O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, teria controlado a indicação de R$ 111,8 milhões em emendas de comissão ao Orçamento de 2024, mesmo sem exercer mandato parlamentar. Segundo relatório da Polícia Federal, o valor supera o destinado por 99,8% dos deputados federais naquele ano e, dos 513 deputados, superou 512, ficando abaixo apenas dos R$ 255,3 milhões atribuídos ao então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
O volume ligado a Valdemar também ultrapassa os R$ 91,6 milhões indicados pelo então líder do governo, José Guimarães (PT-CE), e os R$ 102 milhões associados ao deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). A comparação considera apenas emendas de comissão.
Em 2025, conforme a PF, o valor atribuído ao dirigente caiu para R$ 7,4 milhões. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a operação e determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens de Valdemar. Para os investigadores, as emendas “foram forjadamente encaminhadas e desviadas” para atender ao presidente da legenda.
“Valdemar Costa Neto contava com autonomia para direcionar recursos de emendas (de comissão, proeminentemente) conforme sua cota pessoal e particular, atribuída a partir de sua condição de presidente da sigla”, afirma o relatório encaminhado a Dino.

A defesa nega irregularidades e acusa o ministro de criminalizar a atividade político-partidária. “É natural e legítimo, no sistema democrático, que um presidente partidário dialogue com parlamentares, defenda prioridades programáticas, articule interesses nacionais e regionais e influencie politicamente sua bancada. Nada há de criminoso nisso”, diz a nota dos advogados Marcelo Ávila de Bessa e Thiago Fleury.
Nos registros da Câmara, as verbas aparecem vinculadas aos deputados Luiz Carlos Motta (PL-SP), capitão Alden (PL-BA) e à liderança do PL. Motta afirmou que os recursos eram de comissão e seguiram os trâmites legais. Alden também rejeitou a acusação de autoria oculta de Valdemar. “Não houve qualquer contato comigo sobre esse assunto”, disse.
Dos R$ 111,8 milhões apontados em 2024, R$ 97,4 milhões foram repassados a prefeituras de São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro. O restante foi bloqueado por decisão de Dino. A maior parte das indicações teria sido registrada em nome da liderança do PL, mecanismo que dificulta identificar o verdadeiro padrinho das verbas.
Valdemar não exerce mandato desde 2013, quando renunciou após condenação no mensalão.
Fonte: DCM
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