terça-feira, 7 de julho de 2026

‘Mentiroso contumaz, Flávio Bolsonaro demonstra desespero nos EUA’, diz PT

Segundo Éden Valadares, a viagem do senador ao país de Donald Trump não significa a defesa da suspensão do tarifaço de 25% contra o Brasil

Éden Valadares, Flávio Bolsonaro, bandeiras do Brasil, dos Estados Unidos e o Escritório do Representante Comercial dos EUACrédito: Éden Valadares

O Partido dos Trabalhadores acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de usar um evento nos Estados Unidos para dar a impressão de que o parlamentar recuou do apoio ao tarifaço de 25% proposta pelo presidente estadunidense, Donald Trump, contra produtos brasileiros.

Segundo a coluna de Milena Teixeira, no Metrópoles, o secretário nacional de Comunicação do PT e coordenador da campanha do presidente Lula, Éden Valadares minimizou a participação do parlamentar da extrema direita em uma reunião do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). De acordo com o dirigente, a viagem de Flávio Bolsonaro não significa que o senador defende a suspensão do tarifaço contra o Brasil.

“É um mentiroso contumaz. É mais uma mentira, um ato de desespero de quem vê sua campanha perdendo a pouca credibilidade que tinha”, afirmou Éden. “Viaja aos EUA para tentar desdizer o que disse e desfazer seu ato de traição. Esse suposto arrependimento é lágrima de crocodilo, pois o Brasil todo sabe que ele articulou as tarifas contra a nossa economia para tentar salvar o pai da cadeia e, agora, para tentar salvar a própria campanha. Seu irmão foi condenado e está foragido da Justiça por isso”, acrescentou.

Nos EUA, o senador pediu que a tarifa de 25% não fosse aplicada neste momento alegando que isso poderia beneficiar politicamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter — premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências — seria o pior momento possível para agir”, disse Flávio Bolsonaro.

Articulações

Os EUA anunciaram no começo de junho a intenção de aplicar o tarifaço de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. No dia 5 do mês passado, também entrou em vigor a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas, o que possibilita a imposição de sanções e até mesmo uma possível ação militar estadunidense em território brasileiro.

Conforme levantamento Ipsos-Ipec, realizado entre 13 e 17 de junho, 54% dos entrevistados veem a classificação das facções pelos EUA como uma interferência em temas que cabem exclusivamente ao Brasil. Outros 35% discordam dessa avaliação, e 4% disseram não concordar nem discordar.

Foram entrevistadas 2.000 pessoas em 130 cidades brasileiras. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O parlamentar também encaminhou ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, sigla em inglês) um documento em que defendeu maior abertura do mercado brasileiro para empresas estrangeiras no setor de cartões de crédito. O senador também apoiou acordos comerciais fora do Mercosul e pediu que o Pix não fosse integrado a sistemas de pagamento vinculados aos BRICS.

O motivo para a tentativa de interferência dos EUA na soberania brasileira foi a condenação de Jair Bolsonaro (PL) no inquérito da trama golpista. Ministros do Supremo Tribunal Federal condenaram o político da extrema direita a 27 anos e três meses de prisão. O ex-mandatário foi acusado de cinco crimes: golpe de Estado, organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e dano contra o patrimônio da União.

Fonte: Brasil 247 com informações da  coluna de Milena Teixeira, no Metrópoles

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