaro na publicação.

Fonte: Brasil 247

Nenhum comentário:

Postar um comentário