O jornalista José Roberto de Toledo, colunista do UOL, detonou o comportamento de Flávio Bolsonaro (PL) durante o primeiro debate do segundo turno contra o presidente Lula (PT), realizado pela Band neste domingo (18). Com quatro décadas de cobertura eleitoral, Toledo afirmou nunca ter presenciado uma postura semelhante de um candidato à Presidência e acusou o senador de adotar uma estratégia baseada em provocações para desestabilizar o adversário.
“Eu cubro esse negócio desde 1985. Eu nunca vi isso”, afirmou Toledo após o programa. Para ele, o problema central do confronto não foi simplesmente a troca de acusações entre os dois presidenciáveis, mas a forma como Flávio tentou conduzir o embate.
“Quem se comportou como moleque chama-se Flávio Bolsonaro, que seguiu o modelo de outro moleque, que se chama Pablo Marçal, para ver se provoca e tira do eixo um candidato a ponto de tomar uma cadeirada”, disse o colunista.
A referência é à estratégia adotada por Marçal durante a eleição municipal de São Paulo em 2024, quando confrontos pessoais marcaram os debates. Toledo comparou os métodos e avaliou que Flávio buscou provocar Lula reiteradamente em vez de transformar o encontro em uma discussão sobre projetos para o país.
Antes mesmo de entrar no estúdio, Flávio antecipou o tom que pretendia adotar. Segundo a própria Band, o candidato afirmou que seria “prazeroso esfregar verdades na cara” de Lula. Durante o programa, mencionou repetidamente o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, e casos investigados envolvendo pessoas próximas ao petista. Lula reagiu trazendo suspeitas envolvendo Flávio, o Banco Master e a família Bolsonaro.
Toledo rejeitou, porém, uma equivalência entre as posturas. “Não dá para fazer uma falsa equivalência, né?”, afirmou. Segundo ele, o comportamento visto no palco deve ser analisado também como expressão da transformação da direita brasileira nos últimos anos.
“O Lula sempre foi o que sempre foi, não mudou. Quem mudou é a extrema-direita. Essa é a diferença”, declarou. Em outro momento, Toledo afirmou que Flávio “não estava com comportamento de presidente da República, mas de moleque”.
O colunista reconheceu que o debate também teve problemas do lado de Lula. Em sua primeira análise após o programa, afirmou que nenhum dos dois respondeu adequadamente a várias perguntas. Outros comentaristas do UOL apontaram que o presidente demonstrou desorientação em alguns momentos após os ataques envolvendo seu filho.
Ainda assim, Toledo disse que a estratégia de provocação de Flávio tornou o confronto especialmente degradante. “Eu não quero ver um outro debate como esse”, afirmou. Ao resumir sua reação ao encontro, foi ainda mais enfático: “eu tenho vontade de vomitar, porque ninguém sai melhor do que entrou olhando isso”.
Essa percepção apareceu também em outras análises do debate. O UOL descreveu o confronto como marcado por ataques, provocações e poucas propostas. Eleitores indecisos consultados pelo veículo consideraram Flávio agressivo, embora também tenham avaliado que Lula caiu em provocações e perdeu oportunidades de apresentar argumentos a esse grupo.
A Folha relatou uma sequência de bate-bocas, acusações de corrupção e envolvimento de familiares dos candidatos. Já a CNN destacou que o embate se concentrou mais em acusações do que em propostas para os próximos quatro anos. Reuters e Associated Press também descreveram o primeiro confronto direto entre os dois como tenso e dominado por ataques pessoais.
Fonte: DCM

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