sexta-feira, 10 de julho de 2026

Assessor de Valdemar investigado por emendas dirigiu o FNDE na gestão Bolsonaro

Garigham Amarante ocupou cargo no governo Bolsonaro, foi indicado pelo presidente do PL e participou de pregão suspenso pelo TCU

    Crédito: Reprodução

O advogado Garigham Amarante Pinto, apontado pela Polícia Federal como interlocutor de Valdemar Costa Neto em negociações relacionadas a emendas parlamentares, dirigiu uma área do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) durante o governo de Jair Bolsonaro. Indicado pelo presidente do PL, o advogado também participou de um pregão de ônibus escolares suspenso sob suspeita de sobrepreço.

As informações foram publicadas pelo jornalista Lauro Jardim, em sua coluna no jornal O Globo. Segundo a reportagem, Amarante foi nomeado para o FNDE em maio de 2020 e é considerado um homem de confiança de Valdemar Costa Neto.

Vinculado ao Ministério da Educação, o FNDE administra recursos destinados a políticas públicas de alcance nacional, entre elas programas de distribuição de livros didáticos, alimentação escolar e transporte de estudantes.

De acordo com mensagens obtidas pela Polícia Federal, Garigham Amarante atuava na interlocução com Mariângela Fialek, citada na investigação como responsável por organizar e controlar cotas de emendas atribuídas a parlamentares.

Os diálogos fazem parte da apuração sobre uma suposta estrutura destinada a direcionar recursos do Orçamento por meio da influência exercida por Valdemar, que não ocupa mandato parlamentar. A investigação busca esclarecer a participação dos envolvidos na definição dos beneficiários e na destinação das verbas.

Pregão de ônibus escolares foi suspenso pelo TCU

Durante sua passagem pelo FNDE, Amarante foi o responsável técnico por um pregão eletrônico destinado à compra de ônibus escolares. O procedimento acabou embargado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) diante de suspeitas de que os valores poderiam provocar um superfaturamento de aproximadamente R$ 700 milhões.

A licitação previa a aquisição de veículos para o transporte de estudantes de redes públicas de ensino. A intervenção do tribunal ocorreu durante a análise dos preços estimados pelo fundo, diante da possibilidade de dano aos cofres públicos.

Além do cargo ocupado na autarquia, Amarante recebeu quase R$ 170 mil do PL para prestar serviços de consultoria. Conforme a reportagem, o trabalho envolvia assuntos relacionados ao próprio FNDE e ao Ministério da Educação.

A ligação financeira com o partido e a atuação do advogado nas conversas examinadas pela PF ampliam o interesse dos investigadores sobre sua relação com Valdemar Costa Neto e sobre o funcionamento do esquema de negociação de emendas.

A apuração procura identificar como eram distribuídas as cotas parlamentares, quem participava das articulações e se houve desvio ou utilização irregular de recursos públicos. As mensagens recolhidas pela PF são analisadas para reconstruir a cadeia de decisões e a participação de cada um dos investigados.

Fonte: Brasil 247 com informações publicadas pelo jornalista Lauro Jardim, em sua coluna no jornal O Globo

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