domingo, 12 de julho de 2026

Decisão do STF aponta indícios de que Cunha operou emendas por meio de deputado do Republicanos

Flávio Dino bloqueou R$ 6 milhões do ex-presidente da Câmara após investigação da PF apontar indicação de emendas mesmo sem mandato

Eduardo Cunha – Dep. Gilberto Abramo
Crédito: Divulgação / Kayo Magalhães / Câmara dos deputados

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 6 milhões em bens do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-MG). A decisão, baseada em investigação da Polícia Federal, aponta indícios de que o ex-parlamentar teria atuado na negociação de emendas utilizando o deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG). As informações são do jornal O Globo.

A medida tem como fundamento o inquérito da Polícia Federal que apura supostos desvios de recursos de emendas da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. Além do bloqueio de bens, Dino determinou a suspensão imediata da execução de todas as despesas públicas relacionadas às emendas sob investigação.

Eduardo Cunha não exerce mandato eletivo desde 2016, mas elementos reunidos pela investigação indicariam que ele continuou participando da indicação de emendas parlamentares por meio de deputados aliados.

A defesa de Cunha informou que recorrerá da decisão do STF. Em nota, negou que o ex-deputado tenha exercido um “mandato clandestino” e afirmou que ele não participou formalmente da apresentação das emendas investigadas.

Conversas embasaram a decisão

Os elementos utilizados pelo ministro incluem mensagens extraídas do celular de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, servidora da Câmara apontada pela Polícia Federal como operadora do suposto esquema de manipulação de emendas parlamentares.

Entre os diálogos reproduzidos na investigação está uma conversa de 12 de setembro de 2025 entre Cunha e Tuca. Na troca de mensagens, o ex-deputado menciona emendas destinadas ao município de Manhuaçu (MG) e demonstra preocupação com a informação de que os recursos estariam sendo atribuídos ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), e não a Gilberto Abramo.

“Oi. Se puder. Tou com um problema lá em uma das emendas de Manhuaçu que o pessoal lá é inimigo e estão dizendo que é do Nikolas. Como pôs no Gilberto Abramo, preciso de um ofício dele dizendo que essa emenda é de autoria dele”, diz a mensagem atribuída a Cunha.

Na decisão, Flávio Dino afirmou que “causa estranheza o cenário narrado, uma vez que aparenta que uma suposta emenda de titularidade do deputado Gilberto Abramo estava sendo tratada por Eduardo Cunha com Tuca, e não pelo titular”.

O ministro também registrou que “considerando que os elementos encontrados no celular de Tuca deixam claro que essas emendas eram indicações de Eduardo Cunha, o fato de que outros parlamentares tenham sido alocados como ‘solicitantes’ só agrava o processo de fraude de encaminhamento e desvio dos recursos. Observa-se uma clara proeminência do deputado Gilberto Abramo que, como visto acima, foi apontado como parceiro político do ex-presidente da Câmara no estado de Minas Gerais”.

Investigação é desdobramento de operação

A apuração integra um desdobramento da Operação Transparência, que investiga suspeitas de desvios na distribuição de recursos do chamado orçamento secreto. Na sexta-feira (10), a mesma investigação resultou no bloqueio de até R$ 119 milhões em bens do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

Nenhum comentário:

Postar um comentário