Manifestação reúne movimentos sociais, estudantes, artistas e lideranças políticas em São Paulo; organizadores estimam 1 milhão de participantes
Crédito: Imagem/Ricardo Stuckert -
Um ato em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocupou a avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (11), reunindo movimentos sociais, entidades estudantis, artistas e lideranças políticas. A manifestação, denominada Marcha pela Democracia, teve como principal objetivo ampliar a mobilização eleitoral para o segundo turno da disputa presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A concentração começou por volta das 11h, nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (Masp), e avançou em direção à Praça Roosevelt. Segundo a Revista Fórum, por volta das 14h os participantes ocupavam as seis faixas da avenida Paulista, em uma extensão de pelo menos cinco quarteirões. Os organizadores estimaram a participação de 1 milhão de pessoas, mas não havia uma contagem oficial do público até aquele momento.
O evento contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), de Fernando Haddad (PT), Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede) e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL). Também participaram os governadores reeleitos Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia, Rafael Fonteles (PT), do Piauí, e Elmano de Freitas (PT), do Ceará.
Organizado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), o mega ato reuniu representantes de diferentes setores da sociedade civil. Bandeiras partidárias e faixas em defesa da democracia, da educação pública, do Bolsa Família e do fim da escala de trabalho 6×1 marcaram a manifestação.
A mobilização também contou com a articulação de entidades ligadas à educação, à ciência e à tecnologia, como a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC).
A presença de representantes dessas organizações ampliou a participação de diferentes segmentos sociais no evento, que integrou a estratégia da campanha petista para intensificar as atividades de rua antes da votação decisiva.
Lula convoca eleitores que não votaram no primeiro turno
O presidente aproveitou o ato para pedir aos apoiadores que intensificassem o diálogo com os brasileiros que não compareceram às urnas no primeiro turno. A redução da abstenção foi um dos principais temas de seu discurso na avenida Paulista.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 33,4 milhões de eleitores deixaram de votar na primeira etapa das eleições presidenciais, o equivalente a 21,08% do eleitorado. O número representou o maior contingente de ausentes em uma eleição geral desde 1998.
“Temos quase 30 milhões de pessoas que não foram votar. Nós temos a obrigação de conversar com as pessoas”, declarou Lula, utilizando uma estimativa aproximada do total de eleitores ausentes.
O presidente também fez um apelo específico aos brasileiros com mais de 70 anos, para os quais o voto é facultativo. Ao defender a participação desse grupo no segundo turno, ressaltou a importância da presença dos eleitores mais velhos nas decisões sobre o futuro do país.
“A idade não faz a gente ficar velho”, afirmou, ao mencionar os filhos, os netos e a responsabilidade com a pátria.
A campanha de Lula considera a mobilização dos eleitores ausentes uma das possibilidades para ampliar sua votação no segundo turno. O comparecimento desse contingente poderá influenciar o resultado da disputa presidencial.
Na véspera da manifestação, o presidente já havia utilizado suas redes sociais para convocar os apoiadores a participar da Marcha pela Democracia.
“Estarei na Paulista para que a gente faça o maior ato da história de São Paulo. Bora, São Paulo!”, escreveu Lula.
Presidente critica decisão do TSE sobre o canal “Exército do Lula”
O ato ocorreu poucas horas depois de uma decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, que determinou a suspensão das atividades do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp.
A medida foi tomada a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que acusou o canal de disseminar conteúdos considerados falsos pela Justiça Eleitoral.
Criado e administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), o canal reunia aproximadamente 3,3 milhões de integrantes e havia se tornado uma das ferramentas de comunicação e mobilização digital dos apoiadores do presidente.
A decisão judicial determinou a interrupção de novas publicações e proibiu o ingresso de participantes até a homologação do resultado eleitoral.
Lula criticou a medida antes de participar da manifestação na avenida Paulista e informou que seus advogados deveriam questionar a determinação.
“Eu acho um absurdo. Acho que nossos advogados vão ter que entrar com pedido de explicação”, afirmou.
O presidente também declarou estar “desconfiado do comportamento da corte eleitoral” e afirmou que sua campanha não aceitaria “intromissão indevida da Justiça Eleitoral”.
A suspensão do canal passou a integrar a disputa jurídica entre as campanhas presidenciais em torno da propaganda eleitoral e da atuação de grupos políticos nas plataformas digitais.
Mobilização busca ampliar participação no segundo turno
A realização do ato na avenida Paulista marcou uma nova etapa das atividades de campanha de Lula, com a participação de organizações estudantis, movimentos sociais, representantes do governo federal e lideranças políticas de diferentes estados.
A mobilização reuniu pautas sociais e trabalhistas, incluindo a defesa do fim da escala 6×1, além de reivindicações relacionadas à educação pública, à proteção social e à democracia.
A escolha da avenida Paulista, tradicional espaço de grandes manifestações políticas em São Paulo, também permitiu à campanha reunir seus apoiadores em uma demonstração pública de mobilização na reta final da disputa presidencial.
Com o segundo turno se aproximando, o esforço para ampliar o comparecimento eleitoral tornou-se uma das prioridades da candidatura petista. O resultado do primeiro turno, marcado pela ausência de mais de 33 milhões de eleitores, colocou a abstenção no centro das estratégias das campanhas.
Fonte: Brasil 247
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