Debate presidencial terá fiscalização simultânea por jornalistas e pesquisadores em plataformas digitais, após pressão de mais de 1,1 milhão de pessoas por correções na televisão
O debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para esta sexta-feira (23), às 21h20, na TV Globo, contará com diferentes iniciativas de checagem de informações em tempo real. Embora a emissora tenha decidido não interromper sua transmissão televisiva para corrigir eventuais declarações falsas, o ICL Notícias e uma rede de entidades jornalísticas e acadêmicas anunciaram operações independentes de verificação das falas dos candidatos.
Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo, e pela Agência Brasil, a cobertura reunirá diferentes frentes de combate à desinformação. A Globo utilizará a página Fato ou Fake, do G1, em parceria com O Globo, Extra, Valor Econômico e Rádio CBN. Paralelamente, profissionais de comunicação, pesquisadores e organizações especializadas acompanharão o confronto e divulgarão análises ao vivo em canais digitais.
A decisão da Globo ocorre após uma mobilização que ultrapassou 1,1 milhão de assinaturas em defesa da checagem durante a transmissão pela televisão. A campanha ganhou força depois do debate da Band, realizado no domingo (18), quando declarações dos presidenciáveis, especialmente de Flávio Bolsonaro, foram contestadas por agências de verificação.
⊚ ICL Notícias anuncia checagem simultânea ao debate
O ICL Notícias também fará uma transmissão especial para analisar as declarações de Lula e Flávio Bolsonaro enquanto o confronto estiver acontecendo. A iniciativa foi anunciada pelo economista e comunicador Eduardo Moreira, que participará da cobertura ao lado da economista Deborah Magagna e dos jornalistas Juliana Dal Piva e Paulo Motoryn.
A proposta é oferecer ao público uma segunda tela de acompanhamento, permitindo que os espectadores assistam ao debate pela televisão e consultem simultaneamente as análises no canal do ICL no YouTube.
“O ICL vai fazer o react ao vivo, checando todos os fatos. O ICL vai fazer a checagem de fatos, o fact-checking, simultânea durante o debate da Globo na sexta-feira”, afirmou Eduardo Moreira, conforme declaração reproduzida na cobertura sobre a iniciativa.
O comunicador também convidou os espectadores a acompanhar a verificação pelo celular: “Assista o debate e com celular na mão fique ligado no ICL, que a gente vai checar tudinho”.
A equipe deverá examinar dados, estatísticas e acusações apresentados pelos candidatos, confrontando as afirmações com informações disponíveis em fontes documentais. A transmissão será independente da programação da Globo.
⊚ Fenaj, RNCD e pesquisadores organizam sala virtual de checagem
Outra iniciativa reunirá jornalistas, pesquisadores e instituições ligadas à comunicação em uma sala virtual para verificar as afirmações apresentadas durante o debate. A operação foi detalhada em reportagem de Pedro Peduzzi, publicada pela Agência Brasil nesta quinta-feira (22).
Participam da mobilização a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Rede Nacional de Combate à Desinformação (RNCD), a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), a Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e a plataforma AletheiaFact.org.
O trabalho também contará com a Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (Alcar), a Socicom, a COAR Notícias e o Coletivo Bereia.
As verificações serão divulgadas ao vivo nos canais da Fenaj e da RNCD no YouTube, em uma operação conjunta que pretende complementar o trabalho das agências especializadas.
A presidenta da Fenaj, Samira de Castro, explicou que a mobilização busca contribuir para o exercício consciente do voto diante da intensa circulação de informações nas redes sociais.
Ana Regina Rêgo, criadora da RNCD, destacou a importância de aproximar a verificação do momento em que as declarações chegam ao público. Já a presidenta da Intercom, Iluska Coutinho, ressaltou a contribuição da pesquisa científica e do jornalismo para o enfrentamento da desinformação e a defesa da democracia.
⊚ Mais de 1,1 milhão de pessoas pedem checagem na Globo
A organização das iniciativas independentes ocorre em meio à pressão para que a própria Globo adote mecanismos de correção de informações falsas durante o debate.
Um abaixo-assinado criado por Rafael Brito na plataforma Change.org havia reunido mais de 1,1 milhão de assinaturas até as 13h30 desta quinta-feira (22), segundo a coluna de Mônica Bergamo.
A petição cita experiências internacionais de verificação durante confrontos eleitorais e defende que eventuais informações incorretas sejam esclarecidas imediatamente aos telespectadores.
Outra iniciativa, organizada por professores, estudantes e ex-alunos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), ultrapassou 12,5 mil assinaturas. O grupo propõe que o mediador advirta candidatos responsáveis pela apresentação de informações inverídicas e, em caso de reincidência, aplique penalidades com perda de tempo de fala.
Apesar da mobilização, a Globo manterá a checagem em seus veículos digitais. O trabalho começará durante o encontro e prosseguirá pela madrugada, sem previsão de intervenções na transmissão televisiva para corrigir declarações dos presidenciáveis.
⊚ Fenaj critica formato do debate anterior
O debate da Band, realizado no domingo (18), foi um dos principais fatores que impulsionaram as cobranças por mecanismos de verificação mais rápidos.
Após o confronto, a Fenaj divulgou uma nota criticando a dinâmica do programa, especialmente a predominância de provocações e ataques em detrimento do esclarecimento de questões relevantes para os eleitores.
“O jornalismo não pode ser refém da lógica do espetáculo, da audiência a qualquer preço ou das estratégias de candidatos que desprezam o diálogo democrático”, afirmou a federação.
A entidade também advertiu sobre as consequências de permitir que declarações sem fundamento permaneçam sem contestação durante confrontos eleitorais.
“Quando perguntas não são respondidas, afirmações falsas deixam de ser confrontadas e argumentos são substituídos por encenações, quem perde é a população brasileira”, acrescentou a Fenaj.
⊚ Campanha de Lula também cobrou verificação em tempo real
A pressão sobre a Globo também chegou à campanha do presidente Lula. Na quarta-feira (21), o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, informou que representantes da candidatura petista estavam conversando com a emissora sobre a possibilidade de incluir checagem durante a transmissão.
“A gente está querendo que haja (checagem de fatos), porque a gente viu o que aconteceu no debate. Além de responder nenhuma pergunta do presidente, ele mentiu muito. É importante uma checagem em tempo real do que é verdade, do que é mentira, do que é dito no debate”, declarou Sidônio, segundo reportagem da Agência Estado.
O ministro também informou que a campanha mantinha contatos com agências independentes para viabilizar a verificação das declarações dos candidatos.
O debate acontecerá a dois dias do segundo turno, marcado para domingo (25), quando Lula e Flávio Bolsonaro disputarão a Presidência da República.
Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo, via coluna de Mônica Bergamo
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