Emendas parlamentares ao Orçamento da União atribuídas pela Polícia Federal ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, bancaram shows em eventos de cidades do interior de São Paulo e do Paraná. Dados da plataforma Transferegov indicam uso dos recursos para contratar artistas em Iepê (SP), Guaimbê (SP), Macedônia (SP) e Cafelândia (PR).
Em Iepê, município paulista com cerca de 7,6 mil habitantes, a verba financiou apresentações da banda Traia Véia e da dupla Thaeme & Thiago na 4ª Agrofest, em novembro de 2025. Cada contratação custou R$ 250 mil.
Em Guaimbê, também no interior paulista, recursos vinculados à indicação atribuída a Valdemar custearam show da dupla Thaeme & Thiago na Festa do Peão de Boiadeiro, realizada em novembro de 2025. O cachê informado para a apresentação foi de R$ 280 mil.
A mesma dupla também se apresentou em Cafelândia (PR), cidade com cerca de 19 mil habitantes, na celebração de 43 anos do município. Em Macedônia (SP), que tem menos de 4 mil habitantes, verbas federais pagaram show da cantora Mariana Fagundes no aniversário da cidade, em outubro de 2025.
Investigação aponta autoria das indicações e mira R$ 119 milhões
Documentos divulgados pela Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados atribuíam inicialmente as indicações das emendas à Liderança do Partido Liberal. A investigação da PF, porém, aponta Valdemar Costa Neto como o real autor das indicações ao Orçamento.
A PF também cruzou informações obtidas em uma operação com dados do Portal da Transparência e apontou que Valdemar seria responsável por mais de R$ 100 milhões em emendas indicadas na área da Saúde, valores já pagos pelo governo federal aos municípios. Outra parte dos recursos aparece vinculada a Turismo e Desenvolvimento Urbano.

Despesas ainda não pagas teriam como finalidade pavimentação, revitalização de infraestrutura, contratação de artistas e realização de evento natalino. Com base nos indícios apresentados pela PF, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou a indisponibilidade de R$ 119 milhões em bens de Valdemar e suspendeu a execução de todas as despesas listadas pela corporação.
A decisão de Dino reproduz trecho de representação da PF sobre a atuação de três servidores da Câmara dos Deputados na inserção de emendas de Valdemar entre indicações regulares. A corporação afirma que os investigados tinham consciência de que tratavam emendas como quotas privadas de agente estranho ao cargo, o que preencheria elementos de “peculato-desvio”.
A defesa de Valdemar Costa Neto disse ter recebido a decisão de Flávio Dino com surpresa e afirmou que o presidente do PL “nega categoricamente a prática de qualquer crime”. Em nota, os advogados sustentaram que “não há qualquer prova, ou mesmo indício, de que tenha aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso” e classificaram como “natural e legítimo” que um presidente partidário dialogue com parlamentares e articule interesses de sua bancada.
Fonte: DCM
Nenhum comentário:
Postar um comentário