Investigação apura lavagem de R$ 7,6 bilhões por organização ligada a postos de combustíveis
Agentes encontraram um fuzil calibre 5,56 no veículo do ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella, durante o cumprimento de mandados da sexta fase da Operação Unha e CarneCrédito: Mário Canella/ReproduçãoFacebbok Márcio Canella/Fuzil apreendido no carro de Márcio Canella/Reprodução/PF
O ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, foi preso nesta terça-feira (7) pela Polícia Federal após agentes encontrarem um fuzil calibre 5,56 em seu veículo durante o cumprimento de mandados da sexta fase da Operação Unha e Carne. As informações são do jornal O Globo.
Segundo a Polícia Federal, Canella é investigado por suposta ligação com uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro. A corporação afirma que o grupo movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
◍ Prisão ocorreu após apreensão de fuzil
Durante o cumprimento das ordens judiciais, policiais localizaram um fuzil calibre 5,56 no interior do veículo utilizado por Canella. Em razão da apreensão, ele foi autuado em flagrante por posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. De acordo com a investigação, o ex-prefeito é apontado como um dos supostos braços políticos da organização criminosa investigada pela força-tarefa.
◍ Operação investiga lavagem bilionária
A sexta fase da Operação Unha e Carne mobilizou agentes para o cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão na capital fluminense e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. Além das buscas, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores atribuídos aos investigados e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo.
Segundo a PF, os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e contratação direta ilegal, sem prejuízo de outras acusações que possam surgir ao longo das apurações.
A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 635.
◍ Ex-secretário e policial civil também são alvos
Entre os investigados está o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Outro alvo é o inspetor da Polícia Civil Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. Conforme a Polícia Federal, ele seria o proprietário oculto, por intermédio de pessoas interpostas, de uma ampla rede de postos de combustíveis. A investigação aponta que mais de 80 empresas, ativas e inativas, estariam registradas em nome de familiares do policial.
Também figura entre os investigados o ex-policial militar Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura. Condenado anteriormente por homicídio e por associação criminosa, ele foi apontado pelo Ministério Público como líder de uma milícia que atuava na Baixada Fluminense. Após decisão judicial, deixou o sistema prisional em 2023 para cumprir o restante da pena em regime de livramento condicional.
◍ Veículos de luxo foram apreendidos
Durante a operação, agentes apreenderam mais de dez veículos de alto padrão em imóveis localizados nos bairros de Camboinhas e Piratininga, em Niterói. Entre os bens recolhidos estão uma Mercedes-Benz avaliada em aproximadamente R$ 1,5 milhão, além de uma Land Rover Defender, uma BMW, um BYD, uma Ford Ranger, um Jeep, três Toyota Corolla e uma picape. Todos os veículos foram encaminhados para a sede da Polícia Federal.
◍ Corregedoria da Polícia Civil abriu investigação
A Corregedoria-Geral da Polícia Civil informou que instaurou procedimento disciplinar para apurar os fatos envolvendo o inspetor investigado.
Em nota, o órgão afirmou que acompanha o caso e reiterou que “não compactua com eventuais desvios de conduta”. A instituição acrescentou que mantém mecanismos internos de controle para apuração de irregularidades e que colabora com os órgãos responsáveis pelas investigações.
◍ Operação teve fases anteriores voltadas ao jogo do bicho
Na semana passada, a Polícia Federal havia deflagrado a quinta fase da Operação Unha e Carne para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado à nova cúpula do jogo do bicho e possíveis repasses a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro.
Na ocasião, foram cumpridos mandados contra investigados como o contraventor Adilsinho, o pastor Márcio Poncio e Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral. Segundo a PF, documentos apreendidos em fases anteriores indicariam possíveis registros de pagamentos a agentes políticos, hipótese que segue sob investigação.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo
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