Ex-deputado cassado questiona a segurança das urnas eletrônicas em podcast nos EUA e recomenda que o irmão deixe o país se perder o segundo turno
O ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro afirmou que seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), deveria deixar o Brasil caso seja derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25). Durante uma entrevista a um podcast estadunidense, Eduardo também voltou a levantar suspeitas de fraude nas urnas eletrônicas, embora tenha admitido não possuir provas de irregularidades no sistema eleitoral brasileiro.
As declarações, segundo o G1, ocorreram durante uma participação presencial de Eduardo no programa Louder with Crowder, apresentado pelo comentarista político estadunidense Steven Crowder. A entrevista abordou a disputa presidencial brasileira, a situação judicial da família Bolsonaro e a possibilidade de derrota de Flávio nas urnas.
Ao ser questionado sobre o que a família faria caso o senador não conquistasse a Presidência, Eduardo chegou a mencionar, em suposto tom de brincadeira, uma intervenção militar dos EUA. “Mandar os fuzileiros navais”, respondeu, antes de rir.
Crowder reagiu afirmando que uma operação desse tipo provocaria protestos da esquerda nos Estados Unidos. O apresentador também fez referência à possibilidade de uma ação militar para retirar pessoas de uma prisão.
Na sequência, Eduardo passou a defender que Flávio deixasse o território brasileiro caso Lula fosse reeleito.
“Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”, declarou.
A recomendação foi apresentada depois de Eduardo acusar Lula de ameaçar seu irmão durante um debate presidencial. Segundo ele, o presidente teria mencionado a possibilidade de Flávio perder o mandato parlamentar e passar a ser investigado.
“Teve uma parte do debate em que o Lula disse: olha, você vai perder a eleição. No ano que vem você não vai mais ser senador. Não vai ter imunidade. E nós vamos investigar tudo sobre você. Ele disse isso abertamente, no meio do debate. Ele estava ameaçando meu irmão”, afirmou Eduardo.
⦾ Eduardo volta a questionar as urnas eletrônicas
Além de defender a saída do irmão do Brasil em caso de derrota, Eduardo Bolsonaro lançou dúvidas sobre a confiabilidade do sistema eletrônico de votação, utilizado no país desde 1996.
O ex-parlamentar criticou a ausência de registros individuais dos votos em papel e alegou que os eleitores precisam confiar exclusivamente nos equipamentos eletrônicos.
“O problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina. Nós usamos máquinas e é isso. Esse é o problema”, declarou.
Em seguida, recorreu a uma frase atribuída ao ditador soviético Josef Stálin para sustentar seus questionamentos sobre a apuração eleitoral.
“Como disse Stálin, não importa em quem você vota, a questão é quem conta os votos, esse é o problema. Então, da mesma forma que eu não posso provar que houve fraude, eles não podem provar que não houve.”
A afirmação desconsidera os mecanismos públicos de fiscalização e conferência dos resultados eleitorais. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não há registro de fraude comprovada no sistema brasileiro de votação eletrônica.
Ao término da votação, cada urna produz um boletim com os resultados daquela seção eleitoral. O documento é impresso, uma de suas vias fica disponível no local de votação e os representantes dos partidos podem receber cópias.
Os boletins também são publicados na internet pelo TSE, permitindo que cidadãos, partidos e entidades fiscalizadoras comparem os números registrados nas seções eleitorais com os resultados oficiais divulgados pela Justiça Eleitoral.
Esses procedimentos possibilitam a verificação pública da totalização dos votos, contrariando a alegação de que não existe mecanismo de conferência da apuração.
⦾ Ex-deputado critica decisões do STF sobre voto impresso
Eduardo também direcionou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), responsabilizando a Corte por impedir a implementação do voto impresso no Brasil.
“E o Congresso aprovou por três vezes o que chamamos de projeto do voto impresso. Mas todas as vezes que aprovamos isso, o Supremo Tribunal Federal disse que era inconstitucional”, afirmou.
O histórico legislativo, entretanto, apresenta diferenças em relação à versão apresentada pelo ex-parlamentar.
O Congresso aprovou normas relacionadas ao voto impresso em 2002, 2009 e 2015. A legislação de 2002 foi revogada pelo próprio Poder Legislativo no ano seguinte, sem que o STF fosse responsável por sua derrubada.
Já os dispositivos aprovados em 2009 e 2015 foram considerados inconstitucionais pelo Supremo, em decisões tomadas em 2013 e 2020. Entre os fundamentos utilizados pelos ministros estava a necessidade de preservar o sigilo do voto.
A existência de boletins impressos com os resultados de cada seção eleitoral não significa a adoção do voto impresso individual, mas constitui um dos instrumentos de auditoria disponíveis no sistema brasileiro.
⦾ Flávio Bolsonaro e Lula disputam eleição acirrada
As declarações de Eduardo ocorrem na reta final da disputa pela Presidência da República.
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença entre os dois candidatos foi de 1,87 ponto percentual.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a eleição definirá se Lula permanecerá na Presidência ou se o senador do PL assumirá o comando do Executivo federal.
Foi nesse contexto que Eduardo apresentou a saída do país como alternativa para o irmão em caso de derrota eleitoral.
A entrevista foi concedida a Steven Crowder, comentarista conservador estadunidense cujo canal no YouTube chegou a ser suspenso por uma semana, em 2021, após a divulgação de alegações falsas sobre a eleição presidencial dos Estados Unidos de 2020.
⦾ Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF e teve prisão determinada
A situação judicial do próprio Eduardo Bolsonaro também integra o contexto de suas declarações.
O ex-deputado cassado vive nos Estados Unidos desde 2025. Em dezembro daquele ano, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados declarou a perda de seu mandato parlamentar em razão do excesso de faltas às sessões legislativas.
Em junho de 2026, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Eduardo, por unanimidade, pelo crime de coação no curso do processo.
A condenação decorreu de sua atuação junto ao governo dos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras, em um contexto que envolveu a imposição de tarifas comerciais sobre exportações do Brasil e a suspensão de vistos de integrantes do governo federal e do STF.
De acordo com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), acolhida pelo Supremo, Eduardo atuou para interferir no julgamento de seu pai, o ex-mandatário Jair Bolsonaro, no processo relacionado à trama golpista.
A pena estabelecida foi de quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto.
Em 3 de outubro, a condenação transitou em julgado, tornando-se definitiva e sem possibilidade de novos recursos.
Posteriormente, em decisão assinada em 7 de outubro e divulgada no dia seguinte, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena e a expedição de um mandado de prisão contra o ex-parlamentar. O magistrado também ordenou o cancelamento de todos os passaportes brasileiros de Eduardo Bolsonaro.
Fonte: Brasil 247
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