A Eurasia Group elevou de 55% para 60% a probabilidade de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026. A revisão aparece em relatório divulgado no início de julho pela consultoria de risco político e indica uma melhora no cenário eleitoral do petista antes do início oficial da campanha.
O ponto central da análise é a recuperação da aprovação do governo. Segundo a Eurasia, a melhora recente da avaliação positiva de Lula pesa mais no cálculo eleitoral do que o desgaste de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o escândalo envolvendo o Banco Master.
A aprovação do presidente voltou a superar 47% depois de ter chegado a 44,6% no fim de abril. Para a consultoria, esse indicador costuma ser mais relevante para medir a força de um presidente candidato à reeleição do que pesquisas de intenção de voto feitas antes da campanha formal.
O relatório cita o histórico das disputas brasileiras desde a redemocratização. Todos os presidentes que chegaram à reta pré-eleitoral com ao menos 44% de aprovação conseguiram ampliar esse índice até a votação e venceram. Jair Bolsonaro (PL), único presidente derrotado ao tentar a reeleição, tinha 35% de aprovação a 180 dias da eleição de 2022.

A Eurasia afirma que Lula ainda não está em situação confortável. A eleição segue aberta porque segurança pública e corrupção continuam entre as principais preocupações do eleitorado, áreas em que a oposição tenta construir vantagem.
A análise usa uma média padronizada de levantamentos de AtlasIntel, Datafolha, Nexus e Quaest. Entre março e junho, a preocupação com segurança e criminalidade subiu de 21% para 23,6%. Corrupção passou de 18,4% para 22%, e saúde avançou de 15,5% para 18,1%. Economia e inflação ficaram praticamente estáveis, de 9,7% para 9,5%.
Segundo a Eurasia, em cerca de 80% das eleições vence o candidato percebido como mais forte no tema que lidera as preocupações dos eleitores. A consultoria avalia que Flávio Bolsonaro dificilmente será visto como mais confiável do que Lula no combate à corrupção, mas tende a disputar melhor o terreno da segurança pública.
A melhora de Lula, de acordo com o relatório, também está ligada ao efeito acumulado de medidas do governo voltadas a famílias de renda média e baixa. A lista inclui o Desenrola 2.0, subsídios na conta de luz, auxílio para gás de cozinha e a proposta de fim da escala 6×1.
Outro fator favorável ao presidente é a redução do risco de nova pressão sobre os alimentos. A consultoria aponta que a inflação da comida ficou abaixo das expectativas e que a manutenção do acordo entre Estados Unidos e Irã diminuiu temores de impacto do conflito no Oriente Médio sobre preços internacionais.
Mesmo com a alta na probabilidade de reeleição, a Eurasia lista quatro variáveis que podem mudar o cenário: continuidade da recuperação da aprovação de Lula, avanço das investigações sobre o Banco Master, surgimento de um novo nome competitivo na direita e qualidade das campanhas eleitorais.
Fonte: DCM
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