Levantamento mostra que parte significativa do eleitorado dos dois pré-candidatos tem perfil ideológico diferente do campo político ao qual eles são associados
Uma pesquisa do Datafolha, divulgada pela Folha de São Paulo, revela que uma parcela relevante dos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) possui posicionamento ideológico distinto daquele tradicionalmente associado aos dois pré-candidatos à Presidência da República.
24% dos entrevistados que declararam intenção de voto em Lula foram classificados como pertencentes à direita ou centro-direita. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, 19% aparecem posicionados na esquerda ou centro-esquerda.
A classificação ideológica utilizada pelo Datafolha não se baseia na autodeclaração dos entrevistados. O instituto constrói essa matriz a partir de um conjunto de respostas relacionadas a comportamento, valores sociais e visão sobre temas econômicos.
O levantamento também indica que a identificação dos brasileiros com a direita ou centro-direita voltou a superar a identificação com a esquerda ou centro-esquerda. De acordo com a pesquisa, 44% dos entrevistados foram classificados nos dois segmentos mais à direita do espectro ideológico, enquanto 39% ficaram na esquerda ou centro-esquerda.
● Como se distribuem os eleitores de Lula
Entre aqueles que afirmaram votar em Lula, a distribuição ideológica ficou da seguinte forma:
- Esquerda: 24%;
- Centro-esquerda: 36%;
- Centro: 16%;
- Centro-direita: 19%;
- Direita: 5%.
Na prática, isso significa que quase um quarto do eleitorado do presidente está localizado à direita ou centro-direita, enquanto 60% permanecem nos campos da esquerda e centro-esquerda.
● Perfil ideológico dos eleitores de Flávio Bolsonaro
Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, a distribuição apresentada pelo Datafolha foi:
- Direita: 25%;
- Centro-direita: 38%;
- Centro: 17%;
- Centro-esquerda: 15%;
- Esquerda: 3%.
Devido aos arredondamentos estatísticos, os segmentos de direita e centro-direita somam 64%, enquanto esquerda e centro-esquerda chegam a 19%.
● Resultado é semelhante ao observado na eleição de 2022
O instituto também analisou a distribuição ideológica considerando o voto declarado no segundo turno das eleições presidenciais de 2022. O padrão encontrado foi semelhante ao das atuais intenções de voto.
Entre os entrevistados que afirmam ter votado em Lula naquele pleito, 56% foram classificados na esquerda ou centro-esquerda, 17% no centro e 27% na direita ou centro-direita.
Já entre aqueles que dizem ter votado em Jair Bolsonaro (PL), 64% aparecem na direita ou centro-direita, 17% no centro e 19% na esquerda ou centro-esquerda.
● Matriz considera comportamento e visão econômica
Para construir a classificação ideológica, o Datafolha utiliza uma matriz composta por 16 perguntas. Dez delas tratam de aspectos comportamentais, abordando temas como pobreza, criminalidade, homossexualidade, religião, sindicatos e punição de adolescentes que cometem crimes.
As outras seis questões avaliam o pensamento econômico dos entrevistados, abordando assuntos como carga tributária, papel do Estado na economia, benefícios sociais, legislação trabalhista e investimentos.
Na metodologia do instituto, comportamento e economia têm o mesmo peso, correspondendo cada um a 50% da pontuação final. A partir desse resultado, cada entrevistado é enquadrado em uma das cinco categorias ideológicas: direita, centro-direita, centro, centro-esquerda ou esquerda.
● Posições dos eleitores nem sempre coincidem com as bandeiras dos candidatos
A pesquisa identificou alguns posicionamentos que destoam das agendas defendidas pelos respectivos candidatos.
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 34% afirmaram acreditar que a posse de armas deveria ser proibida por representar ameaça à vida de outras pessoas, posição diferente de uma das principais bandeiras políticas do senador.
Já entre os eleitores de Lula, 26% disseram considerar que as leis trabalhistas brasileiras mais dificultam o crescimento das empresas do que protegem os trabalhadores, tema que contrasta com a defesa feita pelo governo federal de propostas como o fim da escala de trabalho 6×1.
O levantamento mostra ainda convergências entre os dois eleitorados em alguns temas. A maioria dos eleitores de Lula (61%) e de Flávio Bolsonaro (81%) defende que adolescentes que cometem infrações sejam punidos como adultos. Além disso, cerca de sete em cada dez entrevistados dos dois grupos afirmam que o governo deve apoiar grandes empresas nacionais que enfrentem risco de falência.
● Metodologia
O Datafolha entrevistou presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros, nos dias 17 e 18 de junho de 2026. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.
Fonte: Brasil 247 com informações divulgadas pela Folha de S. Paulo
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