quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro não abre os próprios sigilos e pede ao TSE mais dados de Lula e familiares

 Senador ainda não apresentou autorização equivalente à protocolada pelo presidente e tenta ampliar exigências para incluir Instituto Lula, agenda de Janja e registros de encontros com Vorcaro

Lula e Flávio Bolsonaro - Crédito: Ricardo Stuckert I Vittor Sales

Flávio Bolsonaro (PL) ainda não apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, conforme o desafio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em vez de formalizar a divulgação dos próprios dados, o senador apresentou nesta quarta-feira (21) uma petição exigindo informações adicionais sobre familiares, empresas e pessoas próximas ao adversário, além de registros de atividades do governo federal.

A movimentação foi revelada pela jornalista Letícia Casado, do UOL. Segundo a reportagem, a campanha de Flávio encaminhou ao ministro André Mendonça, relator do pedido de Lula no TSE, um documento no qual afirma aceitar o desafio, mas condiciona a abertura dos sigilos do senador à divulgação de informações de terceiros ligados ao presidente. A iniciativa ocorre um dia depois de Lula formalizar sua disposição de tornar públicos seus dados e os de familiares, desde que Flávio adote a mesma providência.

A diferença entre as iniciativas está no conteúdo dos documentos apresentados. Enquanto Lula protocolou uma autorização condicionada à reciprocidade, Flávio apresentou novas exigências sem, até o momento da reportagem, oferecer autorização equivalente para a divulgação de suas informações.

O presidente havia colocado à disposição da Justiça Eleitoral seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos oito anos, além dos dados da primeira-dama Janja da Silva e de seus cinco filhos. A autorização também contempla empresas vinculadas aos candidatos, observadas as condições estabelecidas no requerimento.

A campanha de Flávio, por sua vez, quer ampliar o alcance da medida para incluir outras pessoas e instituições associadas ao petista.

☉ Flávio faz acusações sem apresentar provas de irregularidade patrimonial

Na petição encaminhada ao TSE, os representantes do senador sustentam que eventuais irregularidades envolvendo Lula estariam registradas em informações financeiras de terceiros.


“A irregularidade do patrimônio de Luiz Inácio Lula da Silva não está escondida no seu próprio sigilo, mas em sigilos de terceiros que são por ele utilizados”, afirma o documento.

A declaração apresenta uma acusação contra o presidente, mas a reportagem não identifica provas que comprovem a suposta utilização de terceiros para ocultar patrimônio.

Entre as novas exigências estão a abertura dos sigilos do Instituto Lula, de empresas pertencentes a filhos e outros familiares do presidente e de pessoas próximas ao petista, incluindo seu ex-chefe de gabinete conhecido como Marcola.

A campanha do senador também pede informações que ultrapassam a discussão sobre os dados patrimoniais dos candidatos.

☉ Campanha exige agenda de Janja e informações sobre Vorcaro

O documento solicita a divulgação da agenda da primeira-dama Janja da Silva anterior a fevereiro de 2025, além da relação de passageiros transportados em voos da Força Aérea Brasileira (FAB).

Outra exigência envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A campanha de Flávio quer a íntegra dos registros de reuniões entre Lula e Vorcaro, assim como informações sobre a entrada do empresário e do ex-ministro Guido Mantega nos palácios do governo.

A inclusão desses pedidos amplia o objeto da controvérsia, originalmente centrada na transparência bancária, fiscal e telefônica dos candidatos e de seus familiares.

Os registros solicitados podem ser objeto de fiscalização e interesse público, mas sua inclusão na petição não comprova irregularidades nas reuniões ou nos deslocamentos mencionados.

☉ Lula já protocolou autorização e cobra reciprocidade

O confronto começou durante o debate presidencial realizado pela Band no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a tornar públicos os sigilos de ambos os candidatos e de suas famílias.

Na ocasião, Flávio afirmou não ter “absolutamente nada a esconder”, mas não aceitou imediatamente a proposta.

Na terça-feira (20), Lula transformou o desafio em uma iniciativa formal. Segundo a Agência Brasil, o presidente encaminhou ao TSE um requerimento autorizando a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, assim como os de Janja e de seus cinco filhos, condicionado à adoção de medida equivalente pelo adversário.

A documentação também abrange pessoas jurídicas vinculadas aos candidatos, nos termos definidos pela campanha petista.

Em seu requerimento, Lula solicitou que a divulgação ocorresse antes da votação do segundo turno, marcada para domingo (25), para permitir que os eleitores tivessem acesso às informações.

A campanha do presidente também incluiu questionamentos sobre empresas associadas a Flávio, entre elas a Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. Reportagem do UOL apontou a existência de comunicações bancárias relacionadas à empresa nas quais o senador teria figurado como usuário de uma conta. Os envolvidos negam as suspeitas.

☉ Resposta de Flávio mantém impasse sobre divulgação dos sigilos

A reação apresentada nesta quarta-feira não resolve a questão central levantada por Lula: a divulgação simultânea das informações bancárias, fiscais e telefônicas dos dois candidatos.

Embora a campanha de Flávio declare aceitar o desafio sob determinadas condições, não há, nas informações divulgadas até agora, confirmação de que o senador tenha protocolado autorização equivalente à apresentada pelo presidente.

O pedido de acesso a informações de terceiros também não substitui a autorização individual necessária para divulgar os próprios dados protegidos por sigilo.

A controvérsia ocorre na reta final da eleição presidencial, em meio a cobranças sobre transparência patrimonial e acusações de corrupção feitas pelos dois candidatos.

A análise das solicitações está sob responsabilidade do TSE. Até o momento, não foi informada decisão autorizando a abertura dos sigilos adicionais requeridos pela campanha de Flávio.

A questão que permanece pendente é se o senador apresentará uma autorização efetiva para a divulgação de seus próprios dados e dos familiares abrangidos pelo desafio, permitindo que a comparação proposta por Lula seja realizada antes da votação.

Fonte: Brasil 247 com informações do UOL

Nenhum comentário:

Postar um comentário