Dados do BusInfo apontam que quase 4 mil veículos estavam fora de operação às 14h40 deste domingo, enquanto eleitores relatam dificuldades para chegar às urnas
A cidade de São Paulo registrava apenas 71% de sua frota municipal de ônibus em circulação às 14h40 deste domingo (25), dia do segundo turno das eleições de 2026, apesar de uma determinação da Justiça Eleitoral para que 100% dos veículos fossem colocados em operação. Dos 13.767 ônibus disponíveis na capital paulista, somente 9.786 haviam saído das garagens, deixando 3.981 veículos fora de serviço.
O levantamento considera os veículos que deixaram as garagens, mas há denúncias de que parte dos ônibus contabilizados como disponíveis não chegou a circular efetivamente pelas ruas. Dessa forma, o número de veículos atendendo passageiros pode ser inferior ao registrado pelo sistema.
A operação deste domingo supera a quantidade normalmente disponibilizada nos fins de semana, mas permanece abaixo do patamar determinado pela Justiça Eleitoral. Em domingos convencionais, aproximadamente 35% da frota municipal entra em circulação, o equivalente a cerca de 4.900 ônibus. Aos sábados, o percentual habitual é de 50%, ou aproximadamente 6.900 veículos.
⦾ Eleitores enfrentam longas esperas em diferentes regiões
Os problemas no transporte público foram relatados por moradores de bairros das zonas Norte e Sul de São Paulo. No Jaraguá e na Vila Zilda, passageiros denunciaram dificuldades para conseguir embarcar nos coletivos.
Na Zona Sul, os transtornos atingiram a Avenida Ibirapuera, a Estrada do M’Boi Mirim e o Jardim Ângela. Neste último bairro, moradores enfrentaram horas de espera sob chuva para conseguir utilizar os ônibus e se deslocar até os locais de votação.
Registros divulgados pela imprensa também mostraram pontos de ônibus lotados. Na Zona Norte, houve relatos de resistência de motoristas em sair das garagens para realizar o transporte de passageiros durante a eleição.
A situação ocorre em um momento em que a disponibilidade do transporte coletivo é fundamental para garantir o deslocamento dos eleitores, especialmente daqueles que dependem exclusivamente dos ônibus municipais.
⦾ Sudeste tem pior índice de circulação de ônibus
Entre as regiões da capital, o Sudeste apresentava a situação mais crítica às 14h40. Dos 1.304 ônibus contabilizados, apenas 745 estavam em operação, o equivalente a 57,13% da frota. Outros 559 veículos, correspondentes a 42,87%, permaneciam nas garagens.
O Oeste registrava o maior percentual de circulação, com 75,02% dos ônibus disponíveis. Na região, 877 dos 1.169 veículos estavam em operação, enquanto 292 continuavam fora de serviço.
Nas demais regiões, os índices também ficaram abaixo da determinação judicial. A Zona Leste tinha 70,92% da frota em circulação, seguida pela Zona Sul, com 70,27%, e pela Zona Norte, com 69,68%.
Em números absolutos, a Zona Sul concentrava a maior quantidade de ônibus em operação, com 2.662 veículos. Na sequência apareciam a Zona Leste, com 2.485, e a Zona Norte, com 2.284 coletivos.
Os dados mostram que nenhuma das regiões com informações detalhadas havia alcançado a totalidade da frota exigida pela Justiça Eleitoral até o horário do levantamento.
⦾ SPTrans alega prazo insuficiente para cumprir determinação
Em nota, a São Paulo Transporte (SPTrans), responsável pela gestão do sistema municipal de ônibus, afirmou que recebeu a notificação do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) às 13h10 de sábado (24), menos de 12 horas antes do início da operação deste domingo.
Segundo a empresa, todas as concessionárias responsáveis pelos 32 lotes operacionais da capital foram comunicadas às 13h32 do mesmo dia, pouco depois do recebimento da determinação judicial.
A SPTrans argumentou que a reorganização da operação em prazo reduzido trouxe dificuldades para as empresas responsáveis pelo transporte, especialmente em relação às escalas de trabalho e à disponibilidade dos motoristas.
“Os operadores relataram dificuldades para readequar, de forma imediata, escalas de trabalho, jornadas e rotinas previamente organizadas”, afirmou a empresa.
A companhia acrescentou que a programação dos trabalhadores também considerava as folgas e a necessidade de garantir o exercício do voto pelos próprios profissionais do transporte.
“A SPTrans respeita as determinações da Justiça Eleitoral e atua para viabilizar o atendimento à população, observadas as condições operacionais necessárias à execução do serviço”, declarou.
⦾ Prefeitura defende planejamento anterior à decisão judicial
A SPTrans também sustentou que a programação originalmente prevista para o segundo turno foi elaborada com base em dados de demanda e critérios técnicos.
Segundo a empresa, no domingo anterior aproximadamente 6.900 ônibus estiveram em operação, oferecendo cerca de 8 milhões de lugares e transportando 3,4 milhões de passageiros.
Esses números, de acordo com a companhia, foram utilizados para definir a quantidade de veículos inicialmente prevista para este domingo.
A empresa afirmou ainda que o planejamento havia sido encaminhado previamente aos órgãos eleitorais, sem questionamentos registrados até a determinação de ampliação da frota. O mesmo modelo operacional, segundo a SPTrans, havia sido adotado no primeiro turno.
A justificativa apresentada pela companhia é que a alteração de um planejamento já estabelecido, comunicada com menos de 12 horas de antecedência, exige a mobilização de veículos e profissionais em condições consideradas operacionalmente difíceis.
Apesar das dificuldades alegadas, a empresa informou que continuava acompanhando a disponibilidade dos ônibus e mantendo contato com as concessionárias para ampliar o atendimento aos passageiros.
⦾ Tarifa zero permanece em vigor durante a eleição
O transporte municipal de São Paulo permanece gratuito neste domingo, conforme a política do Domingão Tarifa Zero, implementada em dezembro de 2023.
A gratuidade, entretanto, não elimina os problemas enfrentados pelos passageiros diante da quantidade insuficiente de ônibus em circulação.
A determinação da Justiça Eleitoral para disponibilizar 100% da frota busca assegurar condições de deslocamento aos eleitores durante o segundo turno. Até as 14h40, porém, os dados divulgados indicavam que quase 29% dos veículos municipais permaneciam fora de operação, enquanto moradores de diferentes bairros relatavam dificuldades para chegar às urnas.
Fonte: Brasil 247
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